Adelson Elias Vasconcellos
Os tempos no Brasil são, sem dúvida alguma, de baixarias de todo o lado. Isto demonstra que a educação, apesar dos bilhões que nelas são jogados anualmente pelos diferentes governos, não consegue sair do buraco em que se encontra. Claro que existe a publicidade oficial e facciosa do governo federal sobre as conquistas maravilhosas do MEC ao longo do governo do PT. Mas a gente sabe, por outro lado, o quanto a propaganda oficial é mentirosa e cretina em muitos aspectos.
Com educação ruim, com maciça e falsa publicidade sobre feitos irreais, de puro delírio, ao melhor estilo soviético, o governo petista tem conseguido reter a indignação popular no seu nível mais baixo, quase irrelevante. Mais adiante há reportagens do Estão e da Revista Época contando detalhes e minúcias de um relatório da Polícia Federal confirmando que o mensalão, apesar da palhaçada de Lula, Dirceu & Gangue Corporativa Petista afirmarem ao contrário, lá está demonstrado a sua existência, naquele que talvez sido o maior escândalo de corrupção entre poderes que já aconteceu na história do país. Sequer haverá movimentos de rua em protesto aos protagonistas da vigarice, como ainda corremos o sério risco de não ver ninguém punido por desviar dinheiro público ou para benefício próprio ou para a compra da consciência de um Poder pelo outro.
Dentre tanta safadeza que o governo petista, Lula e Dilma, tem cometido, o caso da Vale e interferência ilegal, indecorosa e indevida no comando da companhia é um destes casos sem paralelo no mundo civilizado, capitalista e democrático.
O governo Dilma, desconhecendo que a Vale é uma empresa privada, com ações em cinco bolsas de valores espalhadas pelo mundo, com seu capital pulverizado entre mais de 4,0 milhões de acionistas, guardando um ressentimento descomunal pela privatização da companhia que retirou do PT a possibilidade de ali alojar, de forma absolutamente desqualificada, alguns milhares de sindicalistas e militantes incompetentes e vagabundos, resolveu acionar suas baterias de atraso para torpedear o sucesso do processo que tornou a Vale uma empresa privada.
Claro que a mudança na presidências das companhia privadas é algo que acontece todo o dia, sem traumas, sem consequências ruins para os negócios, mas sempre feito dentro das regras de civilidade, com transparência e sem este bacanal que Dilma armou contra a Vale. Por justiça, esta desgraça começou com Lula. Dilma apenas dá o acabamento de um crime.
Pois bem, a Revista Exame em sua última edição apontou os feitos de Roger Agnelli à frente da Vale, desde que assumiu sua presidência. Em uma década, Roger Agnelli elevou a receita bruta anual da Vale de 4,1 bilhões para 46,5 bilhões de dólares. O lucro líquido neste período saltou de 1,3 bilhões para estupendos 17,3 bilhões de dólares. O investimento se multiplicou de 1,5 bi para 19,4 bi de dólares. Em valor de mercado, o crescimento foi espetacular: saiu de 10 bi para 173 bi de dólares, tornando-se a segundo maior mineradora do mundo, a maior empresa privada e maior exportadora do país. Em 2010, a Vale pagou 12,5 bilhões de reais em impostos, 3 bilhões de dólares em dividendos a acionistas, e nestes dez anos, investiu cerca de 85 bilhões de dólares em aquisições de outras empresas. Como resultado, enquanto no período o IBOVESPA valorizou cerca de 365%, as ações da Vale se valorizaram em 1700%. São números estupendos, a comprovar tanto exito do processo de privatização de uma estatal que vivia à deriva, como os acertos de um administrador que apenas fez crescer a companhia que comandou por uma década.
Não poderia o governo alegar razões técnicas para a mudança de comando na Vale, seria ridículo diante dos resultados obtidos por Agnelli. No fundo, e isto é o suprassumo do absurdo, o governo quer ditar a política estratégica que deve ser seguida por uma empresa privada, logo ele, o governo federal petista, que sequer consegue cumprir minimamente suas principais funções na área de serviços públicos.
Não apenas isso: foi justamente por seguir e perseguir a política que entendeu ser a melhor para o atual momento da companhia, com aproveitamento das excelentes oportunidades da economia mundial, que a Vale cresceu e se tornou um gigante mundial.
Restam as razões políticas que, em sendo a Vale uma empresa privada, demonstra bem os propósitos rombudos e grotescos que se escondem por detrás desta “fritura”. Mas não são apenas razões políticas, há razões pessoais, caso de amor mal acabado entre Agnelli e a presidência da República, atual e anterior. E isto, senhores, coloca em risco a credibilidade do país junto aos investidores estrangeiros. Diante de tamanha falta de seriedade – e isto é dizer pouco do significado desta intromissão – não há segurança para se sustentar que o Brasil é um país amadurecido para recepcionar investimentos estrangeiros, dos quais precisamos mais do que nunca para atingir o ambicionado crescimento sustentável. Quando um governo pensa apenas em si mesmo, misturando sua mesquinharia politiqueira com assuntos privados, está dando seu recado ao melhor estilo Hugo Chavez: a de que ainda não somos nem um país sério tampouco confiável. Não estamos amadurecidos o suficiente para nos tornarmos um país civilizado, decente, onde os negócios privados são negócios privados. Agnelli deu à Vale um impulso que nem o governo Lula foi capaz de dar às suas estatais. Poderia alegar a Petrobrás. Bem, esta caixa preta da maior estatal brasileira, apesar das urdiduras matreiras praticadas pelo petismo, não consegue esconder a verdadeira história do “decantado” crescimento da Petrobrás de 2003 para cá. É que as bases que assentaram “esta mina de ouro”, estão lá atrás, e o PT, a rigor, entrou no jogo apenas para atrapalhar.
O que impressiona não é o governo petista, seja de Lula ou de Dilma, agirem de forma tão imbecil. Isto é bem característico das esquerdas, adoradores da idade da pedra. O que não se entende, pelo menos à luz do que se sabe, é o Bradesco, também uma instituição privada, ter cedido à pressão governamental para trocar Agnelli por alguém mais afeito às pressões políticas. Como até agora o Bradesco sequer se pronunciou de forma transparente, indicando razões de bom senso para aceitar ser “pau mandado” do governo petista para a interferência inescrupulosa no comando e negócios internos da maior empresa privada do país, ficam abertas todas as alternativas, boas e más, para a submissão do Bradesco à vontade real ou imperial do Planalto.
Portanto, a questão colocada lá alto, é pertinente sim: qual foi a taxa de sucesso que o Bradesco recebeu do governo federal para ceder à política canalha de intromissão na Vale? Quais vantagens lhe serão concedidas, de forma privilegiada e exclusiva, que não serão ofertadas às demais empresas do país, para se curvar de forma tão vergonhosa?
Pode até não ser nada disso. Mas até que a direção do Bradesco venha à publico se explicar, e com clareza, sem subterfúgios, a questão permanecerá uma enorme interrogação para, principalmente, os acionistas da Vale. Afinal, por conta desta putaria federal, as ações da companhia já caíram de 46 dólares para 32 dólares. Um perda significativa que, logicamente, o governo de dona Dilma Rousseff não terá coragem de indenizar os prejudicados por sua leviandade.