Sergio Lamucci , Valor Econômico
De janeiro a outubro, aumentou a concentração de investimentos estrangeiros diretos nos setores básicos, de commodities, na indústria de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis. O segmento de extração mineral, agricultura e pecuária ficou com US$ 8,1 bilhões, ou 23% de todo ingresso de capital externo para investimento produtivo nas operações de participação no capital, mais que o dobro da média registrada entre 2004 e 2009.
Na indústria, o setor de coque, petróleo e biocombustíveis, que há cinco anos nem aparecia isoladamente nas estatísticas do Banco Central (BC), abocanhou US$ 2,2 bilhões até outubro, mais que o dobro dos US$ 990 milhões de igual intervalo de 2009. Por outro lado, os setores industriais de maior agregação tecnológica - como a produção de veículos, máquinas e material elétrico e de comunicação - viram seu potencial de atração de investimento direto despencar. Na média do período janeiro-outubro dos anos de 2004 a 2009, os três receberam 14% dos recursos externos para investimento produtivo, percentual que ficou em apenas 3,2% nos primeiros dez meses deste ano.
As inversões em seis importantes setores ligados à produção de commodities ou de baixa intensidade tecnológica - além de coque e petróleo, metalurgia, minerais não metálicos, alimentos, bebidas e celulose e papel - somaram, de janeiro a outubro, US$ 6,8 bilhões, valor 44% superior à média dos anos de 2004 a 2009, considerando sempre os primeiros dez meses de cada ano. Sem considerar o setor químico (que distorce os dados de 2010), o investimento total na indústria subiu 15,7% na mesma comparação.
Para o economista Edgard Pereira, da Edgard Pereira & Associados, o resultado mostra a forte atratividade, para o investidor estrangeiro, de atividades ligadas à produção de produtos primários no Brasil, como a extração de minerais metálicos e de petróleo. São segmentos em que o país é bastante competitivo e que se beneficiam dos elevados preços internacionais das commodities, como lembra o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima. A descoberta das reservas na camada pré-sal e as perspectivas de crescimento do mercado de etanol impulsionam os investimentos ligados ao petróleo e biocombustíveis.
