Jornal O Globo, DFTV
BRASÍLIA - Uma mulher que foi retirar os pontos de uma cesariana no Centro de Saúde 2 de Sobradinho, no Distrito Federal, foi informada que precisaria comprar um bisturi. No local não havia nenhum. Só assim ela poderia ser atendida.
- A primeira coisa que me perguntaram foi se eu havia trazido o bisturi para retirar os pontos. Falei que não. Aí disseram que eu precisava comprar o material porque no centro de saúde estava sem. Ainda me indicaram o local para comprar - conta a vendedora Eliane Pereira da Ázara.
A cesárea foi feita no Hospital Regional de Sobradinho e a vendedora saiu de lá com a data marcada no Centro de Saúde 2 para retirada dos pontos da cirurgia.
A gerente do Centro de Saúde 2, Cássia Magalhães, admitiu a falta de alguns itens como o bisturi. Segundo ela, a unidade teria ficado sem a lâmina por duas semanas, mas a reposição foi feita depois que a paciente saiu.
- Alguns realmente faltam, mas imediatamente, o pedido é feito. Às vezes, demora um pouco para chegar - explica.
A direção informou que a quantidade recebida é suficiente para apenas três semanas e que, todos os dias, atende, em média, cerca de 10 pacientes que precisam passar por algum procedimento com o uso de bisturi.
O técnico de enfermagem José Pereira é quem faz a maioria dos atendimentos e, apesar de saber que não é orientação da direção, ele justificou o pedido para pacientes comprarem o bisturi.
- Quando é um material simples como o bisturi, o custo é R$ 0,20 ou R$ 0,30. Acho que isso não onera o bolso das pessoas. Na verdade, eu quero ajudá-los a fazer o procedimento", afirma.
Eliane buscou atendimento no Centro de Saúde 1 e, após dois dias, ela conseguiu ser atendida.
