sábado, novembro 20, 2010

Exportador de couro brasileiro vai demitir 650 funcionários

Ricardo Schwarz, colaboração para a FOLHA

Um dos maiores exportadores de couro do Brasil, o curtume Vitapelli, deve demitir até a próxima semana cerca de 650 funcionários. Até agora, 320 trabalhadores foram dispensados e a previsão é que até semana que vem outros 330 sejam dispensados.

De acordo com o curtume, localizado em Presidente Prudente (558 km de São Paulo), as demissões foram motivadas pela queda na produção acarretada pela pressão do câmbio, entre outros fatores.

"A empresa relutou ao máximo para evitar as demissões, mas foi obrigada a reduzir a produção, por conta da política cambial, crise mundial e principalmente pelos créditos fiscais decorrentes da exportação retidos pelos governos estadual e federal", disse a empresa por meio de nota oficial, sem informar os valores dos créditos e o motivo do bloqueio.

Ainda segundo a empresa, a maior parte dos trabalhadores demitidos é de sete cidades da região de Prudente: Presidente Bernardes, Alfredo Marcondes, Martinópolis, Regente Feijó, Pirapozinho, Narandiba e Tarabai. "A parceria com essas cidades será desfeita e os ônibus serão suspensos", disse a Vitapelli.

Com as demissões, o curtume passará de um quadro de 2.200 funcionários para cerca de 1.500. A Vitapelli afirma em seu site oficial que a produção anual de couro é de 3 milhões e 500 peças.

A empresa não soube informar, no entanto, os números atualizados alegando que o diretor responsável não se encontrava no prédio.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando o governo Lula anuncia com toda pompa e circunstância a geração de empregos, fico a me perguntar a quem esta gente pensa que engana. Primeiro, ali naquele número é a colocação bruta de mão de obra. Segundo, não está computado o total de demissões feitas no mesmo período. Terceiro, há um movimento de pessoas que saem de um emprego para outro, apenas por questões de maior salário.

Na questão abordada pela Folha, por exemplo, é um exemplo típico de um governo acostumado à mentir e trapacear. Pergunto: quantos empregos foram fechados por conta da brusca redução das exportações brasileiras em razão do real supervalorizado? Acreditem, são milhares de postos de trabalho fechado por conta da questão cambial. E este não um fator atípico, não: ele vem ocorrendo de forma constante desde 2006 e, ano a ano,  tem se acentuado mais.

Basta ver a inversão ocorrida na pauta de exportações: há bem pouco tempo atrás, nossas exportações de matérias primas e produtos primários andava na casa de 40%, enquanto os produtos manufaturados e semi-manufaturados somava 60%. Hoje, estes percentuais estão invertidos, exportamos mais matérias primas e produtos primários do que industrializados. E assim mesmo porque com preços das comoditties nas alturas, pauta em que o país é excelente produtor, principalmente o agronegócio, tem sido possível manter nossa balança comercial superavitária.

Portanto, sempre que o governo falar em geração de empregos, é sempre bom o leitor ficar atento que o número apresentado não é representativo da realidade do mercado de trabalho, cujo cenário é bem pior do que se imagina.