Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Este artigo já estava engatilhado há uns dez dias mais ou menos. Esperei para publicá-lo hoje somente, no dia de uma das três votações prováveis sobre a cassação ou não do senador Renan Calheiros, até por imaginar que mais alguém poderia seguir uma mesma linha de raciocínio sobre o episódio todo. Até pode ser que alguém mais tenha pensado na possibilidade que segue abaixo, mas confesso que entre tantos jornalistas, comentaristas políticos e cronistas, sequer li alguma coisa parecida.
A hipótese pode parecer, à primeira vista, coisa do absurdo. Mas em se tratando de cenário político brasileiro, nem sempre idéias ou hipóteses malucas podem ser desprezadas. Já vimos o quanto os políticos brasileiros podem desfilar de atos e idéias absurdas na sua lida parlamentar.
Porém, devo iniciar afirmando: sou favorável a cassação de Renan para que o país pode seguir seu curso normal. Há fortes indícios de quebra do decoro parlamentar, e além disto, o senador alagoano mentiu para os demais senadores, e por conseguinte mentiu para o país inteiro. Somente esta falta com a verdade já justificaria a cassação. Mas Renan foi além: sonegou receita proveniente de empréstimo. Sonegou tanto em sua defesa quanto à Receita Federal, e sob uma desculpa pra lá de fajuta. Outra questão muita estranha é o fato de usar um lobista com relação estreita com contratos mantidos entre a empresa que ele representa e os governos federal e do estado de Alagoas. Que se valesse de um assessor de gabinete, vá lá. Mas por que o lobista Gontijo, da Mendes Junior. Já nem discuto se o dinheiro era do senador ou não. O comportamento é que é estranho.
Quanto a história do gado, bem, aí a perícia da Polícia federal constatou uma série enorme de irregularidades. Portanto, há sim motivos suficientes para embasar a cassação do mandato, ou quando não menos, sua destituição da presidência do Senado. O cargo que o alagoano ocupa não pode conviver com a espada sob a cabeça motivada pela suspeição quanto os propósitos das ações de Renan. Esta novela vem se arrastando desde maio, e desde esta data há muito trabalho no Senado parado aguardando o desfecho do último capítulo.
Desde a primeira reportagem feita pela Revista VEJA vinculando o senador a lobista, semana após semana, temos assistido ao desenrolar de um novelo de denúncias. Isto, senhores, não é obra do acaso. Há alguma motivação por detrás da ação de afastar o senador não talvez do senado, mas da presidência deste senado. É como se alguém estivesse aguardando em algum armário ou gaveta uma espécie de dossiê, e entendeu ter chegado a hora de torna-lo de conhecimento público. Quando o senador alagoano pensa que já acabou, surge nova denúncia. Ora, tanto conhecimento sobre as atividades consideradas suspeitas, só poderiam proceder de uma fonte que priva da intimidade do senador Renan de tal forma e sorte, que conhece em minúcias atos cometidos fora, digamos, da normalidade.
Ora, vocês hão de lembrar no início do segundo mandato de Lula, quando ainda se discutiam as eleições para presidência da Câmara e do Senado. Logo após a eleição de Renan, o senador passou a agir de forma truculenta exigindo e cobrando preço político por sua aliança ao governo. Quando se vai com muita sede ao pote, e Renan foi, sempre provocamos ciumeira e alguma dose de antipatia e animosidade.
Assim, me parece que “alguém” está querendo de fato afastar Renan do caminho por considera-lo ou de pouca confiança, ou do tipo “exigente” demais. E esta ação tem, muito embora não pareça, respaldo do Planalto, com forte aliança dentro do Senado Federal.
Mesmo que Renan consiga sua absolvição pelo plenário na votação de logo mais, a agenda política do país continuará emperrada por conta das próximas votações das denúncias em andamento, como também, não se pode descartar o surgimento de outras lambanças para tornar insustentável a posição do senador como presidente do Senado.
Mas a idéia que tenho vai além de afastar o senador Calheiros. Vai na direção de enfraquecer politicamente o Senado Federal, onde maioria de Lula não é tão folgada quanto na Câmara de Deputados. A pergunta que surge é, a quem interessa um Senado sem força política? Ora, é óbvio, interessa a Lula e ao PT.
