Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
Renan Calheiros tenta se vingar antecipadamente
O processo de cassação de Renan Calheiros completa 3 meses, não saiu das manchetes e das Primeiras. Outros assuntos importantíssimos apareceram e desapareceram, a questão que envolveu politicamente o presidente do Senado continuou ardendo e queimando o presente e o futuro do senador de Alagoas, insuflando e aumentando a pergunta sem resposta: "Com o presente de força e o futuro que desenhava mais Poder, como conseguiu esconder todo o passado desvendado agora?".
Ontem, quase como um ponto final nesse drama-tragédia-desastre-lamento-hipocrisia, eu escrevia: "O caso Renan não termina na quarta. (Hoje). ABSOLVIDO, responderá a outros processos. CONDENADO, terá desaparecido do mapa". Mesmo que o presidente Lula resolva indicá-lo para embaixador na Bessarábia, o que o levaria a novo julgamento pelo mesmo Senado.
Ontem, demonstrando todo o desespero e tentando influenciar alguns ingênuos no Senado e fora dele, Renan Calheiros atirou para todos os lados (atingindo o próprio coração), declarando: "Sou vítima do excesso de democracia". O que é ou seria EXCESSO de democracia?
Em 1862, em plena guerra civil, pressionado pela ameaça de SEPARATISMO, o estadista Lincoln suspendeu o habeas-corpus, uma das mais legítimas conquistas do cidadão. A Corte Suprema vetou o ato do presidente da República, decidiu que ele não tinha Poderes para suspender o habeas-corpus. Isso é democracia, sem sombra de EXCESSO.
Conservador, designado pela OAB Nacional para defender o comunista Luiz Carlos Prestes, o grande Sobral Pinto cumpriu a missão, mas teve que recorrer à Sociedade Protetora dos Animais, tais as restrições que sofria. Mais tarde, perguntaram se existia "Democracia à brasileira", respondeu simplesmente: "Existe peru à brasileira. Democracia não precisa de identificação". Portanto, EXCESSO só nas ditaduras, as declaradas, de 1937/1945 e de 1964/1985. As outras também eram ditaduras, só que escondidas.
Em 1939, já no segundo mandato e antes da Guerra Mundial, perguntaram ao estadista Roosevelt "o que era democracia". Respondeu: "Democracia é um regime no qual o Legislativo LEGISLA, o Executivo EXECUTA e o Judiciário diz se aquilo que o que o Legislativo LEGISLOU e o Executivo EXECUTOU é CONSTITUCIONAL ou não". E todos podem gostar ou não gostar. Nenhum EXCESSO.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, perguntaram a Churchill qual era o melhor regime político. Grande frasista, respondeu: "O pior dos regimes é a Democracia, excetuados naturalmente todos os outros". Gozador e irônico, mas sem nenhum EXCESSO.
Agora, quase asfixiado pela corda que ele mesmo enrolou no pescoço, Renan ainda tem forças para repetir o que tantos já disseram antes, culpar o EXCESSO de democracia. Na verdade, o presidente do Senado (A-I-N-D-A?) foi beneficiado pelo EXCESSO de complacência, de corporativismo, de constrangimento, de concordância explícita ou implícita, de companheirismo, de convivência, de coalizão, de coordenação dele mesmo ou de apaniguados.
Continuo na mesma análise: tudo pode acontecer em matéria de resultado, por causa do VOTO SECRETO. Ontem, faziam cálculos de comparecimento, que seria apenas de 75 ou 76. Favoreceria Renan, pois os que lutarão pela ABSOLVIÇÃO circunstancial comparecerão ou compareceriam.
PS - Haja o que houver, terminam os três meses de SOLIDÃO RUMOROSA de Renan. Entrará definitivamente na fase da SOLIDÃO SOLITÁRIA. E numa simples residência, longe do "casão" oficial.
Pedro Simon e tendências
Se houver eleição para presidente do Senado, receberia apoio geral, mas não seria eleito, é correto demais.
No caso de Renan Calheiros ser obrigado a deixar a presidência do Senado, duas tendências. 1 - O PMDB, partido líder da base partidária, exige que o novo presidente pertença ao partido. 2 - Só que a oposição também exige, para referendar essa eleição, que o senador do PMDB não seja "assíduo ou íntimo do governo". Apesar de ter sido derrotado pelo PMDB de Renan, o PFL, perdão, DEM, reivindica a presidência. (Vaga?)
O nome "representando" o DEM, lógico, Marco Maciel, que quer tudo. No caso de haver mesmo eleição, o candidato do Planalto-Alvorada seria Tião Viana, mas sabe que ele é marcado para morrer.
Nenhuma surpresa que o nome do PMDB seja novamente José Sarney, que seria aceito pelo PSDB-DEM. Personagens ilustres como Pedro Simon não têm a menor possibilidade, lógico.
