domingo, janeiro 09, 2011

Será que o câmbio continua flutuante?

Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico

Entre tudo o que se pode dizer a respeito da medida do BC que estabeleceu o recolhimento compulsório de parte da moeda estrangeira que entrar no Brasil a partir de abril, três pontos devem ser destacados. O primeiro é o mais óbvio de todos: o governo precisava fazer algo para conter a valorização do real, que havia alcançado níveis preocupantes.

E o fez de modo a não deixar dúvidas quanto às suas intenções. Além disso, e esse é o segundo ponto, o BC tomou suas providências sem ferir um único contrato celebrado em data anterior a ontem.

Quem já havia colocado moeda estrangeira no país poderá utilizá-la, na forma da lei, da maneira que julgar mais conveniente e levá-la de volta no momento em que bem entender.

Finalmente, é preciso olhar a medida por seu impacto imediato na taxa de câmbio - mas também não se pode ignorar o efeito que ela terá, no futuro, sobre a competitividade da indústria brasileira.

Esse talvez seja o aspecto mais relevante de todos. Com o dólar em queda livre diante de um real cada vez mais valorizado, o parque industrial brasileiro vinha perdendo competitividade em ritmo acelerado e, diante do que parecia irreversível, perdia, também, o estímulo para produzir.

A medida não significou uma desvalorização forçada e abrupta do real - algo que, numa economia estável e dinâmica como é a brasileira, pode ter um efeito tão nefasto quanto a valorização excessiva.

Uma puxada radical no dólar teria como consequência imediata a elevação dos preços de produtos importados que hoje são essenciais no mercado.

O certo é que, daqui por diante, o governo dispõe de um mecanismo que lhe possibilita acompanhar a evolução do câmbio e aumentar ou reduzir o compulsório conforme a necessidade.

Não é o fim da flutuabilidade - mas um ajuste na política cambial que funcionará a favor, e não contra o mercado.

Mais ou menos como acontece no mergulho: se as condições do fundo mar não são as ideais, um pouco mais ou um pouco menos de ar no colete dão mais segurança e tranquilidade.