segunda-feira, março 28, 2011

Firmando atestado de incompetência

Adelson Elias Vasconcellos

Praticamente, e uma vez por semana, estamos postando aqui artigos e reportagens que tentam mostrar ao país uma dura realidade que precisamos aceitar sob pena e risco de jogarmos no lixo esta tal “credibilidade externa” que o governo petista se orgulha tanto de haver conquistado.

Claro que tal afirmação deve ser vista com muita reserva e cautela. Mas isto vamos deixar para outra hora. O fato é que esta megalomania iniciada por Lula de querer obrigar o país a bancar coisas fora dos limites de sua capacidade de investir e patrocinar, precisa ser repensada.

Estou me referindo, claro, aos três eventos internacionais que o Brasil se candidatou sem que tivesse um mínimo de condições para tanto. E, quanto mais o tempo passa, mais a crítica que faço parece consolidar-se. As reportagens abaixo sobre a infraestrutura precária do país, nossa incapacidade de dotar nosso sistema aeroportuário de condições satisfatórias para bancar o fluxo que é esperado, não é novidade alguma.

Além de tudo o que aqui já se disse em relação ao tema, vou renovar a sugestão que venho apresentando desde o ano passado para minorar o tamanho do mico que estamos prestes a pagar: que o país reduza a quantidade de sedes na Copa Mundo em 2014 para a metade ao menos. Seria uma maneira mais racional de investir no necessário e elencado pelo caderno de encargos da FIFA.

A África do Sul, com muito menos, e contando com apenas três sedes, se não foi dez no cômputo geral, pelo menos apresentou o evento sem maiores percalços. E com apenas três sedes, a Copa em 2010 se desenrolou de maneira impecável.

O tempo que corre contra nós, já não nos permite, por exemplo, dotar os aeroportos das obras e reformas necessárias. O próprio IPEA já admite este fato. Há estádios que sequer saíram do papel, e outros ainda, como o de Natal, RN, que sequer tem projeto definitivo. Imaginem então quanto tempo demandarão para obterem todas as exigências que a lei determina para suas obras serem autorizadas e iniciadas!

Muitos falam dos estádios e dos aeroportos, mas bancar Copa das Confederações, em 2013, Copa do Mundo, em 2014 e Jogos Olímpicos, em 2016, não exigirão do Brasil apenas estádios e aeroportos. Obras viárias diversas, e que o país apresentou como elemento chave para sua candidatura ser vencedora, sequer se tem notícias de como vão, ou até o que, afinal, será feito e construído.

Já demonstramos aqui que o perigo dos atrasos abrirem vasto caminho para falcatruas de toda a sorte, é real. Veja o caso do Maracanã. Hoje, sem a cobertura já condenada, mas não prevista no projeto original, seu orçamento já subiu três vezes de valor. Imaginem com a tal cobertura! Neste sentido, fica difícil entender os críticos de João Havelange, que recomendou que se demolisse o atual estádio e em seu lugar se construísse um novo, mais moderno e bem mais barato. O famoso estádio de Wembley, em Londres, é bem um exemplo do quanto o saudosismo é burro e caro! Lá, os ingleses, este país pobre e sem dinheiro, jogou no lixo a balela saudosista, demoliu um estádio símbolo, e no lugar, construiu uma arena moderna e com custo bem menor do que custaria manter e reformar o centenário estádio.

Já aqui, este país rico, onde os recursos financeiros são abundantes, podemos nos dar ao luxo de torrar bilhões na reforma de um estádio recentemente reformado, nos Jogos Panamericanos em 2007, enquanto sua população não tem saúde, saneamento e segurança!

Assim, ganharia o país se reunisse a cúpula da FIFA para uma conversa franca e aberta, admitindo não ser possível sediar a Copa em 12 cidades-sedes, e reestudasse sua organização com apenas a metade. Creio que a própria Fifa acataria a sugestão de bom grado. O próprio presidente Joseph Blatter tem sido crítico pela maneira pouco inteligente como o Brasil vem conduzindo as obrigações que assumiu.

"A copa é amanhã e os brasileiros acham que ela é depois de amanhã", disse o presidente da entidade máxima do futebol. Blatter alerta que existe o risco de que nem o Rio de Janeiro e nem São Paulo estejam preparados para receber jogos da Copa das Confederações em 2013.

Segundo ele, existem dois problemas principais no Brasil, o primeiro é a briga política entre governadores e prefeitos. "Isso tem de ser superado rapidamente", diz. O outro problema é a falta de pressão da CBF sobre as autoridades.

Segundo Blatter, o Brasil está mais atrasado que a África do Sul antes da Copa de 2010.

O problema é vencer a barreira imbecil da arrogância estúpida e do orgulho burro de nossos atuais governantes. Sendo assim, corremos o sério risco de jogar m_--- na tal “credibilidade externa” e a troco de coisa nenhuma. Convenhamos, este é o pior caminho para um país que se deseja “grande nação” na visão fantasiosa desta gente que acha que a natureza dá saltos. Não dá, quando muito, tem sobressaltos, mas de vergonha ou falta dela.