Adelson Elias Vasconcellos
Nas edições de ontem e hoje publicamos uma série de artigos de especialistas que convergem para duas questões vitais nesta guerra contra a violência no Rio de Janeiro, e que possam resultar em “pacificação” das comunidades cariocas. De um lado, é preciso prender os bandidos. Na fuga da Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão, a Rede Globo calculou em pelo menos 200 bandidos o total que tenham migrado de um local para outro. Pela imagens, é possível perceber que este número é bem maior. O total de prisões até ontem à noite era de 11 delinquentes, o que indica ser um índice quase insignificante dado não apenas a quantidade que se conhece, bem como pela virulência dos ataques feitos ao longo da semana.
A segunda questão é a necessidade de se intensificar o combate ao contrabando de armas. Não se trata de pistolinhas de ladrão de galinhas. São armamentos pesados, de uso restrito das Forças Armadas e que chegam vindos via fronteira com o Paraguai, na sua grande maioria.
Portanto, deve haver integração efetiva em todas as esferas responsáveis pela segurança para que as ações se tornem efetivas e obtenham êxito pleno. E não venham com o papo furado de que as Forças Armadas não podem ser envolvidas. Podem, devem e isto está perfeitamente previsto na Constituição Federal. Não se trata apenas de vigiar as fronteiras, não. O esforço tem que ser total, a mobilização das forças deve ser plena. E uma vez reconquistado os territórios que estavam em poder da bandidagem, o policiamento nestas áreas deve ser permanente.
Do contrário, todo o terror vivido nos últimos dias pelos cariocas tende, em curto espaço de tempo, voltar a atormentar a cidade e o estado. E, por favor, não tem que ter pena de prender bandido e mantê-lo na cadeia. Ou é isso, ou é barbárie. É necessário mudar as leis vigentes para mantê-los trancafiados, longe do convívio social dada a ameaça que representam? Pois que se mudem as leis, e isto pode ser feito, havendo vontade política, de forma rápida. Nossos parlamentares são muito bem pagos e esta, afinal, é sua obrigação, isto é, legislar em benefício da sociedade. Que justifiquem seus ganhos e seus privilégios. Quando se trata de legislarem em proveito próprio, eles são rápidos, pois que agora sejam mais rápidos ainda.
Esta é uma guerra precisa ir até o fim. O Rio de Janeiro, e por extensão, o Brasil inteiro, precisam voltar a viverem em paz.
