quinta-feira, abril 12, 2007

Um militar para o comando

De O Estado de S.Paulo:

"No Ministério da Defesa, que escapou da reforma ministerial, o saldo de cem dias de governo é negativo. O apagão aéreo fez dos passageiros os maiores prejudicados, mas a Defesa foi a grande vítima institucional da crise, que já dura seis meses. A queda de braço com os controladores acabou fortalecendo os comandantes militares. “Nunca vi as três Forças tão unidas”, disse ao Estado um oficial do Alto Comando das Forças Armadas. Em baixa, a liderança frágil do ministro Waldir Pires ressuscitou até a idéia de “reestruturar” o ministério, mencionada na semana passada pelo presidente Lula - que, por sinal, deu contribuição direta para a crise, ao desautorizar o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, e depois voltar atrás.

Criado em 1999 para unificar o sistema de defesa da soberania nacional, o ministério foi planejado também para aprofundar a integração dos militares à democracia, devendo o titular ser um civil - que responderia ao presidente, enquanto os comandantes das três Forças chefiaram as tropas. No rastro da crise do apagão aéreo, entrou em circulação até a proposta de um militar assumir o ministério. “Por que não um militar, se já passaram tantos civis e não deu certo?”, questiona o general Luiz Gonzaga Lessa, ex-comandante da Amazônia, hoje com assento no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)."

COMENTANDO A NOTÍCIA; Já lemos gente criticando que a unificação das três forças militares não deu certo, que o melhor seria voltar à fórmula antiga. Besteira. Não deu certo porque à testa do Ministério de Defesa se colocou gente sem nenhuma representatividade e sem nenhuma liderança perante às Forças Armadas. Além disto, e isto já vem desde o fechamento do ciclo da ditadura militar, há um enorme ressentimento de parte dos governantes civis em relação aos militares. Sempre o esforço foi dirigido foi na tentativa de enfraquecê-los, por onde aliás se assenta a falta de investimentos no reaparelhamento indispensável para que as Forças Armadas cumpram adequadamente seu papel constitucional.

Além disso, em todos os países do Primeiro Mundo, a fusão em único ministério de Defesa das três forças, acabou dando certo, Porém, lá o objetivo era de racionalização para um fortalecimento homogêneo. Diferente daqui. Ou se encontra alguém que tenha representatividade e liderança perante os militares das três Armas, ou se coloque no Ministério Defesa alguém formado ou na Marinha, Aeronáutica ou Exército. É simples assim. Resta saber se o governo o que realmente deseja este governo. Pelo que se viu até aqui, tirando o discurso cretino, só tem feito aumentar a insatisfação e alimentado crises.