terça-feira, setembro 25, 2012

Seis Estados do Nordeste ficam sem energia elétrica. E Dilma afirmou que apagão nunca mais. Será?


O Estado de S. Paulo

Falha no sistema ocorreu à tarde, durou entre 20 e 25 minutos e cerca de cinco milhões de pessoas foram afetadas

Um apagão ocorrido na tarde de ontem deixou seis Estados do nordeste sem energia elétrica. O pane, que durou entre 20 e 30 minutos, começou por volta das 15h50 e atingiu vários municípios da Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Sergipe. Mais de 5 milhões de pessoas foram afetadas.

Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), responsável pelo Sistema Interligado Nacional, tudo indica que o pane ocorreu em um transformador, na interligação Sudeste-Nordeste e Norte-Nordeste.

Na tarde de ontem, havia sido detectado uma explosão de um equipamento na subestação da Companhia Energética do Maranhão na cidade de Imperatriz, no Maranhão, que provocou a queda de energia elétrica em diversas cidades maranhenses e do Ceará, estado vizinho.

O apagão aconteceu das 15h50 às 16h20 e afetou também alguns bairros de Recife e outros municípios pernambucanos. Ainda de acordo com a Coelce, como o sistema de energia é interligado nacionalmente, pode ser que o acidente em Imperatriz tenha provocado queda de energia também em outros Estados do Nordeste.

Com a detecção do problema, para evitar que a descarga danifique aparelhos, um sistema de segurança corta a carga de energia de forma seletiva, para que apenas serviços essenciais como hospitais e escolas não deixassem de ser desabastecidos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que, quando acontece falha no serviço elétrico, o ONS convoca uma reunião para tratar do assunto. Segundo a Aneel, geralmente é aberto um processo de fiscalização para apurar o incidente e podem ser aplicadas multas.

Na Bahia, a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia informou que a interrupção ocorreu entre as 15h50 e as 16h10 e atingiu 289 municípios do estado.

Em Pernambuco, o apagão durou entre as 15h50 e as 16h12. De acordo com a Companhia de Energia Elétrica de Pernambuco, parte da Região Metropolitana do Recife foi afetada. Cerca de 45% dos clientes do estado tiveram o fornecimento interrompido.

Na Paraíba, a queda afetou apenas alguns municípios do leste e do centro do Estado, incluindo a capital, mas durou apenas seis minutos. A Paraíba deixou de receber, neste tempo, a carga necessária para alimentar o estado.

No Ceará, cerca de 200 mil clientes ficaram sem energia entre 15h50 e 16h20. O número equivale a 40% do total de clientes da Coelce. Em Sergipe, os consumidores ficaram sem luz das 15h50 às 15h52. A Energisa não soube informar quantos municípios foram afetados pela queda de energia.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
No discurso em cadeia nacional, na noite de 6 setembro, comemorativo ao Dia da Independência, Dilma Rousseff como que fez uma prévia de seu pacote para o setor elétrico, detalhado dias depois. Não perdeu a oportunidade de criticar o governo FHC, pelo apagão de 2001, como também não se cansa de entoar a mesma ladainha de que o Brasil praticamente vivia às escuras quando Lula assumiu. Já comprovamos a farsa do discurso mentiroso. Em 2003, o apagão já tinha ficado para trás, e regra geral, o modelo implementado pelo gabinete que FHC criou para resolver a questão, é praticamente o que o governo petista vem seguindo. Criaram um tal marco regulatório em 2003, que serve apenas como perfumaria sem tocar na essência do modelo recebido do governo tucano. E não poderia ser diferente, já que havia contratos que deveriam ser cumpridos e Lula se comprometera a não rasgá-los, antes mesmo de assumir.A grande diferença, conforme se verá mais adiante, são os investimentos no setor que minguaram de forma inexplicável. 

Pois bem, volta e meia temos noticiado aqui apagões que vão se repetindo pelo país ao longo destes anos. Apenas para a lembrança do leitor, vale citar os apagões seguidos que ocorrem em plena Brasília. Eles também ocorrem com certa frequência em Manaus, por exemplo, em estados da região Nordeste e alguns poucos na região Norte. São áreas em que os apagões se intercalam em suaves prestações regionais. 

