terça-feira, setembro 25, 2012

Negro representa quase 80% da nova classe média, diz estudo


Yara Aquino, da Agência Brasil

Nos últimos dez anos, a classe média teve um crescimento de 38% e hoje abrange 53% da população, o que significa 104 milhões de brasileiros

Professores: o estudo identificou também 
relações entre o emprego e a classe média

Brasília - Aproximadamente 80% dos novos integrantes da classe média brasileira sãonegros. Nos últimos dez anos, a classe média teve um crescimento de 38% e hoje abrange 53% da população, o que significa 104 milhões de brasileiros. Os dados são do estudo Vozes da Classe Média divulgado hoje (20) pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.

 “Uma das característica da classe média é que os grupos que entraram eram os que estavam menos representados. Agora ela [classe média] é muito mais heterogênea do que era há dez anos. As empregadas domésticas que eram uma fração menor ampliaram a participação, os negros aumentaram. Quase 80% do aumento na classe média referem-se à população negra”, disse o secretário de Assuntos Estratégicos da SAE, Ricardo Paes de Barros.

Com esse aumento, a representatividade entre negros e brancos na classe média ficou equilibrada. Um total de 53% da classe média é formada por negros e 47% por brancos. O estudo registra que esse equilíbrio, no entanto, não significa que as desigualdades raciais foram superadas, uma vez que perduram nas demais classes. Na classe alta, 69% são brancos e 31%, negros e na classe baixa 69% são negros e 31%, brancos.

O estudo identificou também relações entre o emprego e a classe média. Dos trabalhadores ocupados – formais e informais –, 57% estão na classe média. Quando se leva em conta apenas os trabalhadores formais, esse número sobre para 58%.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Bem, é ótimo saber que há menos desigualdade no país. Mas vamos devagar com o andor. A qual classe média a Agência Brasil pretendia referir-se, aquela do IBGE, cuja renda começa a partir de 5 salários mínimos, a do Marcelo Nery, hoje no IPEA, que era metade da do IBGE, ou esta última da tal Secretaria de Assuntos Estratégicos que  teve o caradurismo de indicar como faixa de renda da tal “nova classe média” a que vai de R$ 291 a R$ 1.019,00? 

Se 80% dos que ganham esta “fabulosa” renda situada entre R$ 291,00 a R$ 1.019,00 são negros, então, me perdoem, mas os negros brasileiros continuam segregados e ganhando muito mal. E não se pode comemorar redução de desigualdade porque, no fundo, ela não houve. Trata-se de mero truque estatístico. Nada além disso.

Se a faixa de renda considerada for esta última, e acredito que seja, então, a Agência Brasil deveria ter um pouquinho mais de cuidado em noticiar uma pantomima.  Querer festejar como classe média pessoas que recebam R$ 291,00 de renda mensal é um despropósito, e até diria, trata-se de uma vigarice estatística e uma baita sacanagem para com os trabalhadores pobres do Brasil.

Ao final desta edição, voltaremos a este tema para desmascarar esta farsa. O tal estudo da SAE não é apenas “embromation”: é mistificação bruta, recheada de vigarice explícita e levada ao último grau de irracionalidade e safadeza. O lugar de um estudo com tamanho grau de mentiras é a lata do lixo. Não serve para nada, a não ser para enfeitar a campanha eleitoral e a propaganda federal além, é claro, de garantir à Moreira Franco, encarregado pela tal Secretaria, algumas outras bocas ricas e inúteis no organograma do governo Dilma. 

Talvez um segunda serventia que o tal estudo teria, ainda dentro do campo da sacanagem explícita, seria para justificar o confisco sobre os salários cometidos pelos governos petistas, via imposto de renda na fonte, além de se tentar "comemorar" a baixíssima renda per capita que é paga no Brasil aos trabalhadores.