Comentando a Notícia
Dilma Rousseff naquelas famosas e festivas solenidades planaltinas de lançamentos de esperanças, (nem a Nasa é tão frutífera em lançamentos quanto os governos petistas), aproveitou o momento para anunciar e detalhar um pouco mais seu plano energético. Claro, sendo véspera de eleições, não poderia em seu discurso perder especial oportunidade de desferir estocadas agressivas e críticas aos adversários, mormente, aos tucanos, obsessão delirante do petismo.
Dentre outras esquisitices, saiu-se com um autoelogio de que, em seu governo, os contratos são cumpridos. Heeeeiiiinnnn? Como assim, são cumpridos? Estaria a soberana imperial insinuando que no governo FHC os contratos não eram cumpridos? Sim , porque sendo como diz, que a herança recebida de Lula foi bendita, a crítica só poderia recair em FHC. Pois é, para ver como as coisas são: o tempo voa, a memória encurta e as pessoas ficam idiotizadas pelo andar da carruagem. Ora, para ser eleito, quem foi mesmo, dona Dilma, que precisou divulgar uma carta aberta ao povo e ao mercado, jurando que iria cumprir contratos, dado o seu passado de absoluta negação?
E adoraria que a soberana destacasse um único e miserável descumprimento de contrato que tenha ocorrido no governo FHC. Assim, portanto, resta-nos dizer: menos, presidente, menos.
Depois, deitou falação sobre as glórias do reinado petista no ramo da energia elétrica. Comecemos pelo básico: a mentira do apagão. Ele ocorreu dentro do governo FHC que instalou um gabinete de crises, reunindo diversos especialistas e resolveu o problema, sem recorrer ao truque baixo de transferir culpas e responsabilidades. Quando Lula assumiu em 2003, dona presidente, o apagão já estava todinho iluminado, e com um plano de ações e de investimentos pronto e detalhado para o longo prazo.
Recolocada ordem na casa, com a verdade ocupando seu devido lugar de honra, vamos em frente. Dilma anunciou o enorme benefício sobre as reduções de tarifas de energia. Legal seria não fosse a enorme dívida acumulado pelo governo petista, e denunciada pelo TCU, da milionária cobrança a maior praticada contra os consumidores. Já falamos a respeito.
O que talvez o leitor não saiba que esta “enorme” desoneração, foi a retirada de todos os penduricalhos que o governo Lula, com dona Dilma comandando o Ministério das Minas e Energia, foi atrelando às faturas de energia elétrica de 2003 para cá. Ou seja, o governo praticou um mea culpa sobre sua própria política de encarecer as contas de energia. Assim, ao assumir o governo em 2003, nem Lula encontrou apagão, como também o consumidor pagava menos do que passou a desembolsar no governo petista pelo consumo de energia elétrica. E mais: conforme já informamos inúmeras vezes aqui, apagões tem sido frequentes em Brasília e em Manaus, mas também eles ocorrem, com menor intensidade, em estados do Norte e Nordeste. Portanto, Dilma fala sobre o que não sabe, e anuncia um benefício que, no fundo, se trata-se de pagar o que os governos petistas estavam cobrando a mais.
Portanto, Dilma continua mentindo, inventando histórias e tentando capturar para si virtudes que não possui. O caminho da energia elétrica no Brasil, quando Lula, já estava devidamente pavimentado, limpo e em tempo de colheita.
Em resumo, a árvore de natal em que foi transformada a tarifa de energia, a partir do governo Lula, gerou o seguinte comentário da jornalista Miriam Leitão:
O custo dos encargos no MWh subiu 196%, quase triplicou de 2003 a 2011. Só em um dos fundos o governo tem R$ 19 bilhões.
Há muita gordura para se tirar das contas de luz, seja residencial, seja industrial, e gordura colocada recentemente. De 2001 para cá, o aumento acumulado na tarifa média industrial foi de 201%, enquanto o IGP-M subiu 118% e o IPCA 87%.
Metade da conta de luz residencial é formada por impostos, encargos e taxas. Apenas 24% representam o custo de geração; 21%, o custo de transmissão; e 5%, o de transporte, segundo levantamento da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia).
De todos os penduricalhos que foram sendo depositados na conta de luz, o que mais arrecadou em 2011 foi a CCC. Todo mundo paga para subsidiar o uso de termelétricas a combustível fóssil na Amazônia. Só no ano passado foram arrecadados R$ 5,9 bilhões.
Esse encargo existe desde 1973. Imagina se tivesse sido usado para financiar o uso das novas energias renováveis na região. Faria muito mais sentido em todos os aspectos.
Temos aí que, a partir de Lula, o consumidor pagou pela energia elétrica, valores exorbitantes , que fizeram a alegria das arcas do tesouro nacional. Recurar na cobrança de tantos encargos, portanto, não é nenhum favor, é muito mais do que uma obrigação, já que o temor de apagão, e a execução de um plano de contingências já afastaram, no momento, o risco de se provocar racionamento. Até porque, as chuvas, no tempo e quantidades certas, tem mantido os reservatórios das hidrelétricas em nível seguro, diante da demanda atual do país.
Mas existem muita coisa preocupante neste pacote. Na medida do possível, vamos apresentá-las para reflexão. Uma delas, conforme já demonstramos é justamente o contrário do que a soberana imperialmente declarou: houve sim, quebrar unilateral e arbitrária de contratos. E que o governo reze para que as concessionárias não resolvam ir à Justiça.