Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Moreninha, mignon, olhos apertados, sorriso alvo, muito alvo, um caderninho na mão, ela me interrompeu na calçada da ruazinha estreita:
Moreninha, mignon, olhos apertados, sorriso alvo, muito alvo, um caderninho na mão, ela me interrompeu na calçada da ruazinha estreita:
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- Onde fica o Museu do Conhaque?
Eu não sabia nem que havia Museu do Conhaque em Paris:
- Onde fica o Museu do Conhaque?
Eu não sabia nem que havia Museu do Conhaque em Paris:
- Você sabe o nome da rua?
- Sei, sim, e é perto daqui: Rue Eizévir, 8.
- Então vamos procurar.
Eu saía do Museu Picasso, na Rue de Thorigny, no Marais, e estava a caminho da Casa de Victor Hugo, na Place des Vosges, naquele ensolarado e luminoso domingo de abril. Saímos olhando as esquinas do velho e recuperado bairro judeu e nada de aparecer a Rue Eizévir.
Pensei que era uma japonesa ou chinesa. A japonesinha (ou chinesinha) abriu mais uma vez seu caderninho e conferiu nome e número. Havia mais de uma dúzia de nomes e endereços de museus anotados e riscados, porque já visitados. Só faltava o do Conhaque.
A coreana
Encostados no portão de metal de um velho prédio, que tinha uma placa de bronze já enegrecida, quase já estávamos desistindo. Ao longe, vi um bistrô aberto e lhe disse que ficasse ali esperando, porque eu ia lá perguntar a algum garçom quem sabia onde ficava o Museu do Conhaque. Ela agradeceu, curvou o corpo em um gesto de gratidão e, já cansada, recostou a cabeça no portão.
Fui saindo e de repente ela me chamou, dando uns gritinhos de euforia e mostrando, às gargalhadas, a placa de bronze escurecido cravada no portão: "Musée du Cognac".
Era ali. Havíamos procurado por toda parte, menos onde era. E ela não era nem japonesa nem chinesa. Era coreana. Coreana do Sul. Tinha ido à França, de tão longe, só para isso: fazer um estudo sobre os museus de Paris. E nunca tinha tomado um gole de conhaque. Deixei a coreanazinha com seu conhaque e fui ver Victor Hugo.
Lula
É preciso mandar Lula a Paris procurar o Museu do Conhaque, para ele aprender a ver o que está perto dele, junto dele, e ele não percebe nunca. Domingo, em entrevista de duas horas e várias páginas ao Kennedy Alencar, na "Folha de S. Paulo", diversas vezes Lula repetiu a maior mentira do ano: "Não acredito que houve o Mensalão. Até agora não tem nada provado. Não tem prova de um centavo de dinheiro público". Nem se tivesse bebido o museu da coreana inteiro.
"Quadrilha"
José Dirceu e Lula criaram o "Campo Majoritário" para controlarem o PT. E controlaram até agora. Manipulando o Fundo Partidário e as verbas extras do partido (inclusive o dilúvio financeiro delubiano), ganhavam qualquer votação, sobretudo na direção nacional e nas estaduais.
Com o escândalo do Mensalão, trocaram de nome: virou CNB (Construindo um Novo Brasil, que também pode significar Comendo Numa Boa). Da nova chapa, para as eleições da direção, fazem parte vários dos denunciados pelo procurador geral da República e indiciados pelo Supremo Tribunal por participarem da "Quadrilha", da "Organização Criminosa". Seria por acaso que, dos 7 candidatos a presidente, 6 são do PT paulista?
Genoino
E o Genoino, um dos mais denunciados, até porque era o presidente do PT, acusa a imprensa de "agir para criminalizar o PT". Quem o pôs na lista da "quadrilha" e da "organização criminosa" não foi a imprensa. Foi a denúncia do procurador geral da República e a aceitação do Supremo Tribunal.
Centrais
Lula fundou o PT acusando Getulio de "pai dos pelegos", porque criou o Imposto Sindical "para comprar os sindicatos". Agora, Lula, o PT e o Planalto estão aprovando, na Câmara, "a legalização" das centrais sindicais com um único objetivo: poderem receber R$ 50 milhões do Imposto Sindical.
Com a grana, começaram a aparecer centrais sindicais como tanajura na chuva. Antes, eram só a CUT e a Força Sindical. Agora, já há mais de meia dúzia. E vão chegar logo a uma dezena. Para mamarem no Imposto Sindical.
"Bispo"
Quem contou foi o Ancelmo Gois, no "Globo": "Marcelo Crivella levou a maior vaia na Portela, na feijoada da escola, em Madureira. O senador-bispo da Universal apareceu para uma homenagem à TV Record. Tentou discursar e "uuuuuuuuuuu"! Tentou de novo e "uuuuuuuuuuu"!. Aí desistiu".
O "bispo" sem bispado é novamente candidato a prefeito do Rio. Se não consegue falar nem em feijoada de escola de samba, porque é logo vaiado, como é que vai conseguir pedir voto a seus "fiéis"?
Agora, viajou com Lula para a África. Talvez para tentar ser candidato lá. Durante mais de dez anos viveu em numerosos países africanos, "instalando" "igrejas" para o "titio" Edir Macedo", também falso "bispo".