***** Sarney: ambíguo e anfíbio
Reinaldo Azevedo
Sabem José Sarney (PMDB), aquele maranhense que criou um estado para poder ser senador? Há muito ele é um dos esteios do lulismo no Congresso, operando em dobradinha com o moralista Renan Calheiros (PMDB-AL). Costuma ter grandes idéias. Uma delas, a tempo combatida, transformava metade do país numa grande zona franca. Opera verdadeiros prodígios. Sua família manda no Maranhão há mais 40 anos. Nesse tempo, a pobreza no estado conseguiu superar em muito a do Piauí, antes um exemplo de baixo desenvolvimento humano. Já escrevi isso aqui, como sabem. Basta procurar no arquivo — inclusive essa história de sua “megazona”. Uma das provas de que não é a seca a principal responsável pela pobreza nordestina é o Maranhão, que está fora do semi-árido. Não falta uma só condição natural positiva para o estado. Então falta o quê? Competência. É a história de sempre: o atraso brasileiro não é obra de um dia nem do acidente. Para fabricá-lo, foi preciso metódica dedicação, o que não falta a nossos valentes. Sarney é político ambíguo e anfíbio, tentando transitar na terra e na água, a depender da necessidade. No caso da CPI TVA-Telefonica, achou que podia se declarar publicamente contra — como fez — e realmente trabalhar a favor, como está fazendo. Não pode. Com esse jogo, sempre sobreviveu politicamente e chegou até nossos dias. De presidente do partido da ditadura, fez-se presidente do movimento que depôs a ditadura; na UDN que pregava o golpe, pretendia ser de sua banda de música letrada e ilustrada; político, reivindica o charme de escritor que chega à academia, embora a sua eleição tenha sido uma decisão política, não literária. Sempre assim: ambíguo e anfíbio. Está trabalhando a favor da CPI porque entende correto que uma instância do estado seja mobilizada contra uma revista que não é do agrado do presidente do Senado.
***** Renan será investigado por nova denúncia
O Corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse nesta segunda que vai investigar as novas denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O PSOL e o DEM também já preparam mais uma investida contra o senador alagoano no Conselho de Ética. Reportagens publicadas pelas revistas "Veja" e "Época" deste fim de semana mostram que Renan teria participado de um esquema de arrecadação de recursos em ministérios comandados pelo PMDB.
***** Tuma diz que incluirá Jucá nas novas denúncias contra Calheiros
O Corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que vai incluir o líder governista, senador Romero Jucá (PMDB-RR), nas novas denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Jucá também teria participado de um suposto esquema de desvio de dinheiro público em ministérios chefiados por peemedebistas.
Reinaldo Azevedo
Sabem José Sarney (PMDB), aquele maranhense que criou um estado para poder ser senador? Há muito ele é um dos esteios do lulismo no Congresso, operando em dobradinha com o moralista Renan Calheiros (PMDB-AL). Costuma ter grandes idéias. Uma delas, a tempo combatida, transformava metade do país numa grande zona franca. Opera verdadeiros prodígios. Sua família manda no Maranhão há mais 40 anos. Nesse tempo, a pobreza no estado conseguiu superar em muito a do Piauí, antes um exemplo de baixo desenvolvimento humano. Já escrevi isso aqui, como sabem. Basta procurar no arquivo — inclusive essa história de sua “megazona”. Uma das provas de que não é a seca a principal responsável pela pobreza nordestina é o Maranhão, que está fora do semi-árido. Não falta uma só condição natural positiva para o estado. Então falta o quê? Competência. É a história de sempre: o atraso brasileiro não é obra de um dia nem do acidente. Para fabricá-lo, foi preciso metódica dedicação, o que não falta a nossos valentes. Sarney é político ambíguo e anfíbio, tentando transitar na terra e na água, a depender da necessidade. No caso da CPI TVA-Telefonica, achou que podia se declarar publicamente contra — como fez — e realmente trabalhar a favor, como está fazendo. Não pode. Com esse jogo, sempre sobreviveu politicamente e chegou até nossos dias. De presidente do partido da ditadura, fez-se presidente do movimento que depôs a ditadura; na UDN que pregava o golpe, pretendia ser de sua banda de música letrada e ilustrada; político, reivindica o charme de escritor que chega à academia, embora a sua eleição tenha sido uma decisão política, não literária. Sempre assim: ambíguo e anfíbio. Está trabalhando a favor da CPI porque entende correto que uma instância do estado seja mobilizada contra uma revista que não é do agrado do presidente do Senado.
***** Renan será investigado por nova denúncia
O Corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), disse nesta segunda que vai investigar as novas denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O PSOL e o DEM também já preparam mais uma investida contra o senador alagoano no Conselho de Ética. Reportagens publicadas pelas revistas "Veja" e "Época" deste fim de semana mostram que Renan teria participado de um esquema de arrecadação de recursos em ministérios comandados pelo PMDB.
