sexta-feira, novembro 26, 2010

Dívida interna atinge R$ 1,5 trilhão em outubro

Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado

Em relação a setembro, o aumento foi de R$ 18,316 bilhões, equivalentes a um crescimento de 1,19%



BRASÍLIA - O estoque da dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) alcançou R$ 1,552 trilhão em outubro, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Em relação a setembro, o aumento foi de R$ 18,316 bilhões, equivalentes a um crescimento de 1,19%.

No mês passado, o aumento decorreu da emissão líquida de R$ 4,22 bilhões e a apropriação positiva de juros no valor de R$ 14,1 bilhões.

Em outubro, o porcentual de títulos prefixados na DPMFi caiu de 37,53% para 36,73%, enquanto a fatia atrelada à taxa Selic subiu de 32,76% para 33,32%. No mês passado, os papéis corrigidos por índices de preços aumentaram de 28,12% para 28,37%. Já os títulos corrigidos pela variação do câmbio tiveram ligeira baixa, passando de 0,62% para 0,60%. Os papéis remunerados pela TR (Taxa Referencial) apresentaram pequeno aumento, passando de 0,97% para 0,98%.

De acordo com o Tesouro Nacional, o volume de títulos da DPMFi a vencerem em até 12 meses caiu de 25,72% em setembro para 23,53% em outubro. Desse montante, 59,68% correspondem a títulos prefixados. O prazo médio da DPMFi aumentou para 3,43 anos no mês passado, de 3,42 no mês anterior. Da mesma forma, o custo médio acumulado em 12 meses avançou de 11,18% ao ano para 11,38% ao ano, na mesma base de comparação.

A participação de não residentes no estoque da dívida interna caiu de 10,23% em setembro para 10,19% em outubro. No entanto, como no mês houve emissão líquida de R$ 4,22 bilhões, aumentando o estoque total, o volume de títulos em posse de estrangeiros subiu de R$ 154,1 bilhões para R$ 155,3 bilhões.

De acordo com o coordenador geral de operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, as emissões de R$ 44,675 bilhões em outubro representam o maior volume desde junho de 2007, devido à maior procura dos investidores por títulos prefixados e ao calendário de outubro, que por ter tido cinco semanas possibilitou a realização de um leilão de títulos a mais do que os outros meses.

Garrido adiantou que o cronograma de emissões de novembro já previa menos leilões de títulos prefixados de longo prazo. "Em momentos de maior volatilidade, a tendência do Tesouro é reduzir os lotes, até mesmo porque há menor procura", afirmou.

Demanda menor
A demanda dos investidores estrangeiros por títulos da dívida interna segue em novembro "significativamente" menor, informou Garrido. A retração da demanda se deve à maior taxação do Imposto sobre Operações Financeiros sobre o capital externo que entra no país para aplicações em renda fixa. Com o IOF maior, a rentabilidade dos aplicadores diminuiu.

A despeito da retração da demanda em outubro e novembro, o coordenador avaliou que a tendência continua sendo de aumento gradual da participação de estrangeiros no total da dívida interna.

Segundo ele, isso deve ocorrer porque o IOF mais elevado afeta mais as aplicações de curto prazo, que deixam de ser atrativas para os investidores estrangeiros. Mas para os investidores estrangeiros de longo prazo, segundo Garrido, o mercado interno continuará sendo atrativo. Ele destacou que é natural a queda de participação estrangeira na DPMFI num primeiro momento depois da elevação do IOF. Foi o que ocorreu em outubro. Ele disse que, num primeiro momento, os investidores se retraem para fazer uma avaliação do quadro.

Ele não quis atribuir a elevação dos prêmios dos papéis em outubro e novembro somente à redução da demanda dos estrangeiros. Ele disse que é difícil atribuir a redução a um fator exclusivo, ponderando que a volatilidade externa está trazendo impactos para a economia brasileira.

Dívida externa
Durante os meses de setembro e outubro deste ano, o Tesouro Nacional recomprou US$ 611,97 milhões em títulos da Dívida Pública Federal Externa (DPFe), equivalentes a R$ 1,04 bilhão. Segundo nota divulgada há pouco pelo Tesouro, em outubro a DPFe aumentou 0,49%, em relação ao estoque de setembro, chegando a R$ 92,21 bilhões.

O estoque total da Dívida Pública Federal (DPF) aumentou 1,15% em outubro, passando de R$ 1,626 trilhão para R$ 1,644 trilhão. Do estoque total, a fatia de títulos prefixados caiu de 36,07% para 35,40%. Já a parcela atrelada à Selic aumentou de 30,91% para 31,46%. Os títulos corrigidos por índices de preços aumentaram de 26,53% para 26,78%. E os papéis remunerados pela variação do câmbio caíram de 5,57% para 5,44%, enquanto os títulos corrigidos pela Taxa Referencial (TR) mantiveram-se estáveis em 0,92%.

Segundo o Tesouro, os vencimentos da DPF total para os próximos 12 meses diminuíram de 25,03% em setembro para 22,88%, em outubro. Com essa queda o indicador ficou abaixo da banda mínima prevista no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2010, de 24%. O PAF contém as metas do governo para a administração da dívida pública no ano. Para esse indicador, quanto menor o porcentual, melhor o perfil da dívida, porque diminui a pressão para financiamento do endividamento no ano. Ou seja, a dívida de curto prazo ficou menor.

O prazo médio da DPF total aumento de 3,57 anos, em setembro para 3,59 anos em outubro. Além disso, o custo médio acumulado nos últimos 12 meses apresentou aumento de 0,29 ponto porcentual, passando de 10,44% ao ano para 11,23% ao ano.