sábado, novembro 20, 2010

Nem privatização resolve problema de aeroportos brasileiros, diz ‘FT’

Sílvio Guedes Crespo

O jornal britânico “Financial Times” publicou uma reportagem na edição desta sexta-feira, 19, na qual sugere que o Brasil privatize cerca de 50 aeroportos regionais atualmente controlados pelo Estado. Mas ressalva: “A privatização resolveria apenas parte dos problemas”.

O diário cita, ainda, a opinião de executivos da indústria segundo os quais a Infraero, empresa subordinada ao Ministério da Defesa, está “dominada por sindicatos do setor público, o que a torna autoritária, mais preocupada com empregos do que com resultados”.

Nos Estados Unidos, cada funcionário é responsável, em média, pela movimentação de 741 aviões; no Brasil, os aeroportos mais eficientes essa proporção é de 635 por empregado.

Além dos problemas de gestão, a reportagem aponta outras questões, que não teriam como ser resolvidas com uma simples privatização. “Há uma miríade de problemas legais, incluindo problemas de desapropriação de casas”, afirma o “Financial Times”, com base na opinião de um analista do Citigroup.Há, também questões geográficas. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde não há espaço livre em torno dos aeroportos para que eles se expandam.

Para investir na infraestrutura, o presidente da Gol, Constantino Oliveira Junior, sugere usar a taxa ataero, que as companhias pagam à Infraero.

A reportagem foi publicada um dia depois de o diretor-geral da Iata (sigla em inglês para Associação Internacional de Transporte Aéreo) (ver abaixo) dizer, em um evento, que o Brasil precisa resolver problemas de infraestrutura para não passar por “constrangimento nacional” durante a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

O diretor disse ao “Financial Times” que os dois eventos esportivos são “um problema imenso” para o Brasil resolver.

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Aeroporto no Brasil é "desastre", diz IATA
Luciana Coelho, Folha De S. Paulo

Presidente de associação de companhias aéreas critica estrutura brasileira e aponta falhas de segurança

Alta tributação e risco de o Brasil dar "vexame" na Copa e na Olimpíada

A principal associação mundial de companhias aéreas censurou ontem o Brasil por deficiências de infraestrutura que ameaçam o fluxo de passageiros na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016.

Impostos e taxas no país e na região também foram questionados como um obstáculo à operação, assim como riscos à segurança.

"O Brasil é a maior economia da América Latina e a que cresce mais rápido, mas sua infraestrutura é um desastre crescente", afirmou o presidente da Iata, Giovanni Bisignani, em discurso distribuído à imprensa.

Bisignani, que falou no fórum da Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe, no Panamá, alertou para a demanda que virá com os megaeventos esportivos e exortou autoridades e empresas nacionais a prepararem um plano "se quiserem evitar vexame".

"O relógio está correndo e eu não vejo muito progresso", afirmou. "Dos 20 maiores aeroportos domésticos do Brasil, 13 não conseguem acomodar as demandas em seus terminais. E a situação em São Paulo é crítica."

***** COMENTANDO A NOTICIA:
Mas se "vexame" houver, eles não se concentrarão apenas nos aeroportos, este gargalo que o governo Lula parece apreciar a tal ponto de nada fazer para resolvê-lo.

Vejam no post seguinte, mais um relatório do Site Contas Abertas. Lá está claro que o país não consegue sair do discurso. Como o relógio corre, para que a vergonha não seja maior, acabará acontecendo de se partir para a improvisão onde a avenida para a corrupção, superfaturamento e desvios de todo o gênero encontrarão um campo amplo e propício, tal como com o Pan no Rio, em 2007.