sexta-feira, maio 04, 2007

Economist: o insolúvel conflito do MST com agronegócio

BBC Brasil

SÃO PAULO - A revista britânica The Economist diz na edição publicada na quinta-feira, 26, que o confronto entre o Movimento dos Sem Terra e o agronegócio no Brasil não tem solução.

"Para o MST, a demanda por reforma agrária é quase sem limite, e o conflito com a agricultura industrializada, insolúvel", diz a publicação, no artigo intitulado Esta terra é terra anticapitalista.

A revista diz que o MST no Brasil está mudando seu foco e cada vez mais se transformando num esforço contra a agricultura moderna, com foco na lucratividade, em vez de buscar a distribuição justa de terras.

Segundo a The Economist, "muito do ativismo tem pouco a ver com reforma agrária". "No passado, os principais alvos eram grandes donos de terra locais. Mais e mais são grandes companhias, sejam elas brasileiras ou estrangeiras, ou o ´modelo de desenvolvimento´ que elas representam."

Elogio
A revista elogia o Movimento Sem Terra, dizendo que "seu ativismo ajudou a mudar o interior" do Brasil, impulsionando o assentamento de 900 mil famílias desde 1995.

"Outras mudanças têm pouco a ver com os protestos. O interior se modernizou, com os donos de terra à moda antiga dando lugar a herdeiros mais iluminados ou a fazendeiros de corporações, para os quais a terra é um negócio em vez de uma fonte de poder político."

A The Economist cita José Batista de Oliveira, membro do diretório nacional do MST, para quem o "agronegócio é o novo nome” da aliança entre "magnatas reacionários da terra e o capital financeiro".

A publicação também diz que o MST mantém uma relação "complexa" com o governo, ainda mais durante a presidência de Lula, "um aliado de longa data do MST".

O governo, segundo a revista, "evita confrontos oferecendo crédito subsidiado para que pobres fazendeiros comprem terras no mercado".

Mas o conflito no campo, embora tenha recuado, parece longe de ter parado, diz a revista.
COMENTANDO A NOTICIA: Talvez em função da distância, quem produziu a reportagem para a revista britânica não tenha reunido informação suficiente e atualizada sobre os conflitos agrários no Brasil. Na verdade, o MST se tornou um braço armado do petismo, e ao invés de minorar a crise no campo, só a tem distendido, e a tal ponto que o número de mortes nos enfrentamentos mais do triplicou no governo Lula.
Além disto, o número de assentamentos reduziu-se a um mínimo que o próprio MST se tornou crítico em relação à política agrária promovida por Lula. Além da violência, o que aumento foram os repasses de recursos federais. Mas o conflito continua tão intenso e até mais do que sempre foi.
Também faltou à reportagem apontar outra característica que se observa nas ações do MST sob o governo Lula: já deixaram há muito tempo de lado sua luta por terras. Adotaram tanto nos discursos quanto nas ações um discurso político-partidário, canhestro e delinquente, a tal ponto que muito dos seus seguidores tem denunciado os processos de tortura a que são submetidos quando esboçam desejos de abandonarem os acampamentos.
É preciso um certo cuidado na leitura que se faz de reportagens sobre a questão agrária brasileira. A bandeira que é exibida lá fora é completamente diferente da realidade no país.