Karla Correia e Juliana Rocha, Jornal do Brasil
O plano era afinar o discurso, mas a primeira reunião ministerial do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva acabou em clima de torre de Babel. Lula convocou a equipe para, olhos postos na eleição municipal de 2008, unificar a fala dos ministros em torno das duas grandes bandeiras de seu governo - a invulnerabilidade da economia brasileira e os avanços na área social. O pretendido anúncio do acréscimo de R$ 4,7 bilhões no orçamento da chamada agenda social acabou se deparando com bater de cabeças entre os ministros de Lula. No meio do caminho, estava a disputa entre as pastas por mais recursos do Orçamento da União, que será encaminhado hoje ao Congresso.
O desentendimento interno ao governo ficou evidenciado pela disparidade entre o que foi noticiado pelo Palácio do Planalto e o pronunciamento dos ministros, ao fim da reunião realizada na Granja do Torto. Pouco antes do almoço entre os ministros, o Planalto chegou a anunciar oficialmente os números para a área social. O governo aumentaria de R$ 11,8 bilhões para R$ 16,5 bilhões a proposta orçamentária para ações do setor. Nesse montante, estariam incluídas a correção dos valores de benefícios pagos pelo Bolsa-Família pela inflação acumulada desde o lançamento do programa, em 2003. Os valores pagos aos beneficiários subiriam de R$ 15 a R$ 95 para entre R$ 18 e R$ 102.
Também foi divulgada a elevação de 15 para 17 anos a idade limite dos jovens agraciados com os chamados benefícios variáveis do Bolsa Família. A medida alcançaria cerca de 1,7 milhões de adolescentes com benefícios mensais de R$ 30 e significaria acréscimo de R$ 52,5 milhões na folha de pagamento do programa.
- Estou convencido que as realizações sociais e econômicas e o projeto de país só terão comparação com o governo do presidente Getúlio Vargas - disse o presidente Lula na reunião, segundo relato do ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins.
Lula determinou que se faça um estudo comparando a evolução dos gastos na área social em seu primeiro e segundo mandatos. Esse estudo seria o "livro de cabeceira" de ministros e parlamentares aliados até 2010, disse o presidente, segundo informação oficial da assessoria de imprensa do palácio.
Na coletiva concedida ao final da reunião, veio o recuo. Os quatro ministros reunidos para o relato à imprensa - Franklin Martins, Dilma Rousseff (Casa Civil), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Guido Mantega (Fazenda) esquivaram-se de confirmar qualquer valor para o orçamento da área social de 2008. Os números, segundo Dilma Rousseff, seriam uma "aproximação grosseira" do real valor para a agenda social do governo.
- Esses dados não são efetivos - disse a ministra. - Isso tem que caber no Orçamento e esses programas estão sendo acordados. É claro que sempre uma parcela pode ser por meio de emendas - reforçou Mantega, lembrando a possibilidade de novos acréscimos à área social por meio de programa de atendimento a comunidades indígenas e quilombolas que será lançado no início de setembro, e com o prometido PAC da juventude. Evitou, contudo, confirmar qualquer valor para a área.
Igualmente hesitante com os números, Patrus limitou-se a definir o conteúdo dessa agenda social que será dividida em quatro eixos. Em primeiro lugar, o Bolsa Família, com o reajuste de valores e a ampliação de seu alcance para o público jovem. Políticas para a juventude, articulação entre a área de cultura e demais ações da área social e um projeto de universalização da documentação civil básica com prioridade para mulheres, negros e populações indígenas completam a listas de medidas que engrossarão o investimento social do governo em 2008.
O plano era afinar o discurso, mas a primeira reunião ministerial do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva acabou em clima de torre de Babel. Lula convocou a equipe para, olhos postos na eleição municipal de 2008, unificar a fala dos ministros em torno das duas grandes bandeiras de seu governo - a invulnerabilidade da economia brasileira e os avanços na área social. O pretendido anúncio do acréscimo de R$ 4,7 bilhões no orçamento da chamada agenda social acabou se deparando com bater de cabeças entre os ministros de Lula. No meio do caminho, estava a disputa entre as pastas por mais recursos do Orçamento da União, que será encaminhado hoje ao Congresso.
O desentendimento interno ao governo ficou evidenciado pela disparidade entre o que foi noticiado pelo Palácio do Planalto e o pronunciamento dos ministros, ao fim da reunião realizada na Granja do Torto. Pouco antes do almoço entre os ministros, o Planalto chegou a anunciar oficialmente os números para a área social. O governo aumentaria de R$ 11,8 bilhões para R$ 16,5 bilhões a proposta orçamentária para ações do setor. Nesse montante, estariam incluídas a correção dos valores de benefícios pagos pelo Bolsa-Família pela inflação acumulada desde o lançamento do programa, em 2003. Os valores pagos aos beneficiários subiriam de R$ 15 a R$ 95 para entre R$ 18 e R$ 102.
Também foi divulgada a elevação de 15 para 17 anos a idade limite dos jovens agraciados com os chamados benefícios variáveis do Bolsa Família. A medida alcançaria cerca de 1,7 milhões de adolescentes com benefícios mensais de R$ 30 e significaria acréscimo de R$ 52,5 milhões na folha de pagamento do programa.
- Estou convencido que as realizações sociais e econômicas e o projeto de país só terão comparação com o governo do presidente Getúlio Vargas - disse o presidente Lula na reunião, segundo relato do ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins.
Lula determinou que se faça um estudo comparando a evolução dos gastos na área social em seu primeiro e segundo mandatos. Esse estudo seria o "livro de cabeceira" de ministros e parlamentares aliados até 2010, disse o presidente, segundo informação oficial da assessoria de imprensa do palácio.
Na coletiva concedida ao final da reunião, veio o recuo. Os quatro ministros reunidos para o relato à imprensa - Franklin Martins, Dilma Rousseff (Casa Civil), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Guido Mantega (Fazenda) esquivaram-se de confirmar qualquer valor para o orçamento da área social de 2008. Os números, segundo Dilma Rousseff, seriam uma "aproximação grosseira" do real valor para a agenda social do governo.
- Esses dados não são efetivos - disse a ministra. - Isso tem que caber no Orçamento e esses programas estão sendo acordados. É claro que sempre uma parcela pode ser por meio de emendas - reforçou Mantega, lembrando a possibilidade de novos acréscimos à área social por meio de programa de atendimento a comunidades indígenas e quilombolas que será lançado no início de setembro, e com o prometido PAC da juventude. Evitou, contudo, confirmar qualquer valor para a área.
Igualmente hesitante com os números, Patrus limitou-se a definir o conteúdo dessa agenda social que será dividida em quatro eixos. Em primeiro lugar, o Bolsa Família, com o reajuste de valores e a ampliação de seu alcance para o público jovem. Políticas para a juventude, articulação entre a área de cultura e demais ações da área social e um projeto de universalização da documentação civil básica com prioridade para mulheres, negros e populações indígenas completam a listas de medidas que engrossarão o investimento social do governo em 2008.