Felipe Peroni, Brasil Economico
Para sanar o problema,
o urbanista Cândido Malta não vê outro jeito além da criação de um pedágio urbano
O trânsito é o primeiro reflexo do espaço urbano para um recorde de vendas de carros. Especialistas afirmam que problemas de lentidão são vistos em todas as grandes cidades do país.
"É um problema que está acontecendo em todo o Brasil", afirma Cândido Malta, urbanista e professor da Universidade de São Paulo (USP). "Enquanto a frota em uso continua crescendo mais do que a oferta viária, aumentam os congestionamentos".
A solução tradicional de investir em obras para melhorar a malha dá sinais de esgotamento. "Com 600 mil veículos entrando em circulação na cidade de São Paulo todo ano, é preciso construir em média 200 avenidas Paulista a cada 12 meses para não piorar", afirma Malta.
"Quem anda a pé ou de transporte coletivo sonha com o automóvel. Mas se todo mundo tivesse automóvel como seria?", questiona.
Para o engenheiro e mestre em transportes da Escola Politécnica da USP Sérgio Eizenberg, a venda de veículos não deve ser considerada um problema. "O carro não é o vilão", diz Eizenberg. "O problema é o uso diário do automóvel, para trabalhar, que causa o trânsito em horários de pico".
O engenheiro vê que isso ocorre pela falta de sistema de transporte público adequado.
"Grandes metrópoles precisam de um sistema de alta capacidade. O metrô deve ser a espinha dorsal do sistema de transporte público, não os corredores". Além disso, segundo os especialistas, a baixa qualidade dos ônibus diminui a eficácia dos corredores.
Mais do que falta de verbas, o metrô não cresce por falta de prioridade. "Com todo o dinheiro investido no Trem Bala daria para construir 200 km de metrô, segundo os preços internacionais", calcula Eizenberg.
Para Malta, o problema é mais grave do que a perda de tempo no trânsito. "Essa piora no tráfego degrada as áreas que estão congestionadas", diz o urbanista. "O espaço público deixa de ser o espaço de convívio e passa a ser o duto por onde os carros passam, congestionados".
Mesmo com essa perspectiva, Malta não prevê um colapso no sentido estrito. "Antes de parar tudo, as pessoas começam a abandonar a área. Ocorre um esvaziamento das áreas congestionadas, como ocorreu no centro trinta anos atrás".
A saída para o problema pode ser muito impopular. "Não vejo outro jeito senão estabelecer um pedágio urbano". A medida foi a solução encontrada por outras metrópoles, como Londres. Mas no caso da capital britânica, quando a solução foi adotada, em 2003, a cidade já possuía cerca de 400 km de metrô - em São Paulo, são cerca de 70 km de trilhos.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Que raios tem esta turma de, diante de um problema de serviço público, apelar sempre para soluções que assaltam mais ainda o bolso dos contribuintes?
A saúde vai mal? Então tome-lhe CPMF. Não se pensa nunca em dar melhor destinação ao recurso público que já existe e, como sabemos, é desviado aos borbotões de sua verdadeira finalidade. Caramba, quantas taxas e contribuições já são cobradas justamente sob a desculpa de se investir em melhorias das condições de tráfego? E por que, então, tais recursos não são ali aplicados?
E tem outra: existem uma série de soluções, até baratas, sem a necessidade de novas taxações, que aliviariam muito o complexo viário urbano, como, por exemplo, ampliar e qualificar o transporte público!
Que os governos, em todos os seus níveis, apliquem com a devida correção o dinheiro que nos é tirado em forma de impostos, taxas e contribuições -são mais de 60 -, antes de se inverstir em novos assaltos.
A idéia de pedágio seria adequada apenas se todas as demais alternativas já tivessem sido esgotadas, o que, no caso brasileiro, jamais foi o caso.
