quarta-feira, outubro 17, 2007

Maioria quer voto facultativo

por Dora Kramer, no Estado de S. Paulo
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Naquilo que interessa mesmo ao mundo político, a pesquisa CNT/Sensus traz números parcos. Nada, nem a rejeição ao Parlamento nem os pretendentes a candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio da Silva, conseguem reunir um percentual significativo de adesões, acima de 50%.

São três as exceções: a popularidade de Lula - firme nos seus 61,2% -, o apoio à substituição do voto obrigatório pelo facultativo - impressionante em seus 58,9% - e a concordância com a decisão do Supremo Tribunal Federal de impor, para o parlamentar, fidelidade ao partido pelo qual foi eleito - eloqüente em seus 54,2%.

O montante de pessoas favoráveis ao voto facultativo, praticamente igual ao daqueles que iriam votar se não fosse obrigatório, é inversamente proporcional ao interesse dos políticos de discutir o assunto. Pela pesquisa, viram as costas a tema de interesse da população porque lhe é conveniente da reserva de mercado obrigatória.

Nesses tempos de repúdio irado contra o Legislativo, somada à tola e mal-intencionada tese da extinção seja do Senado, da Câmara ou da unificação de ambos numa única Casa Legislativa, conseguiu juntar no máximo 45% de adeptos para esta última hipótese.

Quando se pergunta sobre o fim do Senado, o atual Judas da indignação nacional, 23,3% apóiam. Quando na berlinda está a existência da Câmara, 19,2% aderem.

Os números sobre candidaturas presidenciais também são pífios (talvez pelo grande número de nomes listados) e é natural que assim seja, dada a distância da eleição e revelam muito mais o resíduo da exposição dos personagens no noticiário do que propriamente uma projeção confiável sobre a vontade do eleitor em 2010.

Mesmo assim, há um dado a notar: os tucanos estão entre os primeiros (José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves, por ordem de entrada em cena ), há Heloísa Helena em quinto lugar e apenas um governista, Ciro Gomes, entre os cinco mais bem posicionados. Quer dizer alguma coisa em termos definitivos, significa que o candidato, ou candidatos, de Lula, estão perdidos? Nem de longe.As especulações sobre terceiro mandato, se consideradas apenas à luz do apoio popular, perdem substância: apenas 12,3% acham aceitável um presidente pleitear novo período subseqüente à reeleição.

Direito este, aliás, que de tanto ser criticado pelos políticos arrependidos de tê-lo inventado na Constituição, vem perdendo apoio: em abril eram 28,2% os contrários à reeleição e hoje são 38,2%.

Já o apoio ao voto facultativo aparece de forma espontânea, sem que existam campanhas a respeito nem um único político levantando a lebre para discussão.