quarta-feira, setembro 12, 2007

PF vai chamar Renan para depor

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

Qualquer que seja o resultado da votação de hoje no plenário do Senado, a situação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), continuará juridicamente complicada. A Polícia Federal está checando as informações prestadas pelo advogado Bruno Miranda Lins e deverá agendar para os próximos dias uma série de depoimentos de pessoas que teriam se beneficiado pelo esquema operado pelo empresário e lobista Luiz Carlos Garcia Coelho, entre as quais, o próprio Renan Calheiros, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT).

Nos dois depoimentos que prestou ao delegado Praxíteles Praxedes, Lins não apresentou provas contra Renan, mas afirmou que o senador estava entre as figuras que teriam agido para beneficiar o Banco BMG nas operações de crédito consignado em folha a aposentados do INSS durante a gestão de Bezerra no órgão. Chegou a detalhar um arranjo político no Ministério da Previdência, onde o senador Amir Lando (PMDB-RO) teria sido substituído por Romero Jucá para facilitar a mudança de critérios que permitiria as operações.

O advogado ficou de complementar as informações prestadas em depoimento, mas a polícia vai checar todas elas para fortalecer as investigações em torno de Luiz Carlos Garcia Coelho que, segundo Bruno, chamava o presidente do Congresso de chefe e operava para vários outros partidos e parlamentares em supostas negociatas com os ministérios da Previdência e Saúde. A polícia e o Ministério Público suspeitam que Coelho seja peça-chave para esclarecer o envolvimento de políticos com irregularidades, mas ele será o último a ser chamado a prestar depoimento.

As investigações estão concentradas no esclarecimento de suspeitas em torno das operações de crédito do BMG - respaldadas num inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal - e em supostas irregularidades reveladas por Bruno na Fundação Nacional da Saúde (Funasa) na gestão do ex-presidente do órgão, Paulo Lustosa.

O inquérito do STF sobre fraudes nas operações do BMG não tinha Renan Calheiros como alvo. Seu nome surgiu com o depoimento de Bruno Lins, que apontou Coelho, seu ex-sogro, como figura íntima do senador em negócios envolvendo órgãos públicos. Citou negócios que não chegaram a se realizar, como o empreendimento de um resort na Bahia, e muitas conversas e encontros que diz ter visto e ouvido durante os dez anos em que conviveu com a família do ex-sogro. Bruno admitiu que, a pedido de Coelho, fez a entrega de uma propina de R$ 150 mil ao deputado Carlos Bezerra. A polícia aguarda os documentos que Bruno ficou de entregar - textos de e-mails, gravações e extratos - para conferir o teor das declarações e depois chamar os políticos.