Por Jorge Serrão, Alerta Total
Por decisão da Presidenta da República, o motor dos carros dos brasileiros terá um rendimento ainda pior. Dilma Rousseff deu sinal verde para que a Agência Nacional de Petróleo autorize que o etanol anidro (que no passado se chamava “álcool”) tenha 1% de água. Até sexta-feira passada, o teor máximo permitido era de 0,4%. Quem sofrerá mais desgaste é o veículo a gasolina – que já é misturada com 20% de álcool – agora com mais água.
A mudança no teor de água no etanol pode ter relação direta com a recente visita de Barack Obama. Antes não podia, mas agora Brasil agora pode importar, sem problemas, o “etanol” dos EUA – que tem maior teor de água. O governo e a ANP alegam que a intenção é conter os aumentos de preços nos combustíveis. A retórica oficial também propagandeia que, devido à alta internacional do petróleo, sairá mais barato para o Brasil importar álcool que gasolina.
A conversinha fiada do governo só não se sustenta com os fatos. Dia 15 de abril, chega ao Brasil um mega-carregamento de gasolina importada pela Petrobrás. O diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, alega que o combustível será armazenado para garantir o abastecimento no mercado interno – que ficou aquecido, com a alta do preço do etanol nas bombas dos postos.
O aumento do consumo de gasolina ocorre na entressafra da cana-de-açúcar, quando a disponibilidade de etanol é ainda menor e os preços sobem. No ano passado, a Petrobras importou 3 milhões de barris de gasolina de várias origens no início do ano, o que não fazia há cerca de 40 anos. As refinarias da Petrobrás trabalham a plena capacidade, produzindo 380 mil barris diários de gasolina, totalmente absorvidos pela demanda doméstica.
No final das contas, quem se dana é o consumidor. Continuará pagando uma fortuna por um combustível de qualidade questionável. Tudo para alegria das oficinas mecânicas, já que os carros têm mais desgaste com combustível mais cheio de água ainda.