sábado, maio 26, 2007

Estados ameaçam grau de investimento

Fernando Nakagawa, Jornal do Brasil

O Brasil está no caminho do grau de investimento, mas uma mudança nos critérios das dívidas estaduais poderia atrasar a conquista de uma nota melhor para o país. A sinalização foi feita ontem pela diretora da Standard & Poor's e responsável pela avaliação do Brasil, Lisa Schineller. A especialista rejeitou a avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o investment grade será inevitável quando o crescimento da economia chegar a 5%.

- Não existe número mágico para o PIB - rebateu. - Há países que crescem menos de 5% e são investment grade.

Após audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Lisa Schineller demonstrou preocupação com a intenção de alguns governadores de pedir autorização para elevar o nível de endividamento estadual.

- Falar em mudança no marco da Lei de Responsabilidade Fiscal e dos acordos com os Estados seria problemático - afirmou.

Para a analista, a alteração teria implicação em alguns dos fundamentos fiscais, que pesariam na avaliação de uma nova nota.

- O Brasil melhorou nos últimos anos, mas ainda tem vulnerabilidades - argumentou.

A diretora da S&P lembrou o caso do México, que cresce com taxas menores que os 5% citados pelo ministro da Fazenda e já é investment grade. Para Lisa, o número é importante, mas não é determinante para a melhora da classificação.

- Também não existe índice mágico entre a dívida e o PIB - completou ao citar a Índia, outro país grau de investimento que tem esse indicador em patamar pior que o registrado no Brasil. - Todos têm pontos fortes e fracos. Os indicadores acabam se compensando.

Para reforçar a idéia de que o Brasil ainda precisa ter atenção tanto com o crescimento do PIB quanto com a consistência fiscal para conquistar o grau de investimento, a analista citou que ainda há muito a ser feito em termos econômicos no país.

- O BBB- não é o último rating. Depois dele, ainda há espaço para continuar melhorando até o AAA.

Apesar do tom cauteloso, Lisa observou que o investiment grade costuma chegar em 15 meses para os países que têm a nota e a perspectiva que o Brasil recebeu na semana passada da S&P. Essa média foi feita com base em 70% dos casos de países que tinham BB+ e a perspectiva positiva, como o Brasil atualmente, e foram elevados. Nos demais casos, nos 30% restantes, houve piora da nota.

- Não há certeza, portanto, da melhora da nota - reforçou ao citar os casos da Índia, México e África do Sul, que levaram, respectivamente, 16, 7 e 6 anos para atingir a marca.