Adelson Elias Vasconcellos
Infelizmente, a falta de educação do país, vai causando estragos cada dia mais visíveis. Tem gente que ainda não percebeu o que caracteriza um país democrata. A opinião expressa pelo deputado Jair Bolsonaro, sobre negros e gays, é um estupidez explícita? É sim. Contudo, mais estúpidos são os que em nome de uma causa, não conseguem separar o que seja uma opinião pessoal, direito que o deputado exerce de acordo com a Constituição, do que seja uma manifestação de racismo ou preconceito.
Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Esta ditadura de “aceitação” está longe de se impor sobre todos e qualquer indivíduo está livre para se manifestar sobre se gosta ou não, se simpatiza com A ou B, ou não. Nem precisa o alvo desta opinião pertencer a estas minorias que adoram impor-se de forma ditatorial. Pode até ser o vizinho do lado de casa.
Estas manifestações que estamos assistindo, a partir de uma opinião em que um parlamentar se manifestou contra grupos, nada tem a ver com racismo ou preconceito.
Para que o racismo se caracterize é preciso que se vá um pouquinho adiante de uma simples opinião contra quem quer que seja. É preciso haver algum tipo de atitude hostil. O racismo, quando caracterizado, é um crime previsto e tipificado em lei. Onde se estampa em uma simples opinião esta transgressão?
Esta palhaçada que se tenta emplacar na sociedade brasileira, com a criação de leis contra a homofobia é de uma imbecilidade dolorosa. Ninguém, repito, ninguém, está obrigado a aceitar fulano ou beltrano, ou lhe reverenciar juras sentimentais. Que o senhor Bolsonaro é estúpido, ignorante e até se pode dizer uma pessoa odiosa, pelas opiniões e manifestação que faz, é um fato. Porém, em momento algum ele feriu qualquer lei antiracista.
Você pode não gostar ou concordar com as opiniões do deputado, porém, também é fato que ninguém lhe pode negar o direito de expressá-las. Ou será que o direito de expressão é válido apenas para com as opiniões que a maioria admite?
Este é o ponto: em momento algum Bolsonaro incentivou ações contra quem quer que seja. Deu sua opinião sobre grupos que defendem causas, causas estas que, na sua concepção idiota, são imbecis. Contudo, aos que não concordam com sua opinião se percebe, claramente o preconceito contra quem pensa diferente da maioria dos “pensadores” politicamente corretos. Que Bolsonaro seja preconceituoso é uma coisa, como preconceituosos também o são os que hoje se levantam contra a sua voz para atacá-lo.
Que Bolsonaro seja julgado pelas pretensas ofensas que suas declarações destrambelhadas possam ter atingido alguém em particular. Contudo, que não se ataque a liberdade de expressão por ele pensar diferente de certos grupos. É um direito, ponto. Incrível é ver uma ministra da tal Igualdade Racial, que sequer conhece a natureza da sociedade brasileira, falar em racismo. Sem dúvida, o debate político no Brasil cada dia mais se reveste de pura ignorância. Ser diferente, pensar diferente, agir diferente só é válido para um lado, jamais para as duas avenidas do pensamento.
Quando Bolsonaro se expressou em relação a profissionais formados a partir de cotas raciais, nada mais fez do que levantar uma questão importante: bons profissionais são fruto de boa formação e muito esforço individual. Sua graduação se deveu ao fato de terem merecido o diploma, ao contrário dos cotistas que se formarão profissionais, com ou sem mérito algum. Cor de pele é algum juízo de valor sobre a capacidade de alguém ser bom ou mau profissional? Assim como ele não concorda com a política de cotas, grande parte da sociedade brasileira, e que não é racista, diga-se de passagem, também não concorda. É um privilégio indevido e não meritório. E dentre estes que discordam, há contingentes de brancos, negros, pardos. Ou será que discordar das cotas, pelo fato de ser branco é prenúncio de racismo, mas se for negro ou pardo, seria apenas fruto de4 desinformação? Convenhamos, um pouco de juízo e bom senso não faria mal algum a ninguém!!!
