sexta-feira, novembro 26, 2010

Dilma quer mudanças profundas na chefia da Infraero, Correios e Dnit...

Ana Flor, Folha de São Paulo

A presidente eleita, Dilma Rousseff, determinou como uma de suas prioridades mudanças profundas em três empresas públicas que ela considera "focos de problemas" para sua gestão.

Dilma quer mudanças profundas em Infraero, Correios e Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Para isso, deverá atuar pessoalmente na indicação de nomes técnicos para esses órgãos.

Sua prioridade é a Infraero. Ela reclama da gestão na empresa desde o início da campanha, sobretudo pela proximidade da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Os Correios também são foco de atenção. Desavenças internas têm feito da estatal centro de eclosão de escândalos --como as denúncias do mensalão, em 2005, e as que derrubaram a Erenice Guerra (ex-Casa Civil). Dilma não descarta deixar a estatal com partidos aliados.

A petista quer ainda mudanças no Dnit, órgão considerado estratégico para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No governo, o departamento, ligado à pasta dos Transportes, é chamado de "mina de ouro", pela quantidade de recursos e obras que administra, e foi atingido recentemente por denúncias de corrupção.



... E Franklin Martins defende refundação do Ministério das Comunicações
Uirá Machado e Anna Virginia Balloussier, Folha de São Paulo
O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, afirmou hoje que o Ministério das Comunicações precisa ser refundado.

Segundo o ministro, o governo Lula ficou devendo na área da comunicação por não ter dado ao ministério o status de "centro formulador" de políticas nacionais para o setor.

"[O Ministério das Comunicações precisa] passar a ser o centro formulador de uma política nacional de comunicação que entre nesses assuntos que estamos discutindo aqui [banda larga, regulação das comunicações eletrônicas]. Tem que discutir [esses assuntos], porque, se não tivermos um centro que formule e comande o processo, desperdiçaremos essas oportunidades que não vão voltar", afirmou o ministro.

De acordo com ele, o processo pelo qual o Ministério das Comunicações deve passar precisa ser semelhante ao que "se passou no Ministério das Minas e Energia no primeiro mandato do governo Lula".

Para Franklin, o país teria enfrentado uma série de apagões, se a pasta de Minas e Energia não tivesse sido refundada para adquirir "condições de planejar, de acompanhar, estudar, elaborar políticas públicas e comandar esse processo", sem o que não haveria "tranquilidade jurídica, segurança econômica para que se pudesse investir em grandes projetos de hidrelétricas no país".

"Com toda sinceridade, acho que o governo Lula ficou devendo nessa área", afirmou o ministro.

Franklin participou nesta quinta-feira pela manhã do seminário Cultura de Liberdade de Imprensa, promovido pela TV Cultura. Durante o encontro, descartou ameaças à liberdade de imprensa e disse que o país vive um momento excepcional para debater o setor. Segundo ele, apenas "fantasmas" fazem as pessoas acharem que existe risco à imprensa no Brasil. "Faço parte de um governo que garantiu a liberdade de imprensa, mesmo apanhando muito."

"Vivemos hoje um momento excelente no que diz respeito à liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa não está nem um pouco ameaçada", disse.

"Gozamos de um momento excepcional. Não é mérito do governo, mas da sociedade, em primeiro lugar, que conquistou a duras penas uma compreensão profunda de que a liberdade de imprensa é algo absolutamente indispensável para o exercício da democracia."