Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB
O presidente Lula demorou a ter pressa para começar o segundo mandato, desperdiçando meses na montagem da sua base majoritária no Congresso, com a aquisição de partidos ao preço extorsivo de ministérios, secretarias e autarquias, além da farta distribuição de fatias do segundo escalão. Quando alertado para os riscos da demora na arrancada, sempre encontrava a desculpa para os sucessivos adiamentos.
Mas a sacudidela vigorosa da crise do apagão aéreo, com dois desastres e mais de três centenas de vítimas; a bagunça nos aeroportos com filas intermináveis, o suplício de dias e noites sem informações e mais o tranco da vaia no Maracanã lotado na inauguração dos Jogos Pan- Americanos e dos repetecos em tom menor nas aparições em público - os seus últimos atos e pronunciamentos, depois da pausa do sumiço - mostram um presidente decidido a passar à ofensiva. E com pressa, pois não há mais tempo a perder.
A nomeação do ministro Nelson Jobim para o virtualmente acéfalo Ministério da Defesa deslocou o foco da crise para o setor próprio. E com autoridade e carta branca para as decisões imediatas que a inacreditável barafunda administrativa com a superposição de órgãos não apenas bloqueou durante décadas, mas empurrou para o buraco negro da tragédia.
Com a alma aliviada pela transferência da responsabilidade pela reforma urgente do setor do tráfego aéreo, Lula aproveitou os vagares dos cinco dias de viagem no conforto e segurança do Aerolula (com os dois reversos inspecionados, testados e funcionando) para mandar alguns recados às lideranças parlamentares.
Com o aviso de que está com pressa, com muita urgência de ver resolvida a novela sentimental que tem como astro principal o senador Renan Calheiros, flor do buquê do PMDB de Alagoas, para limpar o caminho para mais uma prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, mais conhecida como CPMF, disfarce que punga a carteira do pagador de impostos. E de outras matérias na fila de espera.
Uma pancada no ferro, outra na ferradura. De Manágua, depois da troca de cravos com o amigo Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, Lula telefonou para o senador Renan Calheiros para os rapapés da esperteza. Agradeceu o presidente do Senado pela aprovação da Lei das Micro e Pequenas Empresas e da medida provisória sobre a reestruturação do Ibama. O senador, na conversa entre amigos, passou ao presidente as informações otimistas sobre o andamento dos processos que o atormentam.
Depois de saltar a cerca da conveniência, Lula abasteceu os repórteres que o acompanham no giro pela América Central com um aviso ao Congresso ou mais precisamente ao bloco de partidos que apóiam o governo. Foi explícito: "Eu penso que o Senado, em algum momento, vai tomar uma decisão. Esse caso (dos processos do senador Renan Calheiros) não pode ficar a vida inteira dependendo dos discursos políticos". Enfático: "Está chegando a hora de ter um fim, à medida que se façam as investigações completas".
Os próximos dias ou semanas devem esclarecer as dúvidas que ainda embaraçam o perfeito entendimento da cambalhota tática do governo. Não ficou claro se Lula pretende negociar diretamente com todas as lideranças parlamentares ou se ficará no modelo clássico de restringir as articulações aos partidos aliados. Afinal, foram meses de acertos e barganhas, com generosa distribuição de fatias do bolo, de ministérios às posições estratégicas das mais cobiçadas.
Está na hora da maioria mostrar seu valor e garantir a aprovação de materiais fundamentais para o presidente dar a partida no governo do segundo mandato.
E que começará tarde.
O presidente Lula demorou a ter pressa para começar o segundo mandato, desperdiçando meses na montagem da sua base majoritária no Congresso, com a aquisição de partidos ao preço extorsivo de ministérios, secretarias e autarquias, além da farta distribuição de fatias do segundo escalão. Quando alertado para os riscos da demora na arrancada, sempre encontrava a desculpa para os sucessivos adiamentos.
Mas a sacudidela vigorosa da crise do apagão aéreo, com dois desastres e mais de três centenas de vítimas; a bagunça nos aeroportos com filas intermináveis, o suplício de dias e noites sem informações e mais o tranco da vaia no Maracanã lotado na inauguração dos Jogos Pan- Americanos e dos repetecos em tom menor nas aparições em público - os seus últimos atos e pronunciamentos, depois da pausa do sumiço - mostram um presidente decidido a passar à ofensiva. E com pressa, pois não há mais tempo a perder.
A nomeação do ministro Nelson Jobim para o virtualmente acéfalo Ministério da Defesa deslocou o foco da crise para o setor próprio. E com autoridade e carta branca para as decisões imediatas que a inacreditável barafunda administrativa com a superposição de órgãos não apenas bloqueou durante décadas, mas empurrou para o buraco negro da tragédia.
Com a alma aliviada pela transferência da responsabilidade pela reforma urgente do setor do tráfego aéreo, Lula aproveitou os vagares dos cinco dias de viagem no conforto e segurança do Aerolula (com os dois reversos inspecionados, testados e funcionando) para mandar alguns recados às lideranças parlamentares.
Com o aviso de que está com pressa, com muita urgência de ver resolvida a novela sentimental que tem como astro principal o senador Renan Calheiros, flor do buquê do PMDB de Alagoas, para limpar o caminho para mais uma prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, mais conhecida como CPMF, disfarce que punga a carteira do pagador de impostos. E de outras matérias na fila de espera.
Uma pancada no ferro, outra na ferradura. De Manágua, depois da troca de cravos com o amigo Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, Lula telefonou para o senador Renan Calheiros para os rapapés da esperteza. Agradeceu o presidente do Senado pela aprovação da Lei das Micro e Pequenas Empresas e da medida provisória sobre a reestruturação do Ibama. O senador, na conversa entre amigos, passou ao presidente as informações otimistas sobre o andamento dos processos que o atormentam.
Depois de saltar a cerca da conveniência, Lula abasteceu os repórteres que o acompanham no giro pela América Central com um aviso ao Congresso ou mais precisamente ao bloco de partidos que apóiam o governo. Foi explícito: "Eu penso que o Senado, em algum momento, vai tomar uma decisão. Esse caso (dos processos do senador Renan Calheiros) não pode ficar a vida inteira dependendo dos discursos políticos". Enfático: "Está chegando a hora de ter um fim, à medida que se façam as investigações completas".
Os próximos dias ou semanas devem esclarecer as dúvidas que ainda embaraçam o perfeito entendimento da cambalhota tática do governo. Não ficou claro se Lula pretende negociar diretamente com todas as lideranças parlamentares ou se ficará no modelo clássico de restringir as articulações aos partidos aliados. Afinal, foram meses de acertos e barganhas, com generosa distribuição de fatias do bolo, de ministérios às posições estratégicas das mais cobiçadas.
Está na hora da maioria mostrar seu valor e garantir a aprovação de materiais fundamentais para o presidente dar a partida no governo do segundo mandato.
E que começará tarde.