sexta-feira, agosto 10, 2007

Método Lula de governar: comprar consciências (e votos)

Governo abre o cofre para aprovar CPMF

De Gerson Camarotti e Henrique Gomes Batista em O Globo

O governo fechou ontem um acordo com os partidos aliados para votar a emenda original de prorrogação da cobrança da CPMF, a partir de janeiro de 2008, sem a partilha com estados e municípios. O Planalto arrancou o compromisso em reunião do Conselho Político do governo, ao apresentar dados concretos de que intensificou, nas últimas semanas, a liberação de recursos para as emendas de parlamentares e também as nomeações políticas para cargos federais.

O ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, disse que as emendas começaram a ser pagas em ritmo acelerado, e que novas liberações serão autorizadas. A promessa é liberar por mês R$ 500 milhões, em emendas, até o fim do ano.

Segundo dados do Siafi, levantados pela assessoria da presidência do DEM, até 8 de agosto a liberação total de emendas este ano chegou a R$ 93,7 milhões, sendo que R$ 73 milhões foram pagos apenas nos oito primeiros dias deste mês, o que mostra que o governo resolveu abrir o cofre só agora, às vésperas da votação da CPMF.

— O Planalto sabe que é preciso criar um ambiente favorável. Essa é a governabilidade de amor remunerado. Todo mundo vota de acordo com a liberação de emendas — disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).


É a prática do malfadado e surrado método cretino da política brasileira do “é dando que se recebe”. É uma espécie de mensalão, apenas que se consuma nas votações específicas de interesse do governo. Troca-se o trocado miúdo em prazos marcados, por “gratificações gordas” pagas na especificidade dos projetos de interesse do governo. Claro, quando o petê foi oposição, eles condenavam que os outros fizessem isto, método nascido no governo Sarney, hoje seu aliado. Aprenderam rapidinho com o raposão. Por outro lado, ali não está em jogo o interesse da sociedade. Ali não entra em cena o que é bom ou não para o país. O que interessa é que continue jorrando nas arcas do Tesouro o monstruoso volume de recursos expropriados da sociedade para a satisfação plenas dos interesses mesquinhos de um lado, gananciosos de outro, dos políticos brasileiros.

Se o volume que se arrecada fosse proporcional ao que se devolve em serviços, seja por qualidade e modernidade, seja por sua eficiência, disponibilidade e acesso amplo e fácil, talvez ninguém reclamasse de pagar o que pagamos. Porém, diante dos descalabros dos serviços indignos, o que se arrecada é roubo na sua mais legítima expressão. Pelo quantum arrecadatório, se empobrece a nação, e o que é pior, para beneficiar apenas uns poucos privilegiados. E quando escândalos acontecem e pipocam demonstrando a conivência com os desvios, corrupção, enriquecimentos ilícitos, e todo este lamaçal fica impune, não se pode qualificar de outra forma a voracidade tributária do governo: é roubo puro, no seu mais elevado grau de maldade e desonestidade.