segunda-feira, setembro 03, 2007

Defesa, Justiça ou Coordenação Política ?

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Nelson Jobim foi convidado e aceitou ser Ministro da Defesa, em meio ao turbilhão do apagão aéreo. Chegou atropelando meio mundo, pedindo carta branca para agir. E foi a campo. Depois, andou vestindo imprudentemente um farda militar com estrelas de general, não sendo sequer militar.

Na semana passada, Jobim subiu nas tamancas com as Forças Armadas por contas do tal livro que conta apenas um lado da história dos desaparecidos políticos ao tempo da ditadura militar. Quis impedir que o oficialiato se manifestasse e acabou tendo que engolir uma nota oficial e ficar quieto. Não tem autoridade para se impor aos oficiais das três armas.

Pois bem, ao invés de cuidar daquilo que mais interessa e que tem prioridade número um de sua pasta que é debelar e resolver a crise aérea, Jobim passou a desfilar sob holofotes querendo ser mais do que realmente é.

Aí, sem mais nem porquê, Jobim resolver fazer uma visita de cortesia a Renan Calheiros, dizendo depois que foi apenas uma visita de “cortesia”. Ah, é ? Vejamos: Nelson Jobim foi ministro do supremo, onde Renan pretende recorrer quanto a votação do relatório do Conselho de Ética ser aberto: ele quer votação secreta. Depois, o advogado de Renan Calheiros já foi sócio em escritório de advocacia com Nelson Jobim. E esteve presente à visita de “cortesia”.

Além disso, Jobim ainda se intrometeu a dizer que o processo de Renan precisa ser definido logo.

Percebam: se alguém do Governo deveria ir à Renan para orienta-lo sobre “questões jurídicas” do seu processo, não seria o Ministro da Justiça, Tarso Genro ? Muito embora também fosse inadequado usar-se a estrutura do Estado no Poder Executivo, para salvar a pele de alguém do Parlamento. Mas vá lá. Ou, se a questão é política não haveria de ser o ministro Mares Guia da Coordenação Política, pronto para prestar este tipo de socorro ? Por que Jobim, ex-sócio do advogado de Renan? Sendo Ministro da Defesa e que nenhuma relação tem com o caso, e sendo ainda ex-ministro do STF, deveria ir até Renan pra quê? Você, leitor, acredita em coelhinho da páscoa, não é mesmo?

Seria prudente que Nelson Jobim escolhesse que trabalho afinal pretende realizar no governo Lula. E até onde se sabe, ele foi escolhido e exerce as funções de outro ministério.

Agir feito trator, não sendo alguém da quota do PT, Jobim só arranjará encrenca para si mesmo. Faça apenas aquilo que lhe é da função fazer, e já estará de bom tamanho. Ficar atropelando pessoas e instituições para fazer “marketing pessoal”, convenhamos, já é um pouco demais. Um pouco de decoro não lhe faria nada mal.