quinta-feira, outubro 18, 2012

Governo do Rio anuncia desapropriação de terreno da Refinaria de Manguinhos


Pâmela Oliveira, Veja online
Com Agência Estado 

Área ao lado das favelas ocupadas pela polícia no domingo receberá bairro-modelo com apartamentos, escolas e postos de saúde. Empresa foi surpreendida pela decisão

(Fabio Rossi/Ag. O Globo) 
A refinaria de petróleo Manguinhos no Rio de Janeiro 

O governo do estado do Rio vai desapropriar a área hoje ocupada pela Refinaria de Manguinhos, na zona norte do Rio, vizinha ao complexo de favelas ocupado pela polícia no domingo. O objetivo é criar na área um bairro planejado com residências populares, área de lazer e escolas. A informação foi divulgada na tarde desta segunda-feira. O valor que será pago pela desapropriação não foi revelado, mas o governo já afirmou que vai pedir à Justiça que os custos para a descontaminação do terreno sejam abatidos do montante.

A desapropriação do terreno, que será publicada no Diário Oficial desta terça-feira, foi anunciada pelo governador Sérgio Cabral, no domingo, após a ocupação das favelas do Jacarezinho e de Manguinhos pelas forças de segurança pública.

O anúncio da desapropriação pegou de surpresa a diretoria da refinaria, que pertence ao grupo empresarial Andrade Magro desde 2008. Em nota, a diretoria afirmou que mantém planos de investimentos em expansão do terminal de tanques de armazenagem com um valor previsto de, aproximadamente, 1,4 bilhão de reais. A direção da empresa citou a Constituição Federal e "as leis do País", para declarar "que confia nas instituições públicas para a garantia de seus direitos de livre iniciativa de sua atividade econômica".

Para o estado, a área onde está a refinaria "tem as características ideais para a implementação de um projeto habitacional para a população de baixa renda”. No local, afirma a nota divulgada pelo governo, “pode ser construído um novo bairro planejado, com apartamentos, escolas, áreas de lazer, postos de saúde, biblioteca, dentre outros equipamentos públicos”.

Impostos – 
De acordo com o governo, a empresa compete no mercado de distribuição com “enorme vantagem” sobre os concorrentes devido a liminares que a isentam do pagamento de impostos, em especial de ICMS. O estado do Rio já moveu contra a empresa ações judiciais para cobrança de impostos no valor de 406 milhões de reais e já aplicou autos de infração que somam 130 milhões de reais. Na nota, o governo afirma ainda que a “Refinaria de Manguinhos já há muito tempo não funciona de fato como refinaria, mas sim como uma grande distribuidora de combustíveis”.

"Conforme amplamente divulgado pela mídia, a empresa vem desenvolvendo grandes projetos para ampliação e modernização de seu parque de refino e estocagem", informou a empresa. Para proteger investimentos dos quase 7 mil acionistas, "entre eles grandes instituições internacionais", a empresa solicitou à BM&F a suspensão, por prazo indeterminado, da negociação de suas ações, nesta segunda-feira, "até que se possa proceder com a apuração dos fatos".

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou que não recebeu notificação sobre uma possível suspensão das atividades da Refinaria de Manguinhos. De acordo com dados disponíveis no site da ANP, em agosto a Refinaria de Manguinhos produziu 352,74 mil barris e, no acumulado do ano, a produção cresceu 20,7% comparado ao mesmo período do ano anterior. O número de agosto é o último divulgado pela ANP. A maior parte da produção no mês foi de gasolina A (sem a adição de álcool), de 347,66 mil barris em agosto. No ano, a produção do combustível acumula alta de 22% em comparação ao mesmo período do ano passado. Além de gasolina, a refinaria produz óleo combustível, 649 barris em agosto, e nafta, 4.430 barris no mesmo período.