Há pouco mais de uma semana, informamos o enorme apagão na região metropolitana de Manaus que ficou às escuras durante horas. Acima, temos outro, ocorrido no Nordeste. Claro, claro, Dilma dirá que estes de agora são eventuais “acidentes”, e não “apagões”. Alguém precisa lembrá-la que apagão significa ficar às escuras, seja por racionamento ou por “acidente”.

No discurso em que lançou o tal pacote elétrico, creio que Dilma Rousseff deve ter levado um choque na tomada do seu microfone, face aos absurdos que citou. Aqui, já desmentimos muitos deles. E para ficar claro: a presidente, cinicamente, mente ao afirmar que o Brasil está livre dos apagões. Pelo contrário, soberana: somos os recordistas mundiais neste quesito.  E o que é pior: não por falta de geração de energia, não, como ocorreu em 2001, em razão de dois anos seguidos de seca e que provocaram o esvaziamento dos reservatórios de grande parte das nossas hidrelétricas. A diferença é que, em 2001, ao invés de transferir responsabilidade e até negar o fato, o governo FHC criou um gabinete sob a chefia de Pedro Parente, que reuniu especialistas e entregou a Lula um modelo racional, equilibrado e implementado, já sem a chancela do racionamento.  

Hoje, de um lado temos a falta de manutenção em estações e linhas de transmissão. E, de outro, é a falta da própria linha de transmissão que impede que a luz chegue aos domicílios. 

Para o leitor ter a exata dimensão  do tamanho deste problema, apenas nos dois primeiros meses do ano, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente – ainda sem explicações precisas – garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções. Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas. Somando o  ocorrido agora no Nordeste, deixando cinco milhões às escuras,  somente no governo petista de Lula e Dilma, já seriam três grandes apagões em grande escala, afora as pequenas ocorrências, que nos tornaram recordistas mundiais. 

Os constantes blecautes estão traduzidos na piora do indicador de qualidade do fornecimento de eletricidade, medido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos últimos três anos, o tempo médio que o brasileiro ficou sem luz subiu quatro horas. “Hoje temos energia e não conseguimos entregá-la com a qualidade necessária. O problema é que o governo nunca explica o real motivo dos apagões”, afirmou o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.

Para especialistas, a origem dos apagões está em investimentos menores que a necessidade da rede de transmissão e distribuição. “Houve um descompasso entre os investimentos da geração e transmissão”, disse o presidente da Compass Energia, Marcelo Parodi. Mas o problema não é a falta de novos empreendimentos, já que a Aneel tem feito leilões contínuos de linhas de transmissão e as distribuidoras, ampliado o número de clientes.

O problema está nos equipamentos antigos, que nem sempre recebem a manutenção adequada, especialmente diante do forte aumento do consumo. De 2000 pra cá, o uso de energia pelo brasileiro subiu 36%, apesar do racionamento, que derrubou em 8% o consumo em 2001. Querem mais uma pequena amostra do quanto o governo Dilma mente sobre o “seu” modelo elétrico? Vejam o post seguinte, do site Contas Abertas sobre os investimentos da Eletrobrás: está estagnado. As aplicações da estatal atingiram, no primeiro semestre, a cifra de R$ 2,1 bilhões, valor que corresponde a somente 20,8% do orçamento disponível para o ano (R$ 10,3 bilhões). Trata-se da pior execução orçamentária em termos percentuais desde o ano 2000.

Agora, chamo a atenção do leitor para um detalhe significativo: imaginem se o Brasil tivesse nestes quase dois anos de mandato da soberana, crescido na média histórica de 4% ao ano, o que provocaria brutal aumento na demanda!!! A consequência disto para a oferta de energia no país seria terrível! Quantos outros “acidentes” não estariam acontecendo, sem que o governo admitisse haver apagões!!!!

O fato, senhores, é o seguinte: há apagões acontecendo em todo o país e não de maneira eventual ou acidental como o governo Dilma tenta vender à opinião pública. Ter o problema e não admiti-lo é a pior maneira para não resolvê-lo, porque transfere para o futuro um problema ainda maior, com graves consequências e de mais difícil e prolongada solução.   E é precisamente neste erro que o governo Dilma está incorrendo, a exemplo  do que fazia seu antecessor e padrinho.