Marsílea Gombata, Jornal do Brasil
Brasil será pressionado em Bali
A pouco mais de dois meses da próxima Conferência das Partes do Protocolo de Kyoto, prevista para dezembro, em Bali, na Indonésia, o Brasil enfrenta seu maior paradoxo no que diz respeito à atual agenda de mudanças climáticas. Ao mesmo tempo em que está prestes a se tornar o maior produtor de bio-combustíveis do mundo, corre o risco de não ser aceito como "ecologicamente correto" por se negar a fixar metas internas para a redução da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global.
A contradição fica evidente para profissionais ligados à legislação ambiental, que enxergam o momento atual como a grande chance para o Brasil se posicionar no mercado de bio-combustíveis.
- É a primeira vez que o Brasil tem a chance de se tornar a Arábia Saudita dos bio-combustíveis - analisa Flávio Menezes, da consultoria jurídica Menezes, Lopes, Dessimoni e Abreu Advogados. - O problema é que o governo não encontrou o tom certo para se colocar diante da comunidade internacional.
Menezes aponta fatores favoráveis para a economia brasileira diante da criação do Protocolo de Kyoto: matrizes energéticas limpas, florestas em abundância, além de área disponível e know how para administrar o cultivo de matéria-prima para fontes de energia não-fósseis.
Atualmente, os Estados Unidos são o maior produtor de etanol do mundo, seguido do Brasil. Mas como quase toda a produção americana é praticamente destinada ao consumo interno, o Brasil teria, então, espaço para assumir a liderança do mercado. O bio-diesel - obtido de plantas oleaginosas como soja, mamona e dendê - substituiria total ou parcialmente o diesel derivado do petróleo. Os maiores países produtores de bio-diesel do mundo, como a Alemanha, não têm mais espaço para o cultivo e passarão a importar o produto para atingir futuras metas de redução de gases.
- Com a previsão de aumento da temperatura de até 6º nos próximos anos e com o aumento do preço de petróleo seguido de sua extinção em poucas décadas, o Brasil precisa investir em acordo econômicos para que outros países introduzam o bio-diesel e o comprem daqui - sustenta o consultor jurídico Alessandro Dessimoni, da Menezes, Lopes, Dessimoni e Abreu Advogados.
Na cúpula de Bali, Menezes não tem dúvida de que governantes brasileiros serão pressionados para aplicar medidas enérgicas contra queimadas de florestas - maior causa de emissão de gases do efeito estufa do Brasil - e prestar contas sobre sua política de meio ambiente:
- Enquanto não houver uma proposta eficiente para redução de emissão de gases, corremos o risco de ser retaliados pela comunidade internacional – adverte.
Brasil será pressionado em Bali
A pouco mais de dois meses da próxima Conferência das Partes do Protocolo de Kyoto, prevista para dezembro, em Bali, na Indonésia, o Brasil enfrenta seu maior paradoxo no que diz respeito à atual agenda de mudanças climáticas. Ao mesmo tempo em que está prestes a se tornar o maior produtor de bio-combustíveis do mundo, corre o risco de não ser aceito como "ecologicamente correto" por se negar a fixar metas internas para a redução da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global.
A contradição fica evidente para profissionais ligados à legislação ambiental, que enxergam o momento atual como a grande chance para o Brasil se posicionar no mercado de bio-combustíveis.
- É a primeira vez que o Brasil tem a chance de se tornar a Arábia Saudita dos bio-combustíveis - analisa Flávio Menezes, da consultoria jurídica Menezes, Lopes, Dessimoni e Abreu Advogados. - O problema é que o governo não encontrou o tom certo para se colocar diante da comunidade internacional.
Menezes aponta fatores favoráveis para a economia brasileira diante da criação do Protocolo de Kyoto: matrizes energéticas limpas, florestas em abundância, além de área disponível e know how para administrar o cultivo de matéria-prima para fontes de energia não-fósseis.
Atualmente, os Estados Unidos são o maior produtor de etanol do mundo, seguido do Brasil. Mas como quase toda a produção americana é praticamente destinada ao consumo interno, o Brasil teria, então, espaço para assumir a liderança do mercado. O bio-diesel - obtido de plantas oleaginosas como soja, mamona e dendê - substituiria total ou parcialmente o diesel derivado do petróleo. Os maiores países produtores de bio-diesel do mundo, como a Alemanha, não têm mais espaço para o cultivo e passarão a importar o produto para atingir futuras metas de redução de gases.
- Com a previsão de aumento da temperatura de até 6º nos próximos anos e com o aumento do preço de petróleo seguido de sua extinção em poucas décadas, o Brasil precisa investir em acordo econômicos para que outros países introduzam o bio-diesel e o comprem daqui - sustenta o consultor jurídico Alessandro Dessimoni, da Menezes, Lopes, Dessimoni e Abreu Advogados.
Na cúpula de Bali, Menezes não tem dúvida de que governantes brasileiros serão pressionados para aplicar medidas enérgicas contra queimadas de florestas - maior causa de emissão de gases do efeito estufa do Brasil - e prestar contas sobre sua política de meio ambiente:
- Enquanto não houver uma proposta eficiente para redução de emissão de gases, corremos o risco de ser retaliados pela comunidade internacional – adverte.