sexta-feira, abril 06, 2007

A república do "ah é, é?"

por Glauco Fonseca , Blog Diego Casagrande

Henry Sobel e Lula têm pelo menos duas coisas em comum: volta e meia, perdem completamente a noção da realidade e acabam flagrados cometendo um deslize. Desnecessário sequer exemplificar. Desconsiderar que o Rabino Sobel está acometido de doença mental é, no mínimo estupidez. Um sujeito como ele protagonizar um delito tão pueril como furtar gravatas é insólito, porém consagra o dogma de que a perfeição passa longe de qualquer ser humano, mesmo daqueles que se julgam superiores. Deixemos o Rabino se refazer de sua monumental babada e aprendamos, pois, com esta importante lição. Por outro lado, achar que governar como Lula governa é fruto de SAÚDE mental é outro erro crasso. O episódio do “tira & bota” das promessas aos controladores de vôo, dos apagões dos últimos meses, da quebra de hierarquia e das tantas outras lambanças de sua gestão é prova cabal de que os doentes mentais somos nós que nada fizemos para conter a sanha petista por poder a qualquer custo.
.
Tarso Genro também é outro pole position em imprudência e incontinência verbal. Disse outro dia que deveria haver maior “liberdade de circulação de opinião” na mídia. Quando ouvi a frase, me senti como o personagem Waldir que o humorista Milton Carneiro fazia no programa “Viva o Gordo” na Globo, lá pelos anos 80. Era assim: Vinha alguém e xingava o Waldir. Ele ouvia o xingado, mas ficava um tempão pensando no que queria ter respondido e só conseguia dizer “Ah é, é?”. Momentos depois é que o Waldir esbravejava uma resposta à altura. Só que na ausência do ofensor, que já tinha ido embora, cansado de ouvir “Ah é, é?”. Aliás, como é mesmo o nome do nosso atual Ministro da Defesa?
.
Juntei a manifestação do Tarso Genro ao surgimento da TV Pública do Executivo e a luz se me apresentou. Mas que raios significa liberdade de circulação de opinião? O raciocínio é mais ou menos o seguinte: Fazendo um simples inventário da mídia nacional, veremos que há muito mais opinião contrária do que favorável ao governo Lula. Ao chegar à constatação, Tarso acabou se dando conta de que, por méritos ou virtudes próprias, nem mesmo Houdini conseguiria colocar nas colunas de jornais alguém a defender o atual governo sem ser motivo de chacota (exceção ao Paulo Henrique Amorim, cujo blog JÁ É motivo de chacota). Então Tarso, esperto como sempre e mais contraditório do que nunca, pensou: temos que ter um canal de TV onde só falem bem da gente! Os petistas vibraram e bateram palminhas. O assunto cresceu e vai ao ar, às nossas custas, mais um canal de televisão. Só que este já nasce com a precípua e peremptória missão de elogiar um governo do qual pouca gente fala bem.
.
Esses petistas são mesmo geniais. Ao invés de se comportarem, de parar de malversar o dinheiro público, de aloprar e cometer erros, que são coisas que alimentam a “imprensa reacionária e elitista”, ao invés de promoverem a honestidade e a transparência e de governarem sem se locupletar, optaram por criar a sua própria imprensa.
.
Defender o governo Lula daria um “sketch” engraçadíssimo num programa humorístico. E se fosse vivo, Fidel Castro acharia “formidable”!