terça-feira, setembro 25, 2012

Indústria perdeu 1,076 milhão de vagas em 2011


Veja online
Com Agência Estado

Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, emprego na atividade agrícola também caiu (7,3%), o equivalente a 1,105 milhão de vagas a menos

. (Leo Drumond/Agencia Nitro) 
Unidade de laminação da Planta Industrial da Gerdau. 
Número de funcionários da indústria passou de 
13,513 milhões para 12,437 milhões em dois anos

A indústria e o setor agrícola não seguiram o ritmo de recuperação apontado pelo mercado de trabalho nacional em 2011, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira. 

Ambas as atividades continuaram a registrar perdas expressivas no número de vagas. A indústria perdeu 1,076 milhão de vagas em 2011, em relação a 2009 - queda de 8% no número de ocupados, de 13,513 milhões de funcionários para 12,437 milhões. A participação desses trabalhadores na população ocupada também caiu de 14,8% em 2009 para 13,5%.

Já a redução no emprego na atividade agrícola foi de 7,3%, o equivalente a 1,105 milhão de vagas a menos. O contingente de trabalhadores passou de 15,229 milhões para 14,124 milhões entre as duas últimas divulgações da Pnad (2009 e 2011). A fatia dos empregados em atividades agrícolas no total do pessoal ocupado foi reduzida de 16,7% para 15,3.

Outros - Os demais setores apresentaram expansão no número de empregados. O segmento de serviços gerou 2,06 milhões de vagas, aumento de 5%, que ampliou a participação do grupamento de 43,1% para 44,9% no total de ocupados. O grupamento de comércio e reparação criou 302 mil vagas, um crescimento de 1,9%, que manteve sua participação estável, em 17,8%. A construção foi o grupamento que mais cresceu, 13,6% entre 2009 e 2011, mas a geração de vagas ficou em 932 mil postos de trabalho, aumentando sua participação na ocupação de 7,5% para 8,4%.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Muitos estudiosos e especialistas tentam compensar a perda de vagas na indústria com as geradas no comércio e serviços.E este mais de um milhão de vagas perdidas, reparem, se refere apenas a 2011. Imaginem a que fantástico número se chega considerado um período maior de tempo!

Mas esta tal "compensação" explica apenas parte da história. A perda só não é maior, porque muitas empresas estão preferindo, num primeiro momento, reduzir suas margens. Segundo, reduzem também a quantidade de turnos, depois o tamanho da jornada, antecipam férias, criam bancos de horas, tudo no sentido de não perder a pouca mão de obra qualificada que dispõe. Sabem que, de um lado, desempregar e depois readmitir, no Brasil, custa caro, muito caro.  Além disto, a perda de um empregado qualificado não pode ser reposta de imediato, dada a baixa qualificação  média dos trabalhadores disponíveis, associada a baixa escolaridade de sua grande maioria. Reciclar e qualificar na própria empresa requer tempo e investimento alto, com resultados a prazos mais longos.

Esta situação, que é real, explica em parte que, em tempos de baixa atividade econômica, a taxa de desemprego esteja tão baixa. Porém, tal situação acaba criando dificuldades para a indústria nacional, porque força uma perda de competitividade ainda maior quando associada ao chamado “custo Brasil”, razão pela qual a nossa dificuldade em exportar manufaturados e semifaturados, além das restrições no próprio mercado interno, cuja demanda acaba sendo atendida pelos importados, apesar das sobretaxas às importações criadas pelo governo federal.

E, a se ver pelos pacotinhos semanais produzidos pelo governo Dilma, o atoleiro não será desfeito tão cedo. Podemos até crescer um pouco mais aqui e ali, mas sem sustentação ao longo do tempo. Insisto em dizer: estamos jogando fora preciosas oportunidades que poderão não se repetir tão cedo, para dar imenso impulso ao crescimento do país.