sábado, novembro 20, 2010

Menos dança na troca de cadeiras

José Paulo Kupfer, Estadão.com

Não existe muita surpresa na indicação de Guido Mantega como ministro da Fazenda do governo Dilma. Se as possibilidades da indicação já eram grandes, a partir da eleição da candidata da situação, elas se tornaram fortíssimas depois da divulgação da preferência do presidente Lula pela indicação de Mantega.

É preciso não esquecer que Dilma foi eleita com uma muita clara proposta de continuidade do governo Lula. Os ajustes e rearranjos que possa vir a fazer, se o mote eleitoral não for fraudado, não incluem mudanças radicais nas linhas do governo que ela sucederá.

O que, em princípio, se pode esperar de novo da presidente eleita é mais um aprofundamento da linha desenvolvimentista que, ao longo do mandato, foi estendendo influência no governo Lula - até mesmo se Henrique Meirelles continuar, e não apenas para cumprir mandato temporário, no Banco Central. Como lembrou, com toda a veemência de seu sotaque lusitanamente característico, a economista Maria da Conceição Tavares, em rara e recente entrevista na TV Senado: “A eleita é Dilma e agora não vão querer que quem tome posse no dia 1o. de janeiro seja a [Angela] Merkel”.

A manutenção de Mantega, primeira definição de Dilma para o governo, dá o tom do que vem pela frente. Ainda que ocorram acomodações – naturais diante do que se modificou, no ambiente político e econômico, ao cabo do governo Lula -, também não será surpresa se, na Esplanada dos Ministérios e em estatais importantes, o índice de titulares reconduzidos seja mais alto do que o costumeiro nas passagens de governo. Caso não fuja do script, a dança das cadeiras, principalmente na área econômica, deverá ter jogadores conhecidos. Melhor esperar menos dança na troca de cadeiras.