quinta-feira, outubro 18, 2012

Venezuela expulsa diplomatas paraguaios


O Globo
Com Agências Internacionais

Não ficou claro motivo de decisão de Caracas; funcionários têm 72h para deixar país

ASSUNÇÃO - O governo venezuelano expulsou os diplomatas do Paraguai: eles têm 72 horas para deixar o país, informou nesta quarta-feira Víctor Casartelli, encarregado de negócios da embaixada paraguaia em Caracas. Assunção, no entanto, ainda espera uma notificação por escrito, já que seus funcionários foram avisados somente pelo telefone da decisão de Caracas.

- Na terça-feira recebi um telefonema do vice-ministro para assuntos latino-americanos e do Caribe. Uma funcionária me comunicou que teríamos 72 horas para abandonar o país - disse Casartelli, em entrevista para a rádio Primero de Marzo, de Assunção. - Não temos nada por escrito, nem sabemos se as causas desta medida drástica do governo do presidente Hugo Chávez (...) A embaixada funciona em um lugar alugado e continuará lá um cidadão venezuelano contratado por nós para cuidar e realizar os trabalhos de manutenção.

Segundo o site paraguaio “ABC Color”, o governo de Assunção espera uma notificação por escrita para começar o procedimento de retirada de seus funcionários de Caracas. O chanceler José Féliz Fernández confirmou que seus funcionários na capital venezuelana receberam ligações, pedindo para que abandonassem o país.

Fernández disse que já entrou em contato com representações diplomáticas de outros países, com os quais o Paraguai mantém boa relação, para ajudar na conservação dos bens que devem ficar em Caracas, como móveis e documentos.

- Não gosto de julgar outros governos, mas o da Venezuela tem uma forma muito peculiar de encarar as relações internacionais e tem conflito com uma enorme quantidade de países - disse o chanceler paraguaio, comentando que é costume de Caracas pedir sanções e expulsar missões diplomáticas.

Miguel Carrizosa, presidente da comissão de relações exteriores do Senado paraguaio, disse a jornalistas que Assunção não mudará sua posição, apesar da decisão de Chávez. "A adesão da Venezuela no Mercosul não será aprovada", ratificou ele.

- A Venezuela entrou pela janela e não pela porta da frente do Mercosul. Sua incorporação foi política e não de direito - disse Carrizosa, em alusão à decisão dos presidentes de Argentina, Brasil e Uruguai de autorizar a adesão de Caracas no bloco na ausência do Paraguai, suspenso do Mercosul por causa da polêmica saída de Fernando Lugo do poder, em junho passado.