segunda-feira, setembro 03, 2007

O que falta na saúde, sobra no desperdício

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O ministro da Saúde tem feito uma verdadeira via crucis pela área econômica do Governo Lula para conseguir uma “esmola” no sentido de minorar o grave colapso – outro apagão – da saúde pública.

Depois de vai-e-vem, de libera-não libera, hoje o ministro Mantega parece ter-se se dado da gravidade da situação. Só não precisava esperar que morressem tantos por conta do não atendimento dos hospitais públicos.

Sempre que qualquer serviço público no país entra em colapso por conta do famigerado contingenciamento de recursos, o governo apela para a falta de recursos, apesar dos sucessivos excedentes de arrecadação.

Como o diabo sempre mora no detalhe, dentre tanta porcaria que se gasta na administração federal, segue a relação de mais algumas. Reparem nas prioridades, percebam o “quão” indispensáveis foram por exemplo as últimas compras feitas não apenas pelo Senado Federal, mas, principalmente, pela Presidência da República, e se indignem à vontade pelo “inteligente” uso que fazem do dinheiro que nos arrancam o ano inteiro na forma de impostos, tarifas, taxas e contribuições, verdadeira extorsão criminosa quando comparado com os serviços que “deveriam” retornar à sociedade.

A reportagem a seguir é do Leandro Kleber do site Contas Abertas.

Carrinho de Compras: DNIT reserva R$ 5 milhões à Construtora Mendes Júnior e Senado, R$ 1,5 mil para aluguel de um carro para Calheiros

Se por um lado a crise envolvendo o nome do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de usar um lobista da construtora Mendes Júnior para pagar pensões alimentícias ao seu filho com a jornalista Mônica Veloso, atingiu em cheio a imagem do presidente do Senado, por outro, parece pouco ter afetado a empresa tida como suposta intermediária no caso. Ao menos no que diz respeito aos contratos firmados com o governo federal. Esta semana, o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) reservou em orçamento R$ 5 milhões à firma para a realização de obras em rodovias em Minas Gerais.

O senador Calheiros, por sua vez, envolvido em histórias difíceis de se explicar, aparece como favorecido em uma nota de empenho da Casa. O Senado comprometeu R$ 1,5 mil, sem licitação, para a locação de um veículo de uso exclusivo do senador. A pergunta é: o parlamentar já não dispõe de um serviço especializado de carros e motoristas bancados pelo Senado? O órgão reservou também R$ 1,6 mil à mesma empresa, Localiza Rent a Car, para o aluguel de outro carro a ser usado pela Casa. O Senado reservou ainda, como de costume, verba para custear tratamento odontológico de “alguém” não identificado no empenho. O valor: R$ 10,5 mil.

Já na Câmara, os grandes lances da semana estiveram relacionados, mais uma vez, a eletrodomésticos. Dessa vez, o órgão comprometeu R$ 56 mil para a compra de 59 fogões de seis bocas, R$ 106,2 mil para a aquisição de 59 geladeiras, R$ 68,1 para 62 lavadoras de roupas e R$ 16,7 mil para a aquisição de 54 unidades de depuradores de ar para fogão. Resumindo, todos os utilitários domésticos saíram por mais de R$ 230 mil.

Outro órgão que, para variar, comprometeu em orçamento dinheiro para a aquisição de objetos de cozinha foi a Presidência da República (PR). Prepare a lista que o jantar vai ser bem servido. São 390 garfos, 390 facas e 630 colheres. Tudo por R$ 1,2 mil. Na sobremesa, claro, não pode faltar o velho e o bom cafezinho às autoridades. Quase R$ 1 mil foram reservados para a compra de 12 garrafas térmicas. A PR ainda empenhou mais de R$ 120 mil para custear a impressão de cerca de 500 mil adesivos. A nota não informa o que está escrito no material.

Para finalizar, o Tribunal de Contas da União (TCU) também participa da lista curiosa de gastos. O órgão reservou incríveis R$ 25,7 mil para comprar somente dois fornos elétricos. A especificação contida no documento é a seguinte: “forno combinado eletrônico elétrico acompanhado de base de apoio. Funcionamento elétrico, para 06 Gn s 1/1x 65mm. Funções de assar com ar seco, assar com gratinar/corar, regenerar, descongelar e auto-lavar/enxaguar. Construído em aço inox”. Além desses detalhes um tanto quanto obscuros, o preço de cada um deles, que passou por licitação, também é de difícil compreensão. O que é claro mesmo é que a grande ganhadora da licitação foi a empresa Bauer e Moreira.