Quase ao final de seu primeiro mandato, Lula e PT tentaram vender a idéia de que, fora de uma Constituinte para promover reformas na Constituição, não existe salvação da lavoura. E esta reforma de cunho político interessa a quem tem por meta a manutenção do poder. Iniciado o segundo mandato, se imaginava que Lula logo abriria o debate da Reforma Política, que, pelo que se vê, emperrou de vez. Nesta reforma, assuntos como financiamento público, fim (ou não) da reeleição para cargos executivos, representatividade, são tópicos que mexeram com a vida política do país. Da maneira como se fizer esta reforma, dependerá e muito um terceiro mandato a Lula. Apesar dele dizer e afirmar que não flerta com esta hipótese, ela não pode ser afastada e descartada em definitivo. Até 2010 muita água correrá por debaixo desta ponte, e deste modo, nada do que se disser hoje deve ser tomado como assunto fechado.
Portanto, Renan enfraquecido também enfraquece o Senado e pode abrir caminho, ou elo menos facilitar, os projetos de poder do PT, mais especificamente e de Lula. Para que a sangria não promova mais perda de força do próprio Senado, seria bom que hoje o plenário votasse pelo afastamento do senador Renan. O país não pode ficar empacado em assuntos de tal natureza, dada a necessidades das reformas que são do interesse coletivo e das quais dependem o próprio futuro do país.
E antes que alguém ache absurda a idéia acima de haver, por trás dos panos, um movimento consciente para afastar Renan, e que por isso esteja liberando “informações” da vida parlamentar do senador para criar o tal “clima”, é bom lembrar que, por ocasião do 3° Congresso do PT, há questão de poucos dias atrás, não faltou quem “sugerisse” a extinção do Senado, adotando o sistema o unicameral. E, justamente o Senado, onde Lula não conta com a maioria que gostaria. Assim, Renan estaria sendo “usado” neste processo. E não seria de se estranhar que, tendo o mandato cassado, não venha ser “abençoado” pelo governo com algum cargo de certa relevância na administração federal.
Este artigo já estava engatilhado há uns dez dias mais ou menos. Esperei para publicá-lo hoje somente, no dia de uma das três votações prováveis sobre a cassação ou não do senador Renan Calheiros, até por imaginar que mais alguém poderia seguir uma mesma linha de raciocínio sobre o episódio todo. Até pode ser que alguém mais tenha pensado na possibilidade que segue abaixo, mas confesso que entre tantos jornalistas, comentaristas políticos e cronistas, sequer li alguma coisa parecida.
A hipótese pode parecer, à primeira vista, coisa do absurdo. Mas em se tratando de cenário político brasileiro, nem sempre idéias ou hipóteses malucas podem ser desprezadas. Já vimos o quanto os políticos brasileiros podem desfilar de atos e idéias absurdas na sua lida parlamentar.
Porém, devo iniciar afirmando: sou favorável a cassação de Renan para que o país pode seguir seu curso normal. Há fortes indícios de quebra do decoro parlamentar, e além disto, o senador alagoano mentiu para os demais senadores, e por conseguinte mentiu para o país inteiro. Somente esta falta com a verdade já justificaria a cassação. Mas Renan foi além: sonegou receita proveniente de empréstimo. Sonegou tanto em sua defesa quanto à Receita Federal, e sob uma desculpa pra lá de fajuta. Outra questão muita estranha é o fato de usar um lobista com relação estreita com contratos mantidos entre a empresa que ele representa e os governos federal e do estado de Alagoas. Que se valesse de um assessor de gabinete, vá lá. Mas por que o lobista Gontijo, da Mendes Junior. Já nem discuto se o dinheiro era do senador ou não. O comportamento é que é estranho.
Quanto a história do gado, bem, aí a perícia da Polícia federal constatou uma série enorme de irregularidades. Portanto, há sim motivos suficientes para embasar a cassação do mandato, ou quando não menos, sua destituição da presidência do Senado. O cargo que o alagoano ocupa não pode conviver com a espada sob a cabeça motivada pela suspeição quanto os propósitos das ações de Renan. Esta novela vem se arrastando desde maio, e desde esta data há muito trabalho no Senado parado aguardando o desfecho do último capítulo.
