Brasil Econômico - Editorial
Uma reação bem-humorada dos cubanos diante dos intermináveis discursos de Fidel Castro, que, quando na chefia do governo, chegava a falar durante oito horas seguidas, era "torcer" para que algum furacão ameaçasse se aproximar da ilha.
É que os responsáveis pelo Centro de Meteorologia de Cuba eram as únicas pessoas autorizadas a tirá-lo do ar para utilizar a rede de emissoras de rádio na transmissão de informes regulares à população com orientação sobre eventuais operações de evacuação.
Assolada pela maioria dos furacões que se formam no Caribe, na temporada cujo auge vai de julho a novembro, a ilha desenvolveu um exemplar sistema de prevenção baseado na rapidez da remoção dos moradores das regiões ameaçadas pelo fenômeno climático.
Houve situações, como durante a passagem do furacão Ike, em 2008, em que quase um milhão de pessoas foram transferidas para locais seguros. Tamanha eficiência levou a uma aproximação com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos que, rusgas políticas à parte, mantém estreitas relações com o congênere cubano.
Este é apenas um entre os muitos exemplos de nações, desenvolvidas ou em desenvolvimento, que tratam com seriedade a proteção à população, investindo no mais óbvio e, quase sempre, de muito menor custo, que é a prevenção.
No Brasil, as tragédias que se repetem sempre com data marcada, quando chegam as chuvas de verão, nunca mereceram de parte das autoridades nos três níveis administrativos um envolvimento mais sério para, pelo menos se estudar algum tipo de ação preventiva.
Numa coreografia em que até o tradicional voo de helicóptero sobre as áreas atingidas parece repetitivo, autoridades federais, estaduais e municipais seguem um script já conhecido, e mais uma vez, ficam devendo iniciativas concretas para evitar ou minimizar novas tragédias.
Afinal, se a prevenção funciona em outras nações, da pequena Cuba ao gigante Estados Unidos, fica a indagação por que o mesmo não acontece entre nós. Existem os recursos e a tecnologia necessários. Fica faltando apenas a iniciativa dos governantes.