sexta-feira, agosto 10, 2007

A saia justa de Daniel Ortega em Lula

Comentamos aqui, na coluna TOQUEDEPRIMA..., que Lula no seu discurso na chegada à Nicarágua, prometeu que se empenharia ao máximo para ajudar no desenvolvimento daquele país centro-americano. E ainda criticamos esta postura de Lula de sempre prometer o paraíso para os vizinhos, descuidando-se do seu próprio quintal.

Em sua coluna Radar, Veja online, nos conta da saia justa que Lula levou de seu anfitrião. Retornamos depois para comentar.

Lula e Ortega: ataque ao etanol
Demorou, mas finalmente Lula e Daniel Ortega (foto) estão neste momento reunidos no palácio presidencial da Nicarágua, em Manágua. Junto a Lula estão Celso Amorim, Miguel Jorge e Marco Aurélio top top top Garcia.

Explica-se o "finalmente": antes da reunião, houve o tradicional momento em que fotógrafos e cinegrafistas registram as imagens dos presidentes. Só que, em vez dos cinco minutos de praxe, a sessão estendeu-se por uma hora. O motivo? Daniel Ortega resolveu falar contra o etanol. Usando os mesmos argumentos de Hugo Chávez, Fidel Castro e das grandes empresas petrolíferas, Ortega disse que biocombustível trará a fome mundial como conseqüência. Lula, de improviso, rebateu os argumentos do presidente nicaragüense.

O "debate" diante da imprensa durou até que Lula preferiu dar um fim naquilo. Ao pé do ouvido de Ortega, Lula disse para que continuassem a reunião de chefes de estado a portas fechadas.

Lula embarcou no seu Air Force-51, aquele que o ministro Saito afirmou que JAMAIS voa com o um reverso travado, bancando o mascate de sua meninas dos olhos: o etanol. Por onde o presidente passa, em seus discursos, dez em cada dez palavras são contar as maravilhas do etanol, a redenção do mundo, segundo o filósofo Lula. Pois bem: Chavez e Fidel Castro tem empreendido um operação conjunta de demonizar o etanol. Até se entende: Chavez, de seu lado, não gostaria de ver sua receita de petróleo perder importância. Afinal, é só com ela que ele consegue se sustentar no poder. E o outro ditador, Fidel Castro, de sua parte, tem suspeito interesse para que Chavez continue faturando muito com os petrodólares: parte desta receita desembarca na ilha de Cuba para que Castro continue comandando aquele com mão de ferro.

Lula não contava que o seu anfitrião e amigo, companheiro do Fórum de São conforme anunciamos aqui, também tivesse esta mesma posição defendida por Chavez e Castro. Moral da história: pagou um vexame internacional do qual, se seus assessores de Relações Exteriores tivessem tido o cuidado de estudarem melhor o pensamento de Ortega.

E assim, de vexame em vexame, Lula vai cantando marra aqui dentro de que é respeitadíssimo lá fora. De que o Brasil só conseguiu esta “respeitabilidade” por obra e graça de seu governo, etc. Soubesse ele, minimamente que fosse, o quanto é ridicularizado, talvez parasse de viajar tanto e cuidasse um pouco mais do país para o qual foi eleito presidente, e que passados quatro anos e meio, ainda não começou a governar. Nesta república de bananas, a administração virou uma zorra, uma baderna, uma pantomima.