É impressionante a desfaçatez e a capacidade do Poder Legislativo de se autodestruir e desmoralizar. Quanto mais reprovados pela sociedade, mais eles fazem questão de justificar a desmoralização.
Enquanto o país se ressente – e reprova – o estúpido e imoral aumento de salários que eles se autoconcederam, os canalhas aprontaram mais uma. Incrível.
Reparem no seguinte: todos os anos, em dia e horário específico, - às quintas-feiras, se não me engano - entra no ar em rede nacional de rádio e televisão, propaganda política do tipo institucional, com cada partido apresentando seu “receituário ideológico.” Não é de graça. Isto tem custo, que não é pequeno. Em ano de eleição, por três meses, temos a propaganda política obrigatória, com cada partido ou coligação, apresentando seus candidatos e “promessas”. E isto não é de graça. Tem custo, é alto, e bancado pelos mesmos otários da propaganda acima. Ou seja, nós.
Durante todos os anos, os partidos políticos – TODOS – podem contar com uma bonança chamada “Fundo Partidário”, que vem a ser uma verba tirada do orçamento, destinada a custear sua existência. E isto tem um custo, é alto, e também é bancada pelos mesmos otários que bancaram as propagandas acima.
E, para finalizar, tem o custo da eleição, que em 2010, segundo o TSE, chegou à “irrelevância” de 3 bilhões de reais. Já nem falo do custo de se manter o Poder Legislativo por todo o país, e aí a fortuna perde-se de vista. Como até me esquivo de comentar aqui, os privilégios que eles próprios se autoconcedem, e as maracutaias e corrupção em escala gigantesca a desviar recursos públicos para “outros fins” que não aqueles que atendem aos interesses do país.
Pois bem, por que de tudo isto? Quando saiu de férias, deixando a Dilma em seu lugar pelos próximos quatro anos, uma de suas metas de Lula seria dedicar-se a reforma política. Dentre outras cositas e cretinices que ali se desenham, está o financiamento público de campanha dos políticos. O assalto ao bolso dos otário, comuns mortais que bancam a safadeza toda, eles acham pouco. Querem mais, sempre estão e estarão prontos em sua avidez por nos assaltar em escala cada vez maior. Para eles, este assalto não tem limites, sejam morais ou econômicos.
Agora, vejam a beleza do último assalto que nos brindaram neste início de 2011. Como ainda o financiamento público das campanhas eleitorais é uma quimera, a esperteza da tropa resolveu estatizar as dívidas oriundas das campanhas e enfiaram goela abaixo da sociedade, uma facada de seus 100 milhões de reais. Não me surpreende que faltem recursos para dar dignidade à rede pública de saúde, nem que o governo federal, apesar da promessa, ainda não tenha liberado, um ano depois do anúncio, os 30 milhões de reais prometidos logo após a tragédia em Angra dos Reis, em 2010.
Esta camarilha é tão torta em termos éticos, que até farra em motel eles bancam com dinheiro público, a exemplo do que fez o atual Ministro do Turismo.
Acham pouco? Pois lhes passo a última “novidade”. Lembram do ex-presidente Collor? Pois então, vejam que beleza de truque ele engendrou para nos garfar. A notícia é de Luciana Marques, Veja online.
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Marmitas de Collor custaram quase 30.000 reais em 2010
O senador Fernando Collor (PTB-AL) usou recursos da verba indenizatória de seu gabinete para comprar as marmitas de seus funcionários. No ano passado, ele gastou 28.900 reais no restaurante Kishimoto, em Brasília, para comprar a refeição de servidores comissionados.
O uso da verba para a compra das refeições é permitido, mas o curioso é o preço alto que ele pagou em cada refeição e a recorrência do mesmo estabelecimento para fazer o negócio. A média de gastos é de 80 reais por dia, incluindo fins de semana, em que não há atividades parlamentares.
Procurada pelo site de VEJA, a assessoria de Collor confirmou o uso dos recursos para alimentação dos funcionários e disse que os gastos para este fim são permitidos pelo Senado.
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Assim, de assalto em assalto, o país vai torrando preciosos recursos para alimentar uma casta de degenerados que não estão nem aí para as necessidades bem mais urgentes da sociedade que, mais uma vez, tem todo o direito de se sentir traída pelos picaretas. Não é a toa que mantenham a educação na última das prioridades. Com dois terços de analfabetos funcionais, fica fácil manipularem a opinião pública, para continuarem se locupletando descaradamente.
Até quando a sociedade permanecerá calada diante de tanto abuso?
