Pedo do Coutto, Tribuna da Imprensa
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Na entrevista à "Veja" que está nas bancas, o advogado Bruno Brito Lins acusou frontalmente o ex-sogro Luís Garcia Coelho, o senador Renan Calheiros, o deputado Carlos Bezerra, ex-presidente do INSS, o diretor do Banco de Minas Gerais Marcos Vinicius Vieira e também o senador Romero Jucá, ex-ministro da Previdência Social, de corrupção.
Apontou um envolvimento de Renan com Garcia Coelho em torno de negócios ilícitos e informou ter sacado 3 milhões de reais em dinheiro no BMG, além de ter viajado a Belo Horizonte para entregar uma valise com 150 mil reais a Carlos Bezerra. Episódio humilhante para todos os personagens. O dinheiro entregue a Bezerra, segundo Bruno Lins, foi para compensar medida administrativa que adotou a respeito do crédito consignado em folha, de interesse do BMG.
Aliás esta questão do crédito consignado a aposentados e pensionistas deve ser objeto de revisão por parte do governo. Os bancos cobram juros de 2,3 por cento ao mês para uma inflação que, segundo o IBGE, é de 3,7 por cento ao ano.
O INSS possui 25 milhões de aposentados e pensionistas. Setenta e cinco por cento ganham o salário mínimo. A média salarial, como publicou o ministro Luiz Marinho, é de 545 reais. Como os inativos vão poder pagar os créditos que lhes são oferecidos? Uma cilada. Mas este é outro problema.
Na entrevista à "Veja" que está nas bancas, o advogado Bruno Brito Lins acusou frontalmente o ex-sogro Luís Garcia Coelho, o senador Renan Calheiros, o deputado Carlos Bezerra, ex-presidente do INSS, o diretor do Banco de Minas Gerais Marcos Vinicius Vieira e também o senador Romero Jucá, ex-ministro da Previdência Social, de corrupção.
Apontou um envolvimento de Renan com Garcia Coelho em torno de negócios ilícitos e informou ter sacado 3 milhões de reais em dinheiro no BMG, além de ter viajado a Belo Horizonte para entregar uma valise com 150 mil reais a Carlos Bezerra. Episódio humilhante para todos os personagens. O dinheiro entregue a Bezerra, segundo Bruno Lins, foi para compensar medida administrativa que adotou a respeito do crédito consignado em folha, de interesse do BMG.
Aliás esta questão do crédito consignado a aposentados e pensionistas deve ser objeto de revisão por parte do governo. Os bancos cobram juros de 2,3 por cento ao mês para uma inflação que, segundo o IBGE, é de 3,7 por cento ao ano.
O INSS possui 25 milhões de aposentados e pensionistas. Setenta e cinco por cento ganham o salário mínimo. A média salarial, como publicou o ministro Luiz Marinho, é de 545 reais. Como os inativos vão poder pagar os créditos que lhes são oferecidos? Uma cilada. Mas este é outro problema.
Bruno Lins acusou pessoas importantes de corrupção e favorecimento ilícito. Até o momento em que escrevo este artigo nenhum das acusados o processou criminalmente. Sequer exigiram as provas. Por que o silêncio? Não acionando o acusador, consentem tacitamente.
O recurso à Justiça era - e é - importante, sobretudo no momento em que, hoje, o Senado decide o destino de Renan Calheiros. Carlos Bezerra, por exemplo, não pode se calar. Foi acusado de receber dinheiro numa valise. Ninguém entrega recursos financeiros a outro por nada. Quem cala consente, diz o velho ditado. Como ficam Renan, Jucá, o diretor do Banco de Minas Gerais e o próprio estabelecimento de crédito? Afinal, o BMG entregou 3 milhões de reais a Bruno Lins por quê? Liberar dinheiro por nada não faz sentido.
A demora em processar ou exigir provas do autor da acusação é inaceitável. Inclusive expõe ainda mais o senador por Alagoas no instante em que está sendo julgado. Bruno Lins, o ex-genro, é um ficcionista? Se for este o caso, facílimo para Carlos Bezerra e Marcos Vinicius Vieira desmascará-lo.
Agora, se não o fizerem, da mesma forma que Luís Garcia Coelho, a omissão torna-se dramática e equivale a um reconhecimento de culpa no cartório por um conjunto de ações vergonhosas. A ausência de uma reação legal é um desastre direto e completo para os acusados e indireto para o presidente do Senado e do Congresso. Afinal, como Renan pode deixar de reagir depois de tantas reações contraditórias? O reflexo da mudez assinala a rota para uma tentativa de fuga.
E nesta fuga, a armadilha do crédito consignado com a conivência do INSS. Uma autêntica jogada publicitária atingindo os pensionistas e aposentados. Pois se o salário mínimo este no foi reajustado na escala de 8 por cento e os demais vencimentos em 3,3 por cento, como podem os inativos arcar com o peso de juros em torno de 30 por cento ao ano? Completamente impossível. O presidente Lula precisa rever este ponto.
Voltando a Renan: sua sorte está sendo lançada hoje depois de três meses de fogo cruzado a partir do momento em que explodiu a bomba do episódio Mônica Veloso. Fez desabar o muro entre a revelação e a decepção coletiva. Seja qual for o resultado da votação secreta de logo mais, uma coisa é certa: o senador por Alagoas sai derrotado. Derrotado por si mesmo.
Pois não é possível que o presidente do Poder Legislativo tenha despesas suas pagas por um lobista, Cláudio Gontijo, que trabalha na Mendes Junior. Dentro dos escritórios da empresa. Como o principal acionista, Murilo Mendes, até o momento nada disse, todos são levados a crer que ele sabia muito bem o que se passava. Caso contrário, teria afastado Gontijo. Afinal, uma grande empresa, que possui contratos de vulto com o poder público, tem que se cercar de cautela no que se refere à atuação de seus funcionários.
Renan Calheiros e Gontijo lançaram uma nuvem de suspeita em torno do que se estava passando. Não esperavam, não se sabe por qual motivo, o depoimento da jornalista, a quem era entregue a pensão mensal para a filha e para ela própria.
A contradição maior é que Renan não comprovou procedência de renda suficiente para tal pagamento. Ao contrário: enveredou por uma teia sinuosa de fatos conflitantes, entre eles notas comerciais inautênticas. Se há um setor onde não existem milagres este é o setor financeiro. Os patrimônios devem ser explicados à luz das receitas legítimas. Estou escrevendo sobre uma utopia da política? É possível.
Mas é porque, no Brasil, não se cobra a procedência dos bens de quase ninguém. Porém como toda regra tem exceção, Calheiros tornou-se alvo de uma delas. Terá reflexo concreto? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas se Renan tiver seu mandato preservado, nem por isso terá sido absolvido no tribunal da opinião pública