Fabio Leite
Veja online
Cerca de 150 grevistas ocupam parte da ponte do Piqueri, na Marginal Tietê, provocando lentidão no trânsito. Investigações ficam afetadas
(Marcello Casal Jr./ABr )
Servidores da Polícia Federal em greve
protestam em frente ao Palácio do Planalto
O serviço de inteligência da Polícia Federal (PF) de São Paulo aderiu nesta quinta-feira à greve da categoria, que já dura 36 dias, fazendo um protesto na capital paulista.
Cerca de 150 policiais deixaram às 10h30 a sede da PF na Lapa, na zona oeste da cidade, e ocupam parte da ponte do Piqueri, na Marginal Tietê. O grupo não aceita o aumento de 15,8% concedido pela presidente Dilma Rosseff a todos os servidores federais.
A manifestação provoca congestionamento na Marginal Tietê nos dois sentidos. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), são 7,8 quilômetros no sentido Ayrton Senna e 5,6 quilômetros no sentido da Castelo Branco, principalmente entre as pontes Atílio Fontana e Casa Verde.
De acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), cerca de 1,4 mil servidores da área de inteligência do estado cruzaram os braços nesta quinta. A paralisação afeta todas as investigações da PF, como de tráfico de drogas, bancárias e previdenciárias.
Pressionado por Dilma para resolver o impasse, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ainda negocia uma saída com a categoria. Em agosto, o ministério conseguiu uma liminar deferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibindo as operações padrão da PF em todo o país.
Segundo a Fenapef, apenas os policiais que realizam o combate ao tráfico de drogas nas fronteiras, os agentes dos aeroportos e das carceragens e plantões de delegacias seguem trabalhando. De acordo com a entidade, com a adesão da área de inteligência, nenhuma nova investigação será iniciada até um acordo entre os grevistas e o governo.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É claro que o governo tem a responsabilidade de não se permitir os abusos que vem se verificando nestas reivindicações de certas categorias dos servidores.
Mas há algo, muito preocupante, que a sociedade deve observar com muita atenção. A se atender "tudo" o que estes servidores estão "exigindo", o fosso entre os salários da iniciativa privada e os do serviço públicos, vai se tornar insuportável, exigindo valores cada vez mais gigantescos que serão retirados de prioridades muito mais urgentes para o país. Mas, também, é preocupante a total falta de consciência desta turma: num país em que o salário é R$ 622,00, categorias exigirem salários entre 15 a 30 mil reais, é um despropósito.
A sociedade não paga impostos apenas para serem embolsados por uma elite estatal de privilegiados. Um pouco de bom senso, mas, principalmente, de consciência, não faria nada mal. Gostem ou não, este é um país com um população majoritariamente pobre, que pode ver seus impostos sendo desviados
para pessoas que, rigorosamente, não justificam estes altos ganhos pelos maus serviços que prestam à própria sociedade que os sustentam.
Todo e qualquer profissional merece ser bem pago. Ponto. Mas o que certa ala do funcionalismo está a exigir é um absurdo que além de imerecido, é injustificável e insustentável.