***** Tuma diz que incluirá Jucá nas novas denúncias contra Calheiros
O Corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que vai incluir o líder governista, senador Romero Jucá (PMDB-RR), nas novas denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Jucá também teria participado de um suposto esquema de desvio de dinheiro público em ministérios chefiados por peemedebistas.
Tuma prometeu que, se ficar comprovada a acusação, Jucá não será poupado. "Cada um responde pela sua responsabilidade. Se tiver mais alguém, tem que dançar. A valsa não toca só para um. Quem é acusado, tem responsabilidade idêntica. Você não isola um porque o outro aparece", prometeu o Corregedor.
Ele espera ter acesso nesta terça-feira ao documento que o advogado Bruno de Miranda Lins prestou à Polícia Civil em setembro de 2006. O advogado acusa o seu ex-sogro, o lobista Luiz Garcia Coelho, de operar para diversos políticos do PMDB, entre os quais Renan, com recursos desviados de ministérios.A Polícia Federal está investigando o esquema de lavagem que envolveria Renan. Segundo reportagens das revistas "Época" e "Veja", o peemedebista teria recebido sacolas de dinheiro desviado na operação com o lobista. Lins também acusou Jucá e o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) de envolvimento nas irregularidades.
***** Itália: imprensa comenta Dirceu com Slim
Repercutiu na imprensa italiana a declaração do ex-ministro José Dirceu ontem à noite, no programa Canal Livre, da Band, de que não afirmava nem desmentia ser consultor do bilionário mexicano Carlos Slim na Telmex e na operadora Claro. A agência Ansa destaca a resposta do "ex-braço direito do presidente Lula" sobre a "cláusula de confidencialidade" de seu "trabalho como consultor". Denunciado no Supremo por formação de quadrilha e corrupção ativa no escândalo do mensalão, o ex-ministro foi alvo de brincadeira após ficar "no muro": "Está claro, muito claro", contra-atacou ironicamente um dos entrevistadores do "Canal Livre".
***** OAB-DF reage a mandado de busca da PF
A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal obteve liminar, neste segunda-feira, para impedir a Polícia Federal de cumprir mandados de busca e apreensão no edifício-sede do órgão. A operação tinha como objetivo recolher mais de treze mil provas e computadores que continham os exames da Ordem realizados entre 2004 e 2006. Desde o começo do ano, a Polícia Federal, o Ministério Público e a própria OAB investigam suposta fraude nas provas do Exame da Ordem. A presidente da OAB-DF, Stefânia Viveiros, classificou a operação como produto de "um pedido abusivo, ilegal e de má-fé". Dirigentes da OAB-DF acreditam que a motivação tenha sido política. Stefânia argumentou que todos documentos alvos dos mandados de busca e apreensão já haviam sido encaminhados para o Ministério Público. A presidente alegou também que a própria OAB-DF iniciou a investigação e encaminhou o processo à PF. Neste momento, a presidente, o conselho e os diretores da OAB estão reunidos para definir quais medidas serão tomadas. O órgão deve publicar uma nota oficial.
***** Oposição reage a declaração de Lula
De Isabel Braga e Demétrio Weber em O Globo
"O pedido de apoio para os réus do mensalão e a afirmação de que ninguém tem mais autoridade moral e ética que os petistas, feitos pelo presidente Lula no 3 Congresso do PT, provocaram reações iradas da oposição, para quem esse tipo de comentário, na semana em que o STF abriu processo contra os 40 nomes do mensalão, soa como estímulo à impunidade.
— Foi um discurso cínico, que remete a algum tipo de preocupação do presidente de que alguém possa falar mais do que já se sabe e comprometê-lo de forma definitiva — disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
— O presidente Lula assumiu o terrível papel de arauto da impunidade. Está afirmando que o padrão ético é esse exibido pelo PT. O Brasil todo aplaudiu a decisão do STF que sinalizou para o fim da impunidade e o presidente diz que o PT é modelo de ética? — disse o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM.
Já o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse que a primeira resposta a se dar ao que chamou de retórica fluente de Lula é a de que contra fatos não há argumentos.
*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Vale a observação feita por Chico Alencar, Psol-RJ, sobre a afirmação de Lula de que o PT é o partido mais ético:
"Ele, que já não enxergava nada acontecendo ao seu redor, agora cria a "ilusão de ética".
***** Morales quer mais 'plata' da Petrobras
A Petrobras, a hispano-argentina Repsol YPF e a francesa Total entraram com recurso no Tribunal Constitucional da Bolívia para que o governo do companheiro Evo Morales devolva parte dos US$ 200 milhões que pagaram na assinatura do decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos, diz o jornal boliviano La Razón. As empresas consideram a cobrança ilegal - o decreto as obrigava a pagar imposto adcional de US$32 milhões por seis meses e não um ano, à estatal boliviana YPFB, correspondente ao valor que produziram em campos que abastecem especialmente o mercado brasileiro (San Alberto e San Antonio). Como o Tribunal Constitucional da Bolívia está de pernas para o ar com a decisão de Evo Morales de prender quatro dos cincos juízes por corrupção, o recurso da Petrobras ainda não tem data para ser julgado