Renan Calheiros tenta se vingar antecipadamente
O processo de cassação de Renan Calheiros completa 3 meses, não saiu das manchetes e das Primeiras. Outros assuntos importantíssimos apareceram e desapareceram, a questão que envolveu politicamente o presidente do Senado continuou ardendo e queimando o presente e o futuro do senador de Alagoas, insuflando e aumentando a pergunta sem resposta: "Com o presente de força e o futuro que desenhava mais Poder, como conseguiu esconder todo o passado desvendado agora?".
Ontem, quase como um ponto final nesse drama-tragédia-desastre-lamento-hipocrisia, eu escrevia: "O caso Renan não termina na quarta. (Hoje). ABSOLVIDO, responderá a outros processos. CONDENADO, terá desaparecido do mapa". Mesmo que o presidente Lula resolva indicá-lo para embaixador na Bessarábia, o que o levaria a novo julgamento pelo mesmo Senado.
Ontem, demonstrando todo o desespero e tentando influenciar alguns ingênuos no Senado e fora dele, Renan Calheiros atirou para todos os lados (atingindo o próprio coração), declarando: "Sou vítima do excesso de democracia". O que é ou seria EXCESSO de democracia?
Em 1862, em plena guerra civil, pressionado pela ameaça de SEPARATISMO, o estadista Lincoln suspendeu o habeas-corpus, uma das mais legítimas conquistas do cidadão. A Corte Suprema vetou o ato do presidente da República, decidiu que ele não tinha Poderes para suspender o habeas-corpus. Isso é democracia, sem sombra de EXCESSO.
Conservador, designado pela OAB Nacional para defender o comunista Luiz Carlos Prestes, o grande Sobral Pinto cumpriu a missão, mas teve que recorrer à Sociedade Protetora dos Animais, tais as restrições que sofria. Mais tarde, perguntaram se existia "Democracia à brasileira", respondeu simplesmente: "Existe peru à brasileira. Democracia não precisa de identificação". Portanto, EXCESSO só nas ditaduras, as declaradas, de 1937/1945 e de 1964/1985. As outras também eram ditaduras, só que escondidas.
Em 1939, já no segundo mandato e antes da Guerra Mundial, perguntaram ao estadista Roosevelt "o que era democracia". Respondeu: "Democracia é um regime no qual o Legislativo LEGISLA, o Executivo EXECUTA e o Judiciário diz se aquilo que o que o Legislativo LEGISLOU e o Executivo EXECUTOU é CONSTITUCIONAL ou não". E todos podem gostar ou não gostar. Nenhum EXCESSO.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, perguntaram a Churchill qual era o melhor regime político. Grande frasista, respondeu: "O pior dos regimes é a Democracia, excetuados naturalmente todos os outros". Gozador e irônico, mas sem nenhum EXCESSO.
Agora, quase asfixiado pela corda que ele mesmo enrolou no pescoço, Renan ainda tem forças para repetir o que tantos já disseram antes, culpar o EXCESSO de democracia. Na verdade, o presidente do Senado (A-I-N-D-A?) foi beneficiado pelo EXCESSO de complacência, de corporativismo, de constrangimento, de concordância explícita ou implícita, de companheirismo, de convivência, de coalizão, de coordenação dele mesmo ou de apaniguados.
Continuo na mesma análise: tudo pode acontecer em matéria de resultado, por causa do VOTO SECRETO. Ontem, faziam cálculos de comparecimento, que seria apenas de 75 ou 76. Favoreceria Renan, pois os que lutarão pela ABSOLVIÇÃO circunstancial comparecerão ou compareceriam.
PS - Haja o que houver, terminam os três meses de SOLIDÃO RUMOROSA de Renan. Entrará definitivamente na fase da SOLIDÃO SOLITÁRIA. E numa simples residência, longe do "casão" oficial.
Pedro Simon e tendências
Se houver eleição para presidente do Senado, receberia apoio geral, mas não seria eleito, é correto demais.
No caso de Renan Calheiros ser obrigado a deixar a presidência do Senado, duas tendências. 1 - O PMDB, partido líder da base partidária, exige que o novo presidente pertença ao partido. 2 - Só que a oposição também exige, para referendar essa eleição, que o senador do PMDB não seja "assíduo ou íntimo do governo". Apesar de ter sido derrotado pelo PMDB de Renan, o PFL, perdão, DEM, reivindica a presidência. (Vaga?)
O nome "representando" o DEM, lógico, Marco Maciel, que quer tudo. No caso de haver mesmo eleição, o candidato do Planalto-Alvorada seria Tião Viana, mas sabe que ele é marcado para morrer.
Nenhuma surpresa que o nome do PMDB seja novamente José Sarney, que seria aceito pelo PSDB-DEM. Personagens ilustres como Pedro Simon não têm a menor possibilidade, lógico.