sábado, janeiro 15, 2011

Miriam Belchior: racionalização não fará efeito em um ‘piscar de olhos’

Cacau Araújo, de EXAME.com

Ministra do Planejamento garantiu que todos os ministros concordaram em cortar gastos, mas que medidas devem surtir efeito em médio prazo

Fabio Rodrigues Pozzebom/
AGÊNCIA BRASIL
Miriam Belchior:
contingenciamento fará efeito
em médio prazo
Brasília - A ministra do Planejamento, Miriam Belchior garantiu nesta sexta-feira (14), depois da primeira reunião ministerial do governo Dilma que todos os ministros concordaram com a determinação de contingenciamento de gastos. De acordo com a ministra, os cortes devem acontecer na parte de “custeio da máquina administrativa” e as medidas de racionalização devem começar a fazer efeito em médio prazo. "Não vai ser em um 'piscar de olhos", alertou a ministra.

Gastos com passagens aéreas e diárias estão na lista do deve ser racionado. “O principal é cortar o custeio, mas também é possível fazer mais com menos na parte de prestação de serviço”, afirmou Miriam Belchior, que também citou “licitações bem ajustadas” como uma forma de cortar gastos públicos.
De acordo com a ministra, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estará preservado da redução de gastos, “dependendo do tamanho do contingenciamento.” Miriam Belchior avisou que o tamanho do corte deve ser determinado no final de fevereiro.

Sobre o tamanho do corte, a ministra do Planejamento diz que seria uma “irresponsabilidade” adiantar algum número. Segundo Miriam Belchior, a presidente Dilma já passou um “dever de casa” para todos os ministros, que devem listar os itens prioritários e os que podem ser cortados, na hora da aplicação do contingenciamento.

Ministérios em grupos
Uma outra determinação da presidente Dilma Rousseff foi revelada depois da reunião ministerial. A partir de agora, os ministérios serão separados em quatro grupos: Desenvolvimento Econômico, coordenado pelo Ministério da Fazenda; Erradicação da Miséria, sob coordenação do Ministério do Desenvolvimento Social; Infraestrutura e PAC, com a ministra Miriam Belchior (Planejamento) coordenando e Direito de Cidadania, coordenado pela Secretaria-geral da Presidência da República. Estarão em cada grupo ministérios que tenham “afinidade”, declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira.

Além dos grupos setoriais, a presidente Dilma criou o Comitê de Gestão e Competitividade, que irá trabalhar com todos os ministérios para melhorar a gestão do governo e com o setor privado. O conselho contará com a participação do empresário Jorge Gerdau.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Esperem aí: este não foi eleito como sendo um governo de continuidade? Em que Dilma Rousseff se fez presidente por ter sido, precisamente, no governo Lula, a gerentona-chefe de TODOS os grandes programas que fizeram do Brasil a maravilha do planeta?

Então por conta do que, me expliquem, em termos de racionalização de gastos, se pede agora um “tempo” para sentirmos os efeitos positivos? Das duas, uma: ou durante os oito anos de Lula nunca a racionalização de gastos foi preocupação central do governo, o que vem dar razão aos críticos dos gastos irresponsáveis por ele cometidos, ou esta é mais uma daquelas “mistificações” que o PT adora plantar, para, às escuras, continuar cometendo as mesmas vigarices de sempre. É só escolher uma das alternativas. O diabo é que nenhuma nos serve.

E outra coisa: goste ou não dona Dilma, o fato é que cortes no orçamento, racionalização de gastos, e o "fazer mais com menos", tudo isto resume uma ação: ajuste fiscal. Mesmo que ela diga que não.