sábado, maio 26, 2007

Para afagar a Aeronáutica, governo vai comprar caça

Júlio Ottoboni

A tensão entre Comando da Aeronáutica, Ministério da Defesa e Presidência da República, provocada pela crise no setor aéreo, receberá uma boa dose de calmante. Desenvolvido para a aquisição de caças supersônicos e paralisado desde 2003, o Programa FX será retomado nos próximos meses. Ou, no mais tardar, no começo de 2008. O assunto é tratado com sigilo e cautela pelos militares. Não é à toa. Afinal, não é a primeira vez que o governo autoriza a retomada das negociações, jamais concluídas.

O valor a ser empregado na nova versão do FX é uma incógnita. Segundo fontes de grandes empresas do setor, a Aeronáutica já começou os estudos destinados a permitir a escolha do caça que substituirá os Mirage da década de 1970, ainda em uso no patrulhamento do território nacional. O governo pretende adquirir entre 12 a 24 unidades de um supersônico de interceptação, de quinta geração, que custa entre US$ 45 milhões a US$ 65 milhões a unidade.

O prazo estimado entre a conclusão da compra e a primeira entrega é de cerca de cinco anos. Entre os caças considerados favoritos para modernizar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) estão o Rafale, da francesa Dassault Aviation, ex-parceira da Embraer, e Sukhoi SU-35, produzido pelo consórcio russo aliado da Avibras Aeroespacial.

Apesar de a decisão favorecer a frota nacional de jatos de combate, os militares dizem acreditar que a iniciativa tenha muito mais a ver com uma política de contenção de ânimos do que com a vontade de reaparelhar a FAB. Na abertura da concorrência, realizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2001, o valor para a compra era estipulado em US$ 700 milhões em regime de off-set.

Ou seja, o dinheiro gasto na transação teria uma contrapartida comercial no mesmo volume. No início de 2003, o processo foi suspenso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob alegação, entre outros, de que os recursos iriam para o programa Fome Zero. No fim daquele ano, o Comando da Aeronáutica recebeu ordens do Ministério da Defesa para retomar o Programa FX e buscar no mercado participantes interessados em apresentar novas propostas.

Entre eles, fabricantes já credenciadas no pontapé inicial da concorrência. A meta era conseguir aviões de combate com tecnologias mais avançadas. Nos últimos dias de 2003, os militares apresentam ao ministério um relatório baseado nas ofertas apresentadas. O passo seguinte previsto era a convocação do Conselho de Defesa para a escolha da proposta vencedora. Por fim, a decisão teria de passar pelo crivo do presidente da República. A novela, no entanto, não chegou ao fim, e o governo arquivou o projeto.

COMENTANDO A NOTICIA: Em tempo de CPI do apagão aéreo, é um vale tudo de parte do governo federal para ver se “cala” alguns” e, assim, ser poupado nas investigações. E viva a transparência do governo petista !!!