Desde a primeira reportagem feita pela Revista VEJA vinculando o senador a lobista, semana após semana, temos assistido ao desenrolar de um novelo de denúncias. Isto, senhores, não é obra do acaso. Há alguma motivação por detrás da ação de afastar o senador não talvez do senado, mas da presidência deste senado. É como se alguém estivesse aguardando em algum armário ou gaveta uma espécie de dossiê, e entendeu ter chegado a hora de torna-lo de conhecimento público. Quando o senador alagoano pensa que já acabou, surge nova denúncia. Ora, tanto conhecimento sobre as atividades consideradas suspeitas, só poderiam proceder de uma fonte que priva da intimidade do senador Renan de tal forma e sorte, que conhece em minúcias atos cometidos fora, digamos, da normalidade.
Ora, vocês hão de lembrar no início do segundo mandato de Lula, quando ainda se discutiam as eleições para presidência da Câmara e do Senado. Logo após a eleição de Renan, o senador passou a agir de forma truculenta exigindo e cobrando preço político por sua aliança ao governo. Quando se vai com muita sede ao pote, e Renan foi, sempre provocamos ciumeira e alguma dose de antipatia e animosidade.
Assim, me parece que “alguém” está querendo de fato afastar Renan do caminho por considera-lo ou de pouca confiança, ou do tipo “exigente” demais. E esta ação tem, muito embora não pareça, respaldo do Planalto, com forte aliança dentro do Senado Federal.
Mesmo que Renan consiga sua absolvição pelo plenário na votação de logo mais, a agenda política do país continuará emperrada por conta das próximas votações das denúncias em andamento, como também, não se pode descartar o surgimento de outras lambanças para tornar insustentável a posição do senador como presidente do Senado.
Mas a idéia que tenho vai além de afastar o senador Calheiros. Vai na direção de enfraquecer politicamente o Senado Federal, onde maioria de Lula não é tão folgada quanto na Câmara de Deputados. A pergunta que surge é, a quem interessa um Senado sem força política? Ora, é óbvio, interessa a Lula e ao PT.
Quase ao final de seu primeiro mandato, Lula e PT tentaram vender a idéia de que, fora de uma Constituinte para promover reformas na Constituição, não existe salvação da lavoura. E esta reforma de cunho político interessa a quem tem por meta a manutenção do poder. Iniciado o segundo mandato, se imaginava que Lula logo abriria o debate da Reforma Política, que, pelo que se vê, emperrou de vez. Nesta reforma, assuntos como financiamento público, fim (ou não) da reeleição para cargos executivos, representatividade, são tópicos que mexeram com a vida política do país. Da maneira como se fizer esta reforma, dependerá e muito um terceiro mandato a Lula. Apesar dele dizer e afirmar que não flerta com esta hipótese, ela não pode ser afastada e descartada em definitivo. Até 2010 muita água correrá por debaixo desta ponte, e deste modo, nada do que se disser hoje deve ser tomado como assunto fechado.
Portanto, Renan enfraquecido também enfraquece o Senado e pode abrir caminho, ou elo menos facilitar, os projetos de poder do PT, mais especificamente e de Lula. Para que a sangria não promova mais perda de força do próprio Senado, seria bom que hoje o plenário votasse pelo afastamento do senador Renan. O país não pode ficar empacado em assuntos de tal natureza, dada a necessidades das reformas que são do interesse coletivo e das quais dependem o próprio futuro do país.
E antes que alguém ache absurda a idéia acima de haver, por trás dos panos, um movimento consciente para afastar Renan, e que por isso esteja liberando “informações” da vida parlamentar do senador para criar o tal “clima”, é bom lembrar que, por ocasião do 3° Congresso do PT, há questão de poucos dias atrás, não faltou quem “sugerisse” a extinção do Senado, adotando o sistema o unicameral. E, justamente o Senado, onde Lula não conta com a maioria que gostaria. Assim, Renan estaria sendo “usado” neste processo. E não seria de se estranhar que, tendo o mandato cassado, não venha ser “abençoado” pelo governo com algum cargo de certa relevância na administração federal.