sexta-feira, setembro 14, 2012

Argentinos fazem panelaço contra Cristina Kirchner


Janaína Figueiredo
O Globo

Ideia surgiu nas redes sociais após mais um discurso da presidente em cadeia nacional

JANAÍNA FIGUEIREDO 
Panelaço reúne milhares de pessoas em Buenos Aires

BUENOS AIRES — Na capital argentina e em outras cidades do país como Rosário, Córdoba, Bariloche e Tandil várias centenas de pessoas estão participando na noite desta quinta-feira de novos panelaços contra o governo da presidente Cristina Kirchner. Os protestos foram convocados por meio das redes sociais Facebook e Twitter para repudiar medidas adotadas pela Casa Rosada e, principalmente, a possibilidade de que o kirchnerismo promova uma reforma constitucional no Congresso para permitir um terceiro mandato consecutivo de Cristina.

Em Buenos Aires, os manifestantes se reuniram em bairros como Caballito e Recoleta e estão marchando até a Praça de Maio. As mensagens nos cartazes são enfáticas: “Basta de diKtadura” e “Não à reeleição indefinida”. Outros pedem a renúncia do vice-presidente, Amado Boudou, envolvido num delicado escândalo de corrupção que está sendo investigado pelos tribunais locais.

A atual Constituição, reformada em 1994, permite apenas uma reeleição e vários aliados da presidente já manifestaram o desejo do governo de modificar as normas do país para que a chefe de Estado possa disputar as eleições de 2015. Cristina não se referiu ao assunto, mas tampouco negou as versões que há várias semanas estão circulando na Argentina. Segundo analistas locais, o objetivo do governo seria vencer as eleições legislativas de 2013, assumir o controle total do Parlamento e, posteriormente, reformar a Constituição.

A marcha desta quinta também foi organizada para repudiar os constantes discursos da presidente em rede nacional de rádio e TV. Este ano, Cristina já realizou 17 cadeias, interrompendo até mesmo o horário nobre da TV local. Muitos manifestantes também se queixaram pelas intervenções do governo no mercado cambial (hoje é praticamente impossível comprar dólares no mercado oficial) e as novas medidas que encareceram as viagens ao exterior. A inflação, que este ano deverá chegar a 25%, também está na agenda de dramas cotidianos mencionados pelos manifestanes.

- Sentimos que estamos perdendo nossas liberdades, este governo pretende controlar totalmente a vida dos argentinos - questionou o engenheiro Gastón Hourcade, de 36 anos.

Segundo ele, “é preciso dizer basta à tentativa de Cristina de perpetuar-se no poder”.

Cristina preferiu estar fora da cidade e não acompanhar de perto o panelaço. A presidente viajou para a província de San Juan, no norte do país, para inaugurar fábricas e obras de infra-estrutura. No twitter, seus aliados minimizaram os protestos.

“Os bairros ricos da cidade pedem um dólar livre e uma abertura da economia”, escreveu Luis D´Elia, um dirigente social vinculado à Casa Rosada.