Cacau Araújo, de EXAME.com
Valor faz parte dos R$ 700 milhões de MP que determina fundo para socorrer todos os estados de desastres naturais
Vladimir Platonow/ABr
Rio de Janeiro receberá R$ 50 mi do Governo Federal
na próxima segunda-feira (17)
Brasília - O novo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, o Rio de Janeiro receberá R$ 100 milhões para reparar os estragos da chuva. A partir de segunda-feira, o governo carioca vai dispor de metade do valor para socorro à população castigada com as chuvas na região serrana do estado. “O dinheiro também poderá ser usado para mantimentos, abrigos, limpeza de ruas e para tentar reestabelecer a normalidade nas cidades”, afirmou Bezerra, depois da primeira reunião ministerial do governo Dilma.
Os R$ 100 milhões que serão destinados para o Rio de Janeiro faz parte de um fundo determinado por medida provisória para socorrer todos os estados brasileiros, em caso de catástrofes naturais.
O ministro destacou também que a presidente Dilma Rousseff assinou nesta sexta-feira (14) a MP que permite que a população atingida pelas chuvas no Rio possam resgatar antecipadamente benefícios da Previdência Social. O limite é de R$ 5.400, o correspondente a 10 salários mínimos calculados com o valor determinado na primeira proposta do governo.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Minas vem sofrendo com temporais e enchentes desde novembro de 2010, São Paulo desde dezembro. Apenas em Minas são 76 municípios em estado de emergência, cerca de 18 mil desabrigados e 16 mortes até agora. São Paulo segue no mesmo padrão, muito embora o número de municípios atingidos seja menor, sem contudo atenuar a tragédia que atinge as pessoas.
Dilma sobrevoou o Rio 24 horas depois da calamidade. Não fez o mesmo nem com São Paulo tampouco com Minas Gerais. O Rio já terá recursos disponibilizados na segunda feira, São Paulo e Minas talvez a vaga notícia de promessas sem prazo de serem cumpridas. Santa Catarina aguarda há três anos pelo Poder Público. E incluam neste rol o estado de Goiás.
Se o mapa brasileiro não mudou, os três estados ainda pertencem à federação, as pessoas que ali moram e trabalham ainda são brasileiros.
Que a tragédia carioca tem proporções muito maiores, disto não se tem dúvida, mas não dá para aceitar o tratamento diferenciado que se tem atribuído às tragédias brasileiras. Não se pode simplesmente escolher a quem oferecer apoio apenas pela sigla partidária dos prefeitos e governadores. E, infelizmente, este é o caso, ou como explicar que a Bahia, em 2009 e 2010, tenha recebido sozinha mais de 50% dos repasses dos recursos destinados à prevenção de acidentes naturais?
Claro que, como vimos, em relação à tragédia de Angra em 2010, a promessa de 30 milhões aguarda a boa vontade do governo federal para chegar ao destino. Porém, já vemos que 2011 a ação de se priorizar os aliados políticos do governo federal parece irá permanecer como ação de governo. E isto, convenhamos, além de absurdo e e sem justificativas, demonstra uma falta de grandeza de espírito imperdoável.
Que o Rio de Janeiro seja abençoado com recursos federais, tanto os novos, quanto os antigos prometidos e não liberados. Mas que se inclua no pacote a ajuda indispensável, necessária e urgente, humanitária sob todos os sentidos, para os demais estados atingidos por calamidades naturais. O Brasil ainda é um só, e todos são brasileiros pagadores de impostos. Todos são seres humanos. Neste caso, o privilégio específico apenas para aliados políticos se chama canalhice.
