quarta-feira, setembro 12, 2007

Renan permanece, mas o Senado morreu

Quarenta a favor da absolvição, trinta e contra votos contra, e seis abstenções. Este é o resultado da votação do Senado, que pode manter Renan na presidência do Senado e de posse de seu mandato, mas que enterra a credibilidade do Senado como instituição representativa da sociedade, que enterra sua autoridade política diante dos demais poderes, jogando no lixo qualquer respeito que por ela se pudesse ter.

Mercadante e Ideli Salvati atuaram incansáveis para construir a imagem negativa que agora se estampa e toda a suspeita que doravante vai moldar a figura patética de um Senado posto de joelhos. Renan, e isto nos próximos dias iremos constatar, não tem nem moral nem tampouco respeito político para continuar presidindo os trabalhos.

Não será fácil para o Senado recuperar-se perante a opinião pública. Cada senador irá pagar o preço político da ação destruidora de que participou na tarde de hoje. Os senadores que votaram pela absolvição e os que se abstiveram prestaram um ato de suicídio da instituição. Agora, o chavão de que todo o político é um canalha vai ficar indissoluvelmente cravado na testa de cada senador e deputado. Agiram contra o país, contra seu futuro mais ético, mais limpo, mais honrado. É doloroso ver a que ponto de mediocridade é capaz de agir um senador para salvar a pele desonesta e indecorosa de um de seus pares. Ao agirem da forma como agora se vê, desceram ao último degrau da dignidade, e doravante serão apêndices irrelevantes do poder executivo, que este sim, se fortalece diante da degradação primeiro do Congresso como se viu na legislatura passada, e agora do Senado que sangrou e se esvaiu.

Que os eleitores não se esqueçam de figuras como Mercadante, Ideli Salvati, Tião Viana, Almeida Lima, Wellington Salgado. Dentre todos os indignos que sustentaram um Senado sem vergonha e com a dignidade e credibilidade jogadas na lama, eles foram os maestros condutores do processo. Que a sociedade saiba mostrar a eles todos com quantos votos se constrói políticos decentes, negando-lhes a renovação dos respectivos mandatos, sobre os quais jogaram tanto desrespeito.

Renan disse, ao término da palhaçada comandada por ele e pelos indignos e sem moral parlamentares que com ele construíram a vergonha do dia de hoje, que “ia para casa rezar”. É bom mesmo que reze muito (vai precisar para continuar presidindo o Senado) e aproveite para revirar na lata lixo e ver se consegue encontrar a vergonha e a honra que ele perdeu desde que estourou o primeiro escândalo contra si.