Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Raimundo Eirado, procurador da Justiça Trabalho, bravo baiano de Jaguaquara, lá na Bahia, foi presidente da União Nacional dos Estudantes de 58 a 60, no governo de Juscelino. Nunca a UNE foi tão influente e poderosa. O vice era o mineiro, hoje ministro do Supremo, Sepúlveda Pertence. Não comunistas, apoiados pelos comunistas.
Veio o golpe de 64, os militares abriram o IPM (Inquérito Policial Militar) da UNE, a partir de 58. O presidente e o vice já eram o paulista José Serra e o carioca Marcelo Cerqueira. Há quatro anos Eirado e Pertence tinham terminado a faculdade e já eram procuradores. Mas o IPM começava com eles.
Eirado
Preso algum tempo, Eirado foi solto e o IPM continuava. Procurou seu colega e amigo de faculdade, o solidário Carlinhos Medeiros, filho de Carlos Medeiros, co-autor (com Francisco Campos) do Ato Institucional nº 1 e depois ministro da Justiça de Castelo Branco, para pedir ao pai que o tirasse do IPM.
Uma semana depois, Carlos Medeiros disse ao filho:
"Não há como ajudar seu amigo. É impossível tirá-lo do IPM. A capa do inquérito é assim: `Raimundo Emmanuel Bastos do Eirado Silva e outros'. Se tirar o nome dele, o IPM fica: `... E outros'. Não pode ser". Depois, o Superior Tribunal Militar tirou todos.
Controladores
A Aeronáutica anunciou um IPM para responsabilizar os culpados pelo apagão-aéreo da semana passada, que veio crescendo desde a irresponsável derrubada do Boeing-700 da GOL pelos dois pilotos americanos do Legacy.
Começaram a jogar tudo nas costas desprotegidas dos controladores de vôo, militares e civis. Ora, todos sabem que a crise já dura meses e os controladores se cansaram de advertir o presidente da República, o ministro da Defesa, o comandante da Aeronáutica, de que a situação estava ficando insustentável, pelas precárias condições dos equipamentos ultrapassados e sobretudo pela insuportável exaustão dos controladores e salários miseráveis.
O japonês
Para ser um IPM sério, teria que chamar-se assim: "Presidente Luis Inácio Lula da Silva, ministro Waldir Pires, comandante Luiz Carlos Bueno e outros". Tirar os nomes dos três e deixar apenas os controladores é uma fraude.
Já era tempo de o País ter aprendido que tipo de gente Lula é. Mandou o ministro Paulo Bernardo desautorizar o comandante da Aeronáutica, o japonês Juniti Saito, desmoralizando as ordens que ele tinha dado, e fazer um acordo com os controladores contra a autoridade dele. Quando chegou dos Estados Unidos, acovardou-se, desfez o que mandara fazer, ferrou os controladores e disse que "foi traído", "apunhalado pelas costas". Igualzinho no mensalão.
Pós-pagos
Conta o ex-ministro José Dirceu que está ficando rico, fazendo "consultoria" (sic) para um punhado de poderosas empresas que têm negócios com o governo. Até se aliou ao ex-governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, para darem "consultoria" aos empresários do álcool e do etanol. Rapazes "previdentes". Estão colhendo agora a safra que plantaram no governo. Uns faturam no "pré-pago". Outros, no "pós-pago".
Brizola
No ótimo livro sobre "A Política Externa de Jânio Quadros" (Editora Atheneu), que comentei quinta-feira aqui, o embaixador Carlos Alberto Leite Barbosa conta interessante história pioneira de Brizola. Jânio presidente, foi ao Rio Grande do Sul, Brizola governador. Entenderam-se muito bem: "De regresso a Brasília, o presidente Jânio Quadros pediu-me para averiguar no Ministério da Fazenda o desembaraço de alguns sacos de sementes de um feijão muito consumido na Ásia, retidos na Alfândega do Rio Grande do Sul. Era um pedido com muito empenho do governador Brizola, que acreditava nas possibilidades de seu cultivo em terras gaúchas: assim chegaram as primeiras sementes de soja no Brasil". Blairo Maggi, de Mato Grosso, "o rei da soja", não pagou esse royalty.
Ombudsman
Em sua excelente coluna na "Folha", a Mônica Bergamo conta:
"Três menores de idade - duas meninas de 15 anos e um jovem de 17 - esfaqueiam um garoto de 15 anos. São presos e soltos 24 horas depois, justamente por serem menores. São Paulo? Rio? Não. Barcelona, na Espanha. A vítima foi Tomás, filho da jornalista Miriam Dutra, correspondente da TV Globo na cidade. O assalto ocorreu há quatro dias e ele passa bem".
Nossa imprensa denuncia censuras de todo mundo, inclusive da imprensa de outros países, como China, Venezuela, Bolívia, Cuba. Mas não se sente obrigada a não censurar. Todo mundo sabe que esse garoto é filho do ex-presidente Fernando Henrique e da jornalista Miriam Dutra. Na revista "Caros Amigos", o jornalista Palmerio Doria publicou longa reportagem, declarações, inclusive a certidão de nascimento.
Uma notícia absolutamente natural. Por que escondem? Se fosse filho de Lula, Collor, Pelé, Romário, publicariam, como tantas vezes já publicaram. Por que só de Fernando Henrique não pode? Dizem-se tão modernos e na prática são uns retrógrados, medievais.
Raimundo Eirado, procurador da Justiça Trabalho, bravo baiano de Jaguaquara, lá na Bahia, foi presidente da União Nacional dos Estudantes de 58 a 60, no governo de Juscelino. Nunca a UNE foi tão influente e poderosa. O vice era o mineiro, hoje ministro do Supremo, Sepúlveda Pertence. Não comunistas, apoiados pelos comunistas.
Veio o golpe de 64, os militares abriram o IPM (Inquérito Policial Militar) da UNE, a partir de 58. O presidente e o vice já eram o paulista José Serra e o carioca Marcelo Cerqueira. Há quatro anos Eirado e Pertence tinham terminado a faculdade e já eram procuradores. Mas o IPM começava com eles.
Eirado
Preso algum tempo, Eirado foi solto e o IPM continuava. Procurou seu colega e amigo de faculdade, o solidário Carlinhos Medeiros, filho de Carlos Medeiros, co-autor (com Francisco Campos) do Ato Institucional nº 1 e depois ministro da Justiça de Castelo Branco, para pedir ao pai que o tirasse do IPM.
Uma semana depois, Carlos Medeiros disse ao filho:
"Não há como ajudar seu amigo. É impossível tirá-lo do IPM. A capa do inquérito é assim: `Raimundo Emmanuel Bastos do Eirado Silva e outros'. Se tirar o nome dele, o IPM fica: `... E outros'. Não pode ser". Depois, o Superior Tribunal Militar tirou todos.
Controladores
A Aeronáutica anunciou um IPM para responsabilizar os culpados pelo apagão-aéreo da semana passada, que veio crescendo desde a irresponsável derrubada do Boeing-700 da GOL pelos dois pilotos americanos do Legacy.
Começaram a jogar tudo nas costas desprotegidas dos controladores de vôo, militares e civis. Ora, todos sabem que a crise já dura meses e os controladores se cansaram de advertir o presidente da República, o ministro da Defesa, o comandante da Aeronáutica, de que a situação estava ficando insustentável, pelas precárias condições dos equipamentos ultrapassados e sobretudo pela insuportável exaustão dos controladores e salários miseráveis.
O japonês
Para ser um IPM sério, teria que chamar-se assim: "Presidente Luis Inácio Lula da Silva, ministro Waldir Pires, comandante Luiz Carlos Bueno e outros". Tirar os nomes dos três e deixar apenas os controladores é uma fraude.
Já era tempo de o País ter aprendido que tipo de gente Lula é. Mandou o ministro Paulo Bernardo desautorizar o comandante da Aeronáutica, o japonês Juniti Saito, desmoralizando as ordens que ele tinha dado, e fazer um acordo com os controladores contra a autoridade dele. Quando chegou dos Estados Unidos, acovardou-se, desfez o que mandara fazer, ferrou os controladores e disse que "foi traído", "apunhalado pelas costas". Igualzinho no mensalão.
Pós-pagos
Conta o ex-ministro José Dirceu que está ficando rico, fazendo "consultoria" (sic) para um punhado de poderosas empresas que têm negócios com o governo. Até se aliou ao ex-governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, para darem "consultoria" aos empresários do álcool e do etanol. Rapazes "previdentes". Estão colhendo agora a safra que plantaram no governo. Uns faturam no "pré-pago". Outros, no "pós-pago".
Brizola
No ótimo livro sobre "A Política Externa de Jânio Quadros" (Editora Atheneu), que comentei quinta-feira aqui, o embaixador Carlos Alberto Leite Barbosa conta interessante história pioneira de Brizola. Jânio presidente, foi ao Rio Grande do Sul, Brizola governador. Entenderam-se muito bem: "De regresso a Brasília, o presidente Jânio Quadros pediu-me para averiguar no Ministério da Fazenda o desembaraço de alguns sacos de sementes de um feijão muito consumido na Ásia, retidos na Alfândega do Rio Grande do Sul. Era um pedido com muito empenho do governador Brizola, que acreditava nas possibilidades de seu cultivo em terras gaúchas: assim chegaram as primeiras sementes de soja no Brasil". Blairo Maggi, de Mato Grosso, "o rei da soja", não pagou esse royalty.
Ombudsman
Em sua excelente coluna na "Folha", a Mônica Bergamo conta:
"Três menores de idade - duas meninas de 15 anos e um jovem de 17 - esfaqueiam um garoto de 15 anos. São presos e soltos 24 horas depois, justamente por serem menores. São Paulo? Rio? Não. Barcelona, na Espanha. A vítima foi Tomás, filho da jornalista Miriam Dutra, correspondente da TV Globo na cidade. O assalto ocorreu há quatro dias e ele passa bem".
Nossa imprensa denuncia censuras de todo mundo, inclusive da imprensa de outros países, como China, Venezuela, Bolívia, Cuba. Mas não se sente obrigada a não censurar. Todo mundo sabe que esse garoto é filho do ex-presidente Fernando Henrique e da jornalista Miriam Dutra. Na revista "Caros Amigos", o jornalista Palmerio Doria publicou longa reportagem, declarações, inclusive a certidão de nascimento.
Uma notícia absolutamente natural. Por que escondem? Se fosse filho de Lula, Collor, Pelé, Romário, publicariam, como tantas vezes já publicaram. Por que só de Fernando Henrique não pode? Dizem-se tão modernos e na prática são uns retrógrados, medievais.