É bom que o país retome o bom senso do debate com urgência: a cada dia se percebe uma cisão social, derivada de um racialismo que se está incrustando no sentimento das pessoas, movidos por grupos que, em nome da igualdade, criam ações separatistas. Vão moldando na sociedade, grupos antagônicos, classes privilegiadas de gêneros e pele que representam muito mais um total obscurantismo.
Uma sociedade como brasileira não tem um perfil único de pessoas: é a soma de diferentes indivíduos, cada um dotado de características próprias, com diferentes graus de cultura. A sociedade não feita apenas de brancos, ou negros ou índios. Nossa etnia é fruto da soma destas três origens. A soma de todas resultou num povo moldado em diferentes da raça humana. A própria ciência já comprovou que os negros brasileiros tem seu DNA muito mais europeu do que africano, razão pela qual é uma estupidez se tentar triunfar uma origem afro-brasileira ou afrodescendente. Neste caso, fica claro que os grupos de negros que se organizam em torno de uma causa de igualdade racial, no fundo, sentem é vergonha de sua origem europeia, uma vez que entende que o traço africano lhes oportuniza mais concessões diante de todo o país. Se consideram mais brasileiros do que os brancos, se acham donos de privilégios em razão do passado escravocrata do que apelam para benefícios sociais além do próprio mérito do esforço pessoal. De repente, homossexuais, masculinos ou femininos, também querem para si a criação de guetos especiais, com direitos especiais, com privilégios especiais a sua condição ou opção sexual. Ou seja, estes guetos de apaniguados, resolveram criar um país a parte, com leis e amparo do Estado especiais, apenas fruto de sua condições de cor ou de opção sexual. Tentam criar códigos morais apenas para si, esquecendo-se de que todos são iguais perante a lei.
Ou seja, querendo defender suas causas de igualdade, querem se apartar do grupo social e serem reconhecidos como grupo a parte. Infelizmente, sua causa tende a gerar aquilo contra o qual levantam sua voz: o próprio racismo, mas não mais apenas derivado da cor da pele, o que já seria uma aberração, mas também por conta de sua orientação, sexual, religiosa, política e assim por diante. É a ignorância suprema tentando tomar conta do bom senso. A isso chegamos, infelizmente.
Um detalhe final: Bolsonaro é deputado porque um grande número de eleitores o elegeu. Ele hoje é o que sempre foi: estúpido, grosseiro, mal educado. Assim, ele não caiu no Congresso de graça, não. Agora reparem: quem escolhe Bolsonaro, também escolhe Maluf, Jader Barbalho, Renan Calheiros, dentre outros. E depois ainda querem que o STF faça pelo povo aquilo que o próprio povo foi incompetente de fazer, isto é, de escolher direito seus representantes, ou ao menos aqueles que sabidamente são pessoas honestas, cultas e bem formadas? Ora, tenham a paciência! Não há lei Ficha Limpa capaz de fazer o eleitor ser melhor do que é em suas escolhas. Para isto, o único caminho é pela educação. Neste caso, porém, onde está a preocupação da própria sociedade com o nível de ensino dos jovens e crianças?
Olha, é bom que a sociedade eleve um pouco o nível sobre a discussão de certos temas: a continuar neste embalo, chegaremos ao tempo em que ser branco, heterossexual, democrata, liberal e defensor das leis, ainda serão tornados crimes hediondos.
Bolsonaro deveria levar uns cascudos e ser criticado pelo conteúdo do que disse, mas jamais por conta disso ter seu direito de expressar o que pensa. A democracia nos cobra um preço por vezes muito alto para ser mantida e desenvolvida na sua plenitude, e uma delas, é a convivência que deve ser harmoniosa e pacífica com aqueles que pensam e se expressam de forma diferente da maioria.