Ricardo Setti, Veja online
Apesar de uma certa choradeira sobre “preconceito e intolerância” durante a campanha eleitoral, foi positivo o pronunciamento de hoje da presidente eleita Dilma Rousseff na reunião do Diretório Nacional do PT, em Brasília.
Ela reconheceu que o PT defendia posições que delicadamente chamou de “ingênuas” no passado — referindo-se, sem citar, a delírios tresvairados como o calote na dívida externa, que Lula tinha com carro-chefe do partido durante anos — e pediu maturidade ao partido para aceitar alianças (leia-se menos sede ao pote).
Mas a presidente pisou na bola ao cutucar, sem o menor fundamento e a menor necessidade, o trabalho realizado durante 8 anos pelo governo FHC — que permitiu a Lula governar com estabilidade econômica e folga de caixa — ao elogiar a “herança bendita” deixada pelo presidente, obviamente uma menção à injustamente denominada “herança maldita” do antecessor de Lula.
A “herança maldita” foi muitas vezes elogiada pela pessoa que é hoje da mais absoluta confiança de Dilma, e cujo papel em seu governo ainda não está definido: o deputado por São Paulo e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o homem que ganhou a confiança dos mercados internos e internacionais para o governo Lula no primeiro mandato, antes de ser abatido pelo caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, no começo de 2006.