sexta-feira, agosto 10, 2007

Lula defende lucro de banqueiros

O presidente Lula comentou na Nicarágua os lucros recordes dos bancos brasileiros em seu governo. "Mais impressionante é o dia que os bancos derem prejuízo e que o governo tiver de criar um Proer para ajudá-los. Aí, o prejuízo é total", declarou Lula, comparando-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.Lula ainda afirmou que os lucros dos bancos decorrem do crescimento do crédito do país. "Vocês vão perceber que o crédito cresceu, mais que quadruplicou, desde o consignado ao crédito para as empresas", disse o presidente.Ele afirmou que neste momento todo mundo vai ganhar mais dinheiro no Brasil. "Eu sonho com o dia em que todos possam ganhar no Brasil. Todos, empresários, trabalhadores, bancos, a imprensa possa ganhar um pouco mais. Este é o momento ideal. O que eu não quero é que ninguém tenha prejuízo, porque, na hora que um tem prejuízo, tenta jogar nas costas do povo pobre. Eu não quero que o povo mais pobre perca", disse Lula.

Um dos grandes problemas de Lula é usar sua ignorância sempre pelos caminhos da má fé e da delinqüência. Fosse ele um pessoa equilibrada, bem informada e devotada a ter respeito pela verdade, não diria pela enésima esta tolice. Esquece vossa excelência que os bancos “quebrados” tiveram tanto diretores quanto acionistas afastados dos bancos. Segundo, na mesma época política iguais foram realizadas em pelo menos 15 países para salvar não apenas seu sistema financeiro, mas principalmente para que as dificuldades derivadas das crises internacionais que afetaram a economia do mundo inteiro não prejudicassem justamente correntistas e poupadores, cuja imensa maioria era de pessoas humildes, além é claro do abalo de confiança que a quebradeira causaria. Ou seja, o PROER no Brasil, assim como nos Estados Unidos em programa semelhante, caso não tivesse sido empreendido, causaria um impacto negativo de tal monta, que ainda hoje estaríamos purgando os danosos efeitos decorrentes. E, como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, seria os pequenos correntistas e poupadores os mais atingidos. E vale repetir: todos os diretores e acionistas dos bancos socorridos foram destituídos. O que o programa fez foi salvaguardar as economias dos correntistas, salvar as instituições, e evitar que um pânico generalizado levasse a crise para todos os setores da economia, o que certamente, teria causado uma grave recessão no mundo inteiro.

Como Lula não se informou a respeito, até hoje vive criticando um programa que, antes de tudo, foi em favor do próprio país. Talvez ele até saiba por alto sobre as razões do PROER, mas se vale da retórica e má fé para pregar sua demagogia ordinária de baixo nível.

Mas vale a advertência: ele que reze muito para não de enfrentar crises semelhantes antes do término do seu segundo mandato. E pelo andar da carruagem, não se está muito longe disto.

Agora, uma coisa é o governo criar um programa emergencial para socorrer algumas instituições em dificuldades afastando diretores e acionistas e transferindo a propriedade destas instituições para outras empresas com melhor estrutura. E isto teve um preço que corresponderia hoje ao superávit primário de um ano do atual governo. Outra, é adotar uma política de governo que privilegia já há quatro anos e meio todas as instituições bancárias, independente delas estarem bem ou mal. O que para um foi emergência reservada a poucas instituições, para outro se tornou uma política de longa extensão de favorecimento a todo o sistema, mesmo que o mundo todo viva uma bonança econômica como nunca teve.