José Paulo Kupfer, Estadão.com
Não existe muita surpresa na indicação de Guido Mantega como ministro da Fazenda do governo Dilma. Se as possibilidades da indicação já eram grandes, a partir da eleição da candidata da situação, elas se tornaram fortíssimas depois da divulgação da preferência do presidente Lula pela indicação de Mantega.
É preciso não esquecer que Dilma foi eleita com uma muita clara proposta de continuidade do governo Lula. Os ajustes e rearranjos que possa vir a fazer, se o mote eleitoral não for fraudado, não incluem mudanças radicais nas linhas do governo que ela sucederá.
O que, em princípio, se pode esperar de novo da presidente eleita é mais um aprofundamento da linha desenvolvimentista que, ao longo do mandato, foi estendendo influência no governo Lula - até mesmo se Henrique Meirelles continuar, e não apenas para cumprir mandato temporário, no Banco Central. Como lembrou, com toda a veemência de seu sotaque lusitanamente característico, a economista Maria da Conceição Tavares, em rara e recente entrevista na TV Senado: “A eleita é Dilma e agora não vão querer que quem tome posse no dia 1o. de janeiro seja a [Angela] Merkel”.
A manutenção de Mantega, primeira definição de Dilma para o governo, dá o tom do que vem pela frente. Ainda que ocorram acomodações – naturais diante do que se modificou, no ambiente político e econômico, ao cabo do governo Lula -, também não será surpresa se, na Esplanada dos Ministérios e em estatais importantes, o índice de titulares reconduzidos seja mais alto do que o costumeiro nas passagens de governo. Caso não fuja do script, a dança das cadeiras, principalmente na área econômica, deverá ter jogadores conhecidos. Melhor esperar menos dança na troca de cadeiras.