sexta-feira, dezembro 03, 2010

Após chamar estádio de "elefante branco", ministro quer DF na abertura da Copa-2014

Filipe Coutinho, Folha de São Paulo

Depois de chamar a arena de Brasília de "elefante branco", o ministro do Esporte Orlando Silva Jr. agora defende que a Fifa volte a analisar a abertura da Copa-2014 no Mané Garrincha.

Orlando Silva disse que "reacendeu a chama" por Brasília após se encontrar ontem com o governador eleito do Distrito Federal e aliado, Agnelo Queiroz (PT). Agnelo é ex-colega de PC do B e também foi ministro do Esporte, quando foi chefe de Orlando Silva.

"Brasília reacendeu a chama pela abertura da Copa do Mundo a partir dessa conversa. Vou transmitir a posição do governador eleito à Fifa e vou tentar organizar um encontro dele com o Comitê Local ainda este ano", disse Orlando Silva.

No encontro com Agnelo, Orlando Silva disse ainda que trabalhará para antecipar uma resposta da Fifa.

A defesa por Brasília na disputa pela abertura revela uma mudança de postura do ministro sobre o estádio do primeiro jogo da Copa. Em quatro meses, o ministro já defendeu a abertura no Morumbi, depois no Itaquerão e a redução do estádio de Brasília --e agora quer o DF de volta na disputa.

Há 15 dias, quando a Folha ainda não havia revelado que a Fifa não bateu o martelo pelo primeiro jogo em São Paulo, Orlando Silva chamou de "erro" a abertura em Brasília e defendeu um cronograma diferenciado para adequar o Itaquerão às exigências da organização.

"[Brasília] não tem ainda hoje tradição no futebol para produzir essa demanda. A chance de ser um grande elefante branco de 70 mil lugares era enorme. Evidentemente que São Paulo tem que ser tratado como um caso à parte, por um detalhe: São Paulo optou por outro estádio. Isso vai exigir que a Fifa redefina o cronograma", afirmou o ministro.

Como a Folha mostrou, a Fifa contrariou a posição de Ricardo Teixeira, presidente do Comitê Organizador Local, que abertamente defendia a abertura da Copa-2014 no Itaquerão.

"Fique seguro que nenhuma decisão final foi tomada. É importante esclarecer, entretanto, que a decisão da abertura vai ser tomada em definitivo pelo comitê local. Estamos confiantes que todos os pontos fundamentais vão ser levados em conta antes", diz a carta do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, do dia 24 de novembro.

***** COMENTANDO A NOTICIA:

Convenhamos, que história mais complicada esta, hein? Primeiro, tinha-se o Morumbi como certo.  Mas foram tantas as exigências e dificuldades que se criou, que o próprio São Paulo acabou desistindo da ideia. Não comprometeria sua saúde financeira numa aventura incerta. Depois, foi a pressão para que o Corintians "herdasse" um estádio novo, sem bancar pelo investimento. Quando o clube paulista topou a brincadeira, viu-se que o seu projeto não comportava a capacidade exigida pela Fifa para abrigar a abertura da Copa. Seu projeto prevê 45 mil lugares, quando a exigência é para 65 mil lugares. Aí, como por mágica, apareceu o dinheiro para bancar o aumento necessário. Só que a alteração não caiu no gosto da turma da FIFA que, como se vê na notícia acima, ainda não bateu martelo. 

Nesse vai não vai, Brasília começou a se assanhar para receber a abertura da Copa. Só que tem um probleminha:  a cidade sequer tem futebol suficiente para abrigar metade de um projeto, quanto mais um estádio com a dimensão que se pretende. E depois, o que fazer com o elefante branco, depois da Copa, e  que, certamente, seria bancado com dinheiro público? Complicado!

E, mesmo que o Itaquerão ainda venha ser o escolhido, a pergunta que fica é: será concluído em tempo?

Isto sintoniza bem o quanto o Brasil é amador para comportar este tipo de evento. Todas as questões já deveriam estar resolvidas, inclusive na questão dos estádios, era assunto para já na apresentação da candidatura, antes da escolha portanto, não caber mais dicussão. Imaginem agora o resto das obras em que pé se encontram! E estejam certos: a Fifa hoje olha para a Copa de 2014 com imensa preocupação. E nós continuamos a lhes dar motivos